ESTUDANTES EM MT ERAM ALICIADOS PARA VENDER DROGA EM ESCOLA, DIZ MP
18.07.2014

Quatro adolescentes teriam sido aliciados pela quadrilha de tráfico de drogas que atuava em Nova Ubiratã, a 506 km de Cuiabá, sob a liderança de dois vereadores do município, para comercializar drogas dentro da Escola Estadual 19 de Dezembro, na cidade, onde eles estudavam. A informação consta da denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra os vereadores Reinaldo de Freitas e José Itamar Marcondes, presos nesta quarta-feira (16), durante operação do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

"As provas dos autos revelam, ainda, triste fato que demonstra a impiedade, a ganância desenfreada pelo lucro fácil e a completa e irresponsável despreocupação com a vida alheia", diz trecho da denúncia oferecida pelo MPE contra os suspeitos de envolvimento na organização criminosa. Oito supostos integrantes desse grupo já foram presos, incluindo os parlamentares. Destes, seis continuam presos.

Durante as investigações foi descoberto que os adolescentes recebiam porções de drogas e dinheiro em espécie em troca da contribuição com o tráfico de entorpecente na cidade.

Outro local de atuação da quadrilha era a cadeia pública de Nova Mutum, a 269 km da capital. Isso depois que um dos ‘testas de ferro‘ dos vereadores havia sido preso. Ele foi substituído na função de gerente por um traficante de Cuiabá, que, segundo a polícia, foi levado para Nova Ubiratã supostamente por Renivaldo de Freitas.

As investigações começaram em janeiro deste ano e, em abril, a Polícia Civil deflagrou a operação ‘Pistolagem Neve Branca‘ e foram presos três integrantes do grupo. "Quando estávamos investigando o tráfico cometido por esses traficantes presos, descobrimos o aliciamento dos menores e começamos a desenvolver essa investigação junto com a Promotoria de Justiça e a Polícia Militar", disse o delegado Valter de Mello.

A operação recebeu esse nome em alusão à suposta encomenda da morte de policiais militares que estavam tentando coibir o tráfico de drogas na região e à cocaína.

Segundo ele, a Promotoria de Justiça da cidade já tinha recebido denúncias de tráfico de drogas nas escolas do município. Uma adolescente de 15 anos era usada pelo gerente da quadrilha para fazer a venda da droga nas escolas e as professores denunciaram o tráfico à promotoria. Depois da prisão dos traficantes, foi descoberto quem fornecia a droga para ela. 

Consta da denúncia que, em março deste ano, o então gerente do tráfico, que mantinha um salão de beleza de fachada, foi até a cadeia para se encontrar com o antecessor alegando ser primo dele. Ele fez uma declaração falsa no livro de registros de visitas da unidade prisional. As investigações apontam que, mesmo um dos integrantes presos, a ligação entre eles era forte e, por meio dela, a droga entrava na unidade e era vendida para os detentos.

A quadrilha também teria tentado remover os policiais militares que estavam tentando pôr fim ao tráfico de drogas na cidade. Para isso, teriam planejado, inclusive, matar um sargento, um cabo e um soldado da Polícia Militar, mas, conforme o MP, o plano só não foi concretizado porque a pessoa que teria sido procurada para o crime se recusou a cometê-lo.

O delegado afirmou que a investigação ganhou tamanha proporção que a continuidade dos trabalhos ficará a cargo do Gaeco.

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