TRêS DENUNCIAM TIROS E AGRESSõES DE SEGURANçAS DE BOATE
04.06.2014

Jovens acusaram seguranças de agressões e tiros; boate se posiciona

Três estudantes de Cuiabá procuraram o MidiaNews, nesta segunda-feira (2), para denunciar que foram agredidos, no último sábado (31), por seguranças da boate sertaneja Woods Bar, localizada em Cuiabá.

Segundo Gustavo de Oliveira Furlaneto, de 18 anos; Herick Martins Vasconcelos, 20 anos, e Adaílton da Silva Júnior, 20 anos, as agressões ocorreram em uma sala da boate, próxima aos caixas, por volta das 3 horas.

Os três relataram que tudo começou quando um deles, Adaílton esbarrou em um senhor, que estava em um dos camarotes da casa.

“Nós estávamos dançando, quando meu amigo esbarrou no homem. Ele não gostou e reagiu com uma cotovelada. Começou uma pequena confusão, eu segurei meu amigo e o senhor também foi contido. Não houve briga física. Nesse meio tempo, o Herick pagou a conta e foi para porta, com sua namorada. Minutos depois, no entanto, dois seguranças nos chamaram, pedindo para que os acompanhassem, que eram ordens da casa”, disse Gustavo.

"Pelos menos uns seis seguranças ficaram dentro da sala e falavam que, se nós fôssemos espertos, tínhamos que pagar a conta e ‘vazar’"


Na sala próxima aos caixas, os seguranças teriam dito aos jovens para que pagassem a conta e fossem embora.

“Pelos menos uns seis seguranças ficaram dentro da sala e falavam que, se nós fôssemos espertos, tínhamos que pagar a conta e ‘vazar’. Eu questionei, principalmente, pelo fato de nem ter participado da confusão. Um deles repetia que era para pagar e ir embora e começou a demonstrar sinais de estresse. O meu amigo também questionou e pediu para chamar a gerência da casa”, disse Gustavo.

“Eles falavam que não iam chamar ninguém, quando meu amigo falou para um dos seguranças que o que eles estavam fazendo não era atitude de homem, que eles eram covardes. O segurança deu uma tapa na cara dele e, em seguida, eu afastei o segurança do meu amigo. Só que, nisso, levei uma gravata por trás, de outro segurança, e desmaie”, disse.

Quando Gustavo acordou, com o nariz sangrando, segundo ele, seu amigo não estava mais na sala.

“Eles o fizeram pagar a conta, de R$ 40,00, e o levaram para fora. Assim que acordei, ouvi uma gritaria do lado de fora e barulho de tiro. Fui rápido até o caixa, paguei minha conta, que deu R$ 10,00, e saí. O Adaílton estava apanhando, do lado de fora da Woods, de pelo menos dois seguranças”, relatou Gustavo.

Tony Ribeiro/MidiaNews


Tiros

Ao site, Herick afirmou que esperava os dois amigos que haviam ficado dentro da Woods em seu carro, com a namorada, quando viu Adaílton apanhando de dois seguranças, do lado de fora da casa.

Ao reconhecer Adailton, Herick tentou ir até o local e, para afastá-lo, um dos seguranças deu um tiro para cima. Percebendo que o rapaz não se afastou, o segurança teria atirado em sua direção.

“Meu amigo estava com as mãos para trás, em um local escuro, do lado da boate. Um segurança xingava e batia nele, afirmando, entre outras coisas, que ele era um moleque, enquanto o outro estava apenas observando. O Adaílton pedia por favor para não apanhar, que ele não apanhava nem do pai. O segurança respondia que ele merecia apanhar. Eu bati boca com os seguranças e foi o momento do primeiro tiro para cima; depois, ele atirou na minha direção. Foi quando eu corri de volta para o carro”, disse

Após os tiros, Gustavo, que conseguiu sair da Woods, diz que foi até o amigo Adaílton para socorrê-lo. “Um dos seguranças chegou a falar que isso era para gente aprender a não mexer com os seguranças da boate”.

A Polícia Militar foi chamada pelos jovens e um Boletim de Ocorrência foi lavrado na rua. A boate não se posicionou perante a PM, segundo os rapazes.

Os três também fizeram exame de corpo de delito. O laudo deve sair dentro de 15 dias.

Tony Ribeiro/MidiaNews


Primeira vez

Visivelmente abalados, os jovens afirmaram à reportagem que não entendem como um motivo aparentemente “simples”, como um esbarrão, poderia causar tanta confusão.

Gustavo, que recentemente completou 18 anos, estava na boate Wood´s pela primeira vez.

“Eu não esperava esse tipo de postura e nem tratamento por parte da casa. Era a primeira vez que eu ia, o Herik era a segunda, nossos amigos estavam lá, namoradas, estávamos nos divertindo e, de repente, somos chamados e levados pra uma sala e ainda acontece tudo isso. Todo mundo ficou olhando, todo mundo viu”, afirmou.

Justiça e circuito interno

"Mesmo com o desmaio de um deles, em nenhum momento a Woods chamou o Samu ou qualquer unidade de saúde para prestar os primeiros-socorros"


O advogado Bruno Ferreira Alegria, que representa os três jovens, afirmou ao site que vai solicitar, juridicamente, as imagens das câmeras de segurança da casa noturna, bem como entrará com uma notícia-crime por lesão corporal e com uma ação por responsabilidade criminal.

“Nós vamos questionar a responsabilidade criminal dos seguranças e eventualmente a responsabilidade civil. Mesmo com o desmaio de um deles, em nenhum momento, a casa noturna chamou o Samu, Corpo de Bombeiros ou qualquer unidade de saúde para primeiros-socorros. Nós também queremos entender o motivo da agressão e o por que eles não saíram para atender a PM”, disse.

O advogado também lamentou o episódio, lembrando do caso do jovem Djalma Ermenegildo Júnior, agredido na extinta boate Z100 por três seguranças. O rapaz ficou tetraplégico.

“São posturas que esses profissionais tiveram ou têm e que não dá para admitir. Postura de conter briga é uma coisa, agora de brigar junto é outra”.

Segundo o advogado, pelo fato, os três jovens ainda devem passar por análise psicológica e também por exame toxicológico, para atestar que não estavam bêbados ou sob efeito de substâncias ilícitas.

"Eu não esperava esse tipo de postura e nem tratamento por parte da casa. Era a primeira vez que eu ia, o Herik era a segunda, nossos amigos estavam lá, namoradas, estávamos nos divertindo e, de repente, somos chamados e levados pra uma sala e ainda acontece tudo isso. Todo mundo ficou olhando, todo mundo viu"


Outro lado

Ao MidiaNews Ronaldo Azevedo, que representa a boate na Capital, afirmou desconhecer que seguranças do local teriam agredidos os três rapazes ou atirado contra um deles, na madrugada de sábado.

Conforme Azevedo, em casos de confusão, o procedimento padrão da Woods é solicitar que os clientes paguem a conta e saiam do local.

“Dependendo da gravidade, eles também ficam barrados por algum tempo, antes de entrarem na casa”, completou.

Azevedo afirmou, também, que, até o momento, nem os rapazes e nem seus familiares entraram em contato para ter mais informações do que pode ter ocorrido na última sexta-feira.

“Estamos à disposição para qualquer esclarecimento”, afirmou.

Confira os boletins de ocorrência:

Reprodução

As comandas pagas pelos jovens: uma no valor de R$ 10,00 e outra no valor de R$ 40,00






















































































 
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