EX-SECRETáRIO TERIA PEDIDO PARA NãO MORRER, DIZ A POLíCIA
09.07.2014

O ex-secretário de Estado, Vilceu Marchetti, teria pedido ao caseiro Anastácio Marafon que não o matasse, na noite de segunda-feira (7), na Fazenda Marazul, na região do Pantanal.

Em coletiva à imprensa, no começo da tarde desta terça-feira (8), os delegados adjuntos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Anaíde Barros e Walfrido Nascimento, revelaram que o diálogo entre Marchetti e Marafon foi ouvido pelo proprietário da fazenda, Nery Fulgante, de 80 anos.

"Ele [Neri Fulgante] disse que

ouviu Marchetti pedir para que Anastacio não pegasse a arma"


Ambos acompanharam o início das investigações no local do crime, após serem acionados pelo delegado local, Douglas Turibi, por volta das 20h, que pediu reforços.

Em depoimento à polícia, Fulgante disse que se encontrava no mesmo apartamento que Vilceu, no quarto ao lado, e ouviu, no momento do crime, uma discussão.

“Ele disse que ouviu Marchetti pedir para que Anastacio não pegasse a arma”, afirmou Anaíde.

Segundo a delegada, Fulgante relatou que, ao ouvir os tiros, temeu por sua família e não quis sair do quarto. Quando, por fim, se dirigiu ao quarto de Marchetti, já o encontrou morto.

O ex-secretário de Estado foi assassinado com dois tiros ainda na cama, sendo um na cabeça e o outro no peito. 

Assédio

Segundo os delegados da DHPP, Marafon confessou, horas após o crime, que assassinou Marchetti porque a vítima teria “cantado” sua mulher.

"A mulher do caseiro confessou ao marido que

Marchetti havia batido na bunda dela.

O caseiro, então,

pegou a arma e foi ao apartamento de Marchetti,

que ao vê-lo se aproximando,

correu para o quarto e se deitou"

De acordo com o titular da DHPP, delegado Silas Tadeu Caldeiras, que também acompanhou as investigações, Marafon confessou que estava “transtornado” de ciúmes no momento e que nem mesmo sabia precisar quantas vezes atirou contra o ex-secretário. 

Ele teria presenciado a cena de longe, por volta das 18 horas de segunda-feira (7), e, após o jantar, ao tirar satisfação com a mulher, recebeu a confirmação do suposto assédio.

“A mulher do caseiro confessou ao marido que Marchetti havia batido na bunda dela. O caseiro, então, pegou a arma e foi ao apartamento de Marchetti, que ao vê-lo se aproximando, correu para o quarto e se deitou”, relatou Silas.

Conforme a polícia, a discussão de Marafon com sua esposa, inclusive, foi presenciada pelos dois netos de Marchetti, um de 14 anos e outro de 9, que acompanhavam o avô na fazenda.

Início das investigações

Segundo os delegados da DHPP, inicialmente Marafon não assumiu a autoria do crime, inclusive tentando “dissimular os fatos” junto aos demais funcionários da fazenda.

“Ele falou que tinha visto uma moto sair correndo, que alguém teria tentado pegar a vítima”, afirmou Anaíde.

A Polícia Militar foi a primeira unidade a chegar ao local e, ao conversar com a mulher do caseiro, soube do suposto assédio e deteve o marido até a chegada da Polícia Civil.

“Ela disse que Marchetti teria chegado perto, a apalpado e teria falado coisas a ela que a teriam deixado constrangida”, disse Anaíde.

Tony Ribeiro/MidiaNews

Walfrido Nascimento: "Todos os indícios apontam que o crime foi em decorrência do suposto assédio praticado por Marchetti"

A PM teria, inclusive, tomado a decisão de pedir a um funcionário para que levasse a mulher do caseiro e seu filho para Santo Antônio.

No entanto, a equipe da DHPP chegou no momento da saída da família e fez com que eles permanecessem no local, para prestar depoimento.

Outros motivos

Segundo Anaíde de Barros, a polícia não acredita que o casal tenha sido “plantado” na fazenda para executar Marchetti, em um típico caso de “queima de arquivo”, porque durante o depoimento, eles teriam sido “bem convincentes”.

“O casal já trabalhava há seis anos para o proprietário da fazenda, em uma fazenda em Santa Catarina e estava em Mato Grosso há oito dias. Marafon veio para assumir o posto de administrador da fazenda Marazul, no lugar de Marchetti, que já havia pedido para deixar de fazer o serviço”, afirmou.

De acordo com Walfrido Nascimento, a polícia não descarta qualquer outra hipótese, porque o inquérito segue aberto, mas que não acredita que nenhum fato novo possa surgir nos próximos dias.

“Todos os indícios que coletamos ontem confirmam que o crime ocorreu por isso. Temos ainda dez dias de investigação e eu, particularmente, não acredito em surpresas. Mas, por cautela, como a investigação segue, não podemos descartar outras possibilidades”, disse.

Busca pela arma 

A arma utilizada por Marafon no crime seria de calibre 38, conforme Walfrido, mas não seira legal. O caseiro teria, ainda, outras duas armas registradas.

“Essa arma não tem registro e ele alegou que a comprou de terceiros, há mais de 20 anos”, disse.

De acordo com o delegado, Marafon afirmou que, ao sair do quarto de Marchetti, jogou a arma na beira de um rio que passa por dentro da fazenda.

A polícia continua fazendo buscas no local para encontrar o objeto.

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