ATAQUE REBELDE PODE TER MATADO 30 SOLDADOS UCRANIANOS, DIZ AGêNCIA
11.07.2014

Um ataque rebelde com mísseis Grad contra um posto ucraniano na fronteira russa nesta sexta-feira (11) pode ter matado cerca de 30 soldados e guardas de fronteira, mas o número de vítimas talvez seja ainda maior, disse uma autoridade do Ministério do Interior.

Se a cifra de mortos for confirmada, esse poderá ter sido o ataque mais letal dos rebeldes contra forças do governo desde que os militares ucranianos encerraram um cessar-fogo unilateral em 30 de junho.

Os separatistas pró-Rússia lançaram seu ataque por volta das 5h (horário local) contra o posto de Zelenopillya, na região de Luhansk, disseram fontes militares.

"Cerca de 30 (foram mortos). Não está descartado um número maior de vítimas porque essa escória sedenta de sangue desprezivelmente disparou Grads (mísseis) e há destruição", disse a jornalistas Zoryan Shkyryak, um conselheiro do ministro do Interior, Arseny Avakov.

"Acho que uma resposta não deverá demorar para surgir depois desse sangrento ato terrorista‘, disse ele.

Forças do governo recentemente ganharam força na batalha de três meses contra separatistas que estabeleceram "repúblicas populares" no leste do país, de população de língua russa, e dizem desejar se unir à Rússia.

Anistia Internacional
A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta sexta-feira centenas de casos de sequestros e torturas cometidos pelos separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia e também criticou o uso excessivo da força pelo exército ucraniano.

"Me deram socos, me agrediram com uma cadeira e com tudo o que encontraram. Apagaram cigarros na minha perna e sofri eletrocução. Demorou muito tempo, não sentia nada e desmaiei", disse Sasha, de 19 anos, que foi sequestrado na cidade de Lugansk, de acordo com o relatório de denúncia da ONG.

Sasha integrava as ‘tropas de autodefesa‘ partidárias de Kiev formadas no reduto separatista. Ele afirmou que só foi liberado depois que seu pai pagou uma multa de 45.000 euros (60.000 dólares). Em seguida viajou para a capital Kiev.

O documento da AI descreve sequestros, extorsões e torturas generalizadas no leste de Ucrânia, onde os rebeldes pró-Rússia tomaram o controle de várias cidades há alguns meses e que atualmente lutam para manter o domínio contra o exército ucraniano.

A AI destaca que não é possível estabelecer estatísticas confiáveis porque a região sofre com o caos e as autoridades não têm nenhuma intenção de registrar os incidentes ou número de vítimas.

Mas a missão da ONU na Ucrânia contabilizou 222 casos comprovados de sequestros, enquanto o ministério do Interior ucraniano cita 387 casos apenas entre abril e junho, incluindo 39 jornalistas.

A Anistia Internacional também denunciou o uso excessivo da força por parte das tropas ucranianas que tentam recuperar o controle dos territórios do leste.

A ONG menciona um incidente em 24 de abril no qual cinco homens supostamente abriram fogo na região de Slaviansk, assim como a morte de dois civis em um tiroteio contra uma multidão em Krasnoarmeisk no dia 11 de maio.

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