HOSPITAL PSIQUIáTRICO DE MT ESTá SEM MEDICAMENTOS, DENUNCIAM SERVIDORES
27.06.2014

Funcionários do Hospital Adauto Botelho, a única unidade pública para internação de dependentes químicos em Cuiabá, denunciam que o local está passando por uma crise, onde faltam materiais, equipamentos, condições mínimas de higiene e até medicamentos, o que leva à recusa de pacientes mesmo com a existência de vagas por conta da incapacidade de recebê-los. O estado respondeu à denúncia por meio de nota anunciando, entre outros, que os materiais em falta devem chegar até o fim desta semana (prazo para o qual falta apenas um dia).

Ao todo, o hospital possui 44 vagas, mas apenas 17 homens estão internados no local atualmente. Maiores de 18 anos, eles estão na unidade 3 do Adauto Botelho, destinada a dependentes químicos.

A falta de medicamentos psicotrópicos para o tratamento dos pacientes é a maior das frustrações dos funcionários, que conversaram com a reportagem da TV Centro América sem se identificar. Devido à ausência dos remédios, pacientes acabam tendo crises e surtos. Um dos pacientes, também sob anonimato, resumiu a situação dos servidores na unidade à reportagem dizendo que os funcionários “fazem mágica” para manter os serviços em mínimas condições.

Muitas vezes, a saída para se obter medicamentos acaba sendo a judicial, via também utilizada há anos em Mato Grosso por famílias que não conseguem obter cirurgias pelos trâmites convencionais do Sistema Único de Saúde – gerando o fenômeno já conhecido como “judicialização da saúde”. Entretanto, dada a falta de condições de atendimento do hospital em outros aspectos, muitas vezes os remédios também são barrados.

Isso porque falta o armazenamento devido para os materiais de uso hospitalar. Já os materiais utilizados, como agulhas, ficam acumulados porque a empresa que deveria retirá-los dentro das condições sanitárias ideais não está passando no local com a devida frequência.

Outro ponto que inviabiliza o trabalho na unidade é estrutural. As camas dos pacientes, por exemplo, são todas de madeira que, muitas vezes, são quebradas e têm ripas retiradas, oferecendo riscos.

Já o refeitório, que deveria estar localizado numa construção fechada, está numa área aberta sem assentos suficientes para os poucos pacientes internados, de modo que eles têm de sentar no chão para comer. Mas este não é o único problema: o local sofre há tempos uma infestação de pombos, com ninhos e fezes que acabam com as condições sanitárias do refeitório. Além disso, a comida servida por uma empresa terceirizada não é considerada adequada para os pacientes.

Toda a situação foi comunicada em caráter oficial pelos funcionários ao governo do estado há um mês. Eles se dizem capacitados e preparados para atuar no hospital, mas de mãos atadas devido à falta das condições mínimas.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o material para atendimento médico em falta já foi comprado e deve ser entregue ainda esta semana. Além disso, o hospital deve voltar a receber pacientes em julho, segundo o governo, o qual assegurou que o refeitório, por mais absurdas que possam parecer suas condições, atende a protocolo clínico terapêutico. Por fim, a nota do governo afirma que a unidade de saúde passará por obras e reformas.

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