EMPRéSTIMO SUSPEITO DESCOBERTO PELA FEDERAL PODE INCRIMINAR MAURO EM DEFINITIVO
26.06.2014

JORGE MACIEL
Diretor de Redação

Os meios político e empresarial do Estado estão em posição de alerta máximo. Nos bastidores, crescem os rumores de que a Polícia Federal prepara a 6ª etapa da Operação Ararath, que investiga lavagem de dinheiro, fraudes, peculato e outros crimes econômicos, cujo esquema movimentou mais de meio bilhão de reais.

A ação estaria marcada para ocorrer dias antes das convenções partidárias que vão homologar os candidatos ao pleito de 2014, nesta sexta-feira 27, mas serão dias tumultuados, com eventos políticos e jogos da Copa do Mundo, e o mais provável é que uma nova megaoperação ocorra mesmo é nos próximos dias. De acordo com fontes do O Documento, o prefeito Mauro Mendes (PSB) está no olho do furacão e deve ser um dos alvos dos federais.

 

Durante a 5ª fase da operação, no mês passado, Mauro Mendes acordou com sua casa cercada por policiais federais e teve ainda o gabinete do Palácio Alencastro revirado. Os delegados e agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF e apreenderam computadores, equipamentos de mídia eletrônica e documentos de uso pessoal do chefe do Executivo Municipal. Segundo a mesma fonte, foram encontrados arquivos e anotações que podem incriminar Mendes. É a primeira vez na história que um prefeito de Cuiabá acorda sob o tumulto da polícia à sua porta.

OS INDÍCIOS

.A PF suspeita, por exemplo, que o prefeito de Cuiabá tenha quitado um empréstimo ilegal contraído com o empresário Junior Mendonça com um contrato milionário entre a prefeitura de Cuiabá e a empresa Amazônia Petróleo, o QG da rede de corrupção, conforme as suspeitas. A linha de investigação trabalha com a probabilidade de o dinheiro operado entre a prefeitura, recentemente, ter sido usado no processo eleitoral que elegeu Mendes. A explicação dada pelo prefeito da Capital de que ele fez o empréstimo não tem lógica, conforme desconfiam os federais. É que Mauro não precisaria, pelos recursos que possui, pedir emprestado a ninguém, e, outra cena é a de que é muito curioso o fato de o prefeito pedir um dinheiro e pagá-lo, depois de eleito, com um contrato com valor idêntico, acrescido de custos fiscais, juros e correções.

Mendes já tentou explicar, mas suas justificativas parecem não convencer as autoridades policiais.

“A investigação levantou elementos fortemente indicativos de que Mauro Ferreira Mendes [sic] também recebeu vultosa vantagem ilícita, na forma de empréstimos nunca adimplidos da instituição financeira informal operada por Gercio Marcelino Mendonca Junior, ocultando a respectiva origem”, diz trecho o inquérito, do qual a reportagem de O Documentoteve acesso.

O DELATOR CANTA

Aos federais, Junior Mendonça, que está colaborando com as investigações sob acordo de delação premiada, confirmou que emprestou R$ 3,4 milhões a Mauro, mediante juros de 1,5%. Como garantia, Mendes assinou uma promissória no valor de quase R$ 3,9 milhões. Essa nota foi apreendida pela PF.

O delator enfatizou que o dinheiro foi repassado ao atual prefeito da Capital durante a eleição de 2012, em que Mauro venceu Lúdio Cabral, no segundo turno. No inquérito, o delegado da Polícia Federal faz questão de ressaltar a coincidência dos valores do empréstimo com um contrato feito pelo prefeito, depois de eleito. Esses fatos e coincidências levantados pelo Ministério Público Federal (MPF) é que sustentaram o Supremo Tribunal Federal (STF) em mandar invadir a sua casa e seu gabinete, no dia 20 de maio, com base em artigos e epígrafes insculpidos no Código Penal Brasileiro.

De acordo com o inquérito, “Impende ressaltar que a empresa Comercial Amazônia Petróleo foi contratada pelo Município de Cuiabá/MT [no caso a prefeitura], em julho de 2013, precisamente na gestão de Mauro Mendes Ferreira, com dispensa de licitação, havendo o contrato sido celebrado no valor de R$ 3.700.000,00, inteiramente compatível com o valor do empréstimo antes mencionado”, observa.

Envolvido na rede de suspeição, Mauro Mendes foi orientado por advogados e marqueteiros a se manter inacessível, afastado das trepidações, mas o prefeito terminou, pressionado pela opinião pública, apostando numa explicação cambaleante e acaciana – a que não diz nada.

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