ATUAçãO DE OCHOA EVOCA O NOME DE BANKS E IMPEDE DESCANSO DE NEYMAR
18.06.2014

Goleiro, mexicano, cabeludo, uniforme azul, chuteiras laranjas, chamativas luvas brancas. Você tem tudo para desconfiar de Guillermo Ochoa, mas o camisa 13 simplesmente parou Neymar e a seleção brasileira em Fortaleza. Com quatro defesaças, criou um drama que ninguém esperava: segurou o empate sem gols, adiou a classificação do Brasil para a última rodada e ainda deixou o camisa 10 brasileiro pendurado por mais três partidas na Copa do Mundo.

Isso porque o atacante poderia ter forçado um segundo cartão amarelo caso a Seleção tivesse vencido. Assim, cumpriria suspensão contra Camarões, na próxima segunda-feira, em Brasília, e voltaria livre no mata-mata. Agora, o camisa 10 terá que jogar contra os africanos e, caso avance, oitavas e as quartas de final sem ser advertido, já que o segundo cartão provoca suspensão automática na Copa.

 Neymar foi a principal vítima da tarde inspirada de Ochoa, um Gordon Banks “muchacho”. Ao defender cabeçada do atacante brasileiro, o goleiro fez com que o ex-colega de profissão inglês fosse evocado nas redes sociais. Banks espalmou cabeçada de Pelé na Copa de 1970 em lance conhecido como “defesa do século”. Até o comentarista Gary Lineker, craque da Inglaterra nos anos 80 e 90, fez referência à comparação.

- A dificuldade da cabeçada é muito grande. Não acreditei que o Neymar fosse ganhar pelo alto porque ele é menor do que o Rafa (Márquez, zagueiro do México). Consegui pular para salvar. A defesa (de Banks) é uma das mais conhecidas dos Mundiais, é um orgulho comparar à defesa que fiz hoje - afirmou o mexicano, eleito pela Fifa o melhor jogador em campo.

Do outro lado, o cartão amarelo recebido na estreia, quando levou o braço no rosto do croata Modric, foi um alerta a Neymar. O brasileiro praticamente nem falou com o árbitro turco Cüneyt Çakir. Não reclamou das pancadas que sofreu, e olha que com menos de um minuto, ainda com o rosto úmido das lágrimas que rolaram durante o hino à capela, ele já foi chutado por Vazquez.

Quem esbravejou por ele foi Felipão, a cada falta não marcada, a cada cartão não mostrado para um mexicano. Neymar ficou calmo até mesmo quando parou nas mãos de Ochoa.

O goleiro - que na última temporada defendeu a meta do Ajaccio (FRA) - começou o jogo tranquilo, até que os torcedores brasileiros resolveram imitar a tradição dos adversários, que xingam o goleiro rival a cada tiro de meta batido. Todas as reposições de bola do mexicano foram “narradas” por milhares e milhares de pessoas. E ele pareceu até se inspirar.

No fim do primeiro tempo, saiu corajoso nos pés do livre Paulinho e estufou o peito para salvar os mexicanos. A chance que Neymar gosta, com bola no chão, demorou a aparecer. Só na etapa final, após cruzamento da esquerda, ele dominou no peito, ajeitou e bateu. Daquelas bolas que quando saem dos pés do craque, o torcedor já levanta os braços. Mas... Havia um Ochoa no meio do caminho. O goleiro mostrou conhecer bem o adversário e a posição. Estava no lugar certo para defender mais uma. O lugar certo, a hora certa.

Impressionante a presença do sujeito de 28 anos, 1,85m e 59 jogos pela equipe nacional ao rebater mais uma cabeçada, agora de Thiago Silva. Os animados mexicanos não se seguraram. Gritaram o nome do goleiro, enlouquecidos.

Nos ataques da seleção tricolor, mais constantes no segundo tempo, Ochoa ficava quase na linha da grande área. Se pudesse, saía para tabelar. Em partida tão feliz, que bom para o Brasil que ele preferiu ficar no seu canto. Era capaz de dar certo...

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