DEPUTADO COM 107 PROCESSOS SE LANçA AO GOVERNO DE MT 40 DIAS APóS PRISãO
02.07.2014

A disputa eleitoral deste ano pelo cargo de governador do estado de Mato Grosso tem, entre os candidatos, o deputado estadual José Riva (PSD), que acumula 107 processos na Justiça contra si. O parlamentar, que sempre negou as acusações, foi lançado candidato em convenção partidária nesta segunda-feira (30), em Cuiabá, 40 dias após ter sido preso pela Polícia Federal (PF) na operação Ararath, a qual apura esquema de crimes financeiros e fraudes que teriam movimentado ilegalmente cerca de R$ 500 milhões.

Liberado três dias depois do Complexo da Papuda, carceragem no Distrito Federal para onde foi levado pela PF, Riva retornou a Mato Grosso e retomou as atividades parlamentares, mas anunciou que abandonaria a carreira política. O deputado declarou que deixaria de disputar eleições alegando que não precisava de cargo político para viver, mas voltou atrás e teve o nome homologado para a disputa majoritária na convenção do PSD - com apoio dos partidos aliados PT do B, PRTB, PTN, PEN, PTC, PPL e Solidariedade.

Nascido no estado do Espírito Santo, Riva se mudou aos 20 anos para Mato Grosso, onde desenvolveu sua carreira política. Técnico em contabilidade, três anos depois, tornou-se prefeito da cidade de Juara, a 690 km de Cuiabá, que hoje conta com pouco mais de 33 mil habitantes. Foi eleito deputado estadual em 1994 e reeleito em 1998. Outras reeleições para o cargo de deputado estadual se sucederam em 2002, 2006 e 2010.

Desde que assumiu o primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o parlamentar tem revezado posições na presidência e na vice-presidência da Casa. Nos últimos meses, mesmo afastado do cargo máximo da ALMT (hoje exercido pelo peemedebista Romoaldo Júnior), ainda despachava no gabinete da Presidência.

No plano judicial, Riva responde a 107 processos. Entre eles, ações judiciais por casos como de improbidade administrativa e peculato. Seu nome já foi mencionado em casos de corrupção no estado.

Um deles ficou conhecido como “escândalo das calcinhas”: o parlamentar foi condenado a ressarcir os cofres públicos em R$ 2,1 milhões por desvios de recursos da ALMT. O dinheiro teria sido remetido a empresas de fachada, como uma fabricante de lingerie que recebeu R$ 3 milhões, segundo o processo. Riva negou qualquer envolvimento com desvio de dinheiro.

Em outros casos, o deputado teve seu nome ligado a transações ilegais com factorings de propriedade do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, hoje preso. A esposa do parlamentar, Janete Riva, também chegou a ser alvo de investigações; ela foi presa pela PF na operação Jurupari, em 2010, sob acusações de crimes ambientais e trabalho escravo numa propriedade rural da família.

O último caso envolvendo Riva é o da operação Ararath, na qual ele figura, segundo as investigações, como um dos beneficiários de um esquema de transações financeiras ilegais em funcionamento no estado. O esquema seria baseado num banco clandestino operado pelo empresário Gercio Marcelino Mendonça Júnior, que colabora com as investigações como delator premiado. A quinta etapa da operação, no dia 20 de maio, consistiu no cumprimento de uma série de mandados judiciais expedidos por conta das investigações, entre eles o mandado de prisão preventiva contra Riva.

A prisão foi revogada e, após três dias, o deputado foi liberado. Além de refutar qualquer crime financeiro ou fraude, ele alegou que sua prisão no dia 20 de maio foi ilegal porque possui foro privilegiado na condição de deputado estadual.

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