ISRAEL RETOMA BOMBARDEIOS CONTRA GAZA APóS FRACASSO DE CESSAR-FOGO
15.07.2014

A aviação israelense retomou na tarde desta terça-feira (15) - horário local, manhã no horário de Brasília - os bombardeios contra a Faixa de Gaza, após uma trégua de seis horas, rejeitada pelo braço armado do movimento palestino Hamas, que controla o território, constatou a AFP.

Um ataque aéreo foi dirigido contra a cidade de Khan Yunes, sul do território, e outro contra o bairro de Zeitun, leste da cidade de Gaza.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já havia advertido que o exército ampliaria as operações na Faixa de Gaza se o Hamas rejeitasse a trégua proposta pelo Egito e prosseguir com os lançamentos de foguetes.

"Se o Hamas não aceitar a proposta egípcia, como é o caso atualmente, Israel terá toda a legitimidade internacional para ampliar suas operações militares com o objetivo de restabelecer a calma", disse Netanyahu durante um encontro com o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, em Tel Aviv.

O braço armado do Hamas, as brigadas al-Qassam, rejeitou o texto do acordo. “Nossa batalha contra os inimigos continua e irá crescer em ferocidade e intensidade”, afirmou o grupo.

Mas Moussa Abu Marzoukm, alto oficial do Hamas que foi ao Cairo, disse que o movimento ainda negociava uma decisão. Entretanto, não houve nenhum anúncio oficial do grupo sobre o cessar-fogo, e os ataques por parte dos palestinos continuaram.

Segundo a polícia, um foguete lançado a partir do território palestino e reivindicado pelo braço armado do Hamas atingiu a cidade israelense de Ashdod nesta terça-feira. Este foi o primeiro projétil a atingir uma área habitada desde que Israel aceitou a proposta de trégua.

 De acordo com dados do exército israelense, pelo menos 35 projéteis foram lançados em várias séries de ataques contra o território israelense das 9h locais (3h de Brasília) até quatro horas depois.

Algumas horas antes, o gabinete de segurança israelense, presidido por Netanyahu, aceitou a proposta egípcia, depois de uma semana de bombardeios em Gaza que deixaram quase 200 mortos e 1.300 feridos, em sua maioria civis.

"Respondemos à proposta egípcia para propiciar uma oportunidade de tentar desmilitarização da Faixa de Gaza", disse Netanyahu, que destacou a necessidade de limpar o território palestino de "mísseis, foguetes e túneis de contrabando".

O secretário de Estado americano, John Kerry, também apelou ao Hamas que aceitasse a proposta egípcia de cessar-fogo com Israel na Faixa de Gaza.

"A proposta egípcia de cessar-fogo e negociações oferece a oportunidade de acabar com a violência e restabelecer a calma", disse Kerry. "Saudamos a decisão do governo israelense de aceitar a proposta. Apelamos a todas as demais partes a aceitar a proposta", completou.

Ele também criticou a rejeição de parte do Hamas. "Não posso condenar com mais dureza as ações do Hamas, que dispara mísseis contra o esforço e a boa vontade de se conseguir o cessar-fogo para o qual trabalham o Egito e Israel juntos."

Ofensiva de Israel deixa 186 mortos
Os ataques aéreos israelenses contra a Faixa de Gaza deixaram 186 mortos e 1.287 feridos em uma semana, de acordo com o último balanço de vítimas fornecido pelos serviços de emergência, superando o registrado durante a ofensiva de novembro de 2012.

Este conflito já é mais letal do que a ofensiva de novembro de 2012, que também teve como objetivo impedir os disparos de foguetes a partir de Gaza: 177 palestinos e seis israelenses foram mortos em uma semana.

Escalada de violência

A mais recente escalada de tensão e violência entre israelenses e palestinos começou com o desaparecimento de três adolescentes israelenses no dia 12 de junho na Cisjordânia. Eles foram sequestrados quando pediam carona perto de Gush Etzion, um bloco de colônias situado entre as cidades palestinas de Belém e Hebron (sul da Cisjordânia) para ir a Jerusalém.

O governo israelense acusou o movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, do sequestro. O Hamas não confirmou nem negou envolvimento. Israel deslocou um grande contingente militar para a área da Cisjordânia, principalmente na cidade de Hebron e arredores. Dezenas de membros do Hamas foram detidos, e foguetes foram disparados da Faixa de Gaza contra Israel.

Os corpos dos três jovens foram encontrados em 30 de junho, com marcas de tiros. Analistas sustentam que eles foram assassinados na noite de seu desaparecimento.

A localização dos corpos aumentou a tensão, com Israel respondendo aos disparos feitos por Gaza. No dia seguinte, 1º de julho, um adolescente palestino foi sequestrado e morto em Jerusalém Oriental. A autópsia indicou posteriormente que ele foi queimado vivo.

Israel prendeu seis judeus extremistas pelo assassinato do garoto palestino, e três dos detidos confessaram o crime. Isso reforçou as suspeitas de que a morte teve motivação política e gerou uma onda de revolta e protestos em Gaza.

No dia 8 de julho, após um intenso bombardeio com foguetes contra o sul de Israel por parte de ativistas palestinos, a aviação israelense iniciou dezenas de ataques aéreos contra a Faixa de Gaza. A operação, chamada "cerca de proteção", tem como objetivo atacar o Hamas e reduzir o número de foguetes lançados contra Israel, segundo um porta-voz israelense.

Os militantes de Gaza responderam aos ataques, disparando foguetes contra Tel Aviv. Por enquanto, só houve registro de mortes entre os palestinos – o sistema antimísseis israelense interceptou boa parte dos disparos lançados contra seu território.

Os combates são os mais sérios entre Israel e os militantes de Gaza desde a ofensiva de seis dias em 2012.

COMENTÁRIOS

*** **  ***


VÍDEOS

      
BUSCA:
© Copyright 2014 A Notícias - Política de Privacidade