'NOSSA VIDA DESMORONOU', DIZ MULHER QUE TEVE A FILHA E O NETO ASSASSINADOS
27.06.2014

Desde novembro de 2012, a vida da família da estudante de direito, Ariely Lopes da Silva, de 20 anos, não foi mais a mesma. Os pais dela nunca mais tiveram coragem de voltar à casa onde moravam, no Bairro Serra Dourada, em Cuiabá, após a universitária e o filho dela, de quatro anos, terem sido mortos a tiros no local. O suspeito do duplo homicídio é o ex-namorado de Ariely e pai da criança, Jeanderson Xavier Rangel, que deve ser julgado pelo Tribunal do Júri no próximo dia 15.

Mãe e avó das vítimas, Osmarli Lopes Vieira da Silva disse que ela, o marido e a filha mais nova estão morando na casa da sogra. Ela disse que não compreende como o pai teve coragem de matar o próprio filho. "Nossa vida desmorou. Foi um crime bárbaro, porque o próprio pai matar o filho não tem explicação. Não conseguimos assimilar o motivo de tudo isso", disse. As vítimas foram mortas há um ano e sete meses.

O acusado foi preso cinco dias após o crime e aguarda julgamento no Centro de Ressocialização de Cuiabá. Depois de matar a ex-namorada e o filho, que só estava em casa no horário do crime porque estava doente sob os cuidados da mãe, Jeanderson ainda entrou em contato com o pai de Ariely para lhe entregar uma quantia em dinheiro que seria usada para comprar o remédio para o filho.

Tia mostra a fotografia de estudante assassinada em Cuiabá (Foto: Leandra Ribeiro/ G1)

"Achei estranho ele ter me ligado, porque ele morava no mesmo bairro que eu, mas nunca ia na minha casa e nem falava comigo. Naquele dia, ele telefonou e falou que iria deixar um dinheiro comigo no meu trabalho para comprar remédio para o meu neto, sendo que desde que a criança tinha nascido ele nunca tinha ajudado em nada", disse o sargento da Polícia Militar, Emilton Jorge da Silva, pai da estudante e avó do menino.

Ele disse que quando o neto nasceu a filha tinha 15 anos e o réu não quis assumir o papel de pai da criança. Para evitar transtornos, o sargento disse que a filha continuou em casa e com o neto, tendo o apoio da família dela. "A minha filha tinha entrado com um pedido de pensão na Justiça, mas mesmo assim ele não pagou e achei melhor deixar isso de lado", contou.

Depois que a filha e o neto foram mortos, a família ficou surpresa ao descobrir que a vítima havia solicitado medida protetiva para que o ex-namorado não se aproximasse dela. "Ele deveria estar ameaçando, mas ela não falou. Fiquei sabendo na audiência e fiquei supreso", disse o pai de Ariely, que cursava o 6º semestre do curso de direito.

Apesar do relacionamento conflituoso, o acusado era visto pela família das vítimas como uma pessoa tranquila. "Ele nunca demonstrou agressividade. Era uma pessoa tranquila", afirmou a mãe da vítima. Jeanderson foi o primeiro namorado de Ariely. O namoro teve o consentimento dos pais dela depois dela ter completado 15 anos.

Homem que confessou ter matado a ex-mulher e o filho chorou ao lado de advogado. (Foto: Reprodução/TVCA)

Na data do crime, Ariely estava em casa com o filho, que não tinha ido na creche naquele dia porque estava com catapora. Ela teria entrado em contato com o suspeito para comunicar que o filho estava doente e pedir ajuda.

À polícia, o réu contou que estava sob pressão da ex-namorada e, por isso, cometeu o crime. Alegou, no entanto, que não tinha intenção de matar o filho dele e que atirou contra Ariely e acabou acertando a criança. Junto do advogado, ele também disse que não era um monstro e que o crime não tinha sido planejado.

As vítimas foram encontradas mortas pela irmã da universitária, que naquela data havia chegado mais cedo da escola. "Sempre chegávamos juntos em casa e, nesse dia, a minha filha foi liberada mais cedo. Ela chegou em casa e começou a gritar. A vizinha ouviu e me ligou para falar o que tinha acontecido", contou o sargento da PM.

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