FOCOS DE QUEIMADAS AUMENTAM EM TERRA INDíGENA
25.07.2014

Os focos de queimadas aumentaram drasticamente na terra indígena Marãiwatsédé, desde o início de junho. E tudo indica que os incêndios são criminosos, provocados pelos antigos posseiros da região, que até hoje não aceitam ter perdido a área para os índios da etnia Xavante. Conforme o sistema de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1º a 23 de julho, o satélite já registrou 799 pontos de calor. No ano passado, no mesmo período, foram 77 focos.

Indigenistas, órgãos de proteção e os próprios índios avaliam que os incêndios em Marãiwatsédé são um caso a parte, diferente de outras reservas florestais, quando, geralmente, as queimadas são de causas naturais. O satélite do Inpe registrou o aumento a partir do início desse mês, mas Aquilo Xavante, que é índio e possui família em Marãiwatsédé, afirma que os focos aumentaram desde o início do mês passado. E segundo ele, as queimadas são provocadas por antigos posseiros, que não aceitaram sair da terra indígena.

Relata que os posseiros chegam em motos, “na calada da noite”, e ateiam fogo nos pastos da terra indígena. Ele disse que as chamas ainda não atingiram as aldeias Xavantes, mas alerta que se essa situação perdura, não vai demorar para o fogo chegar até elas. Destaca ainda que as autoridades competentes já foram informadas, mas que nenhuma atitude foi tomada para conter a situação.

Conforme ele, o incêndio está prejudicando a saúde das crianças, devido à grande quantidade de fumaça. “Eles provocam o fogo e depois fogem para Alto Boa Vista (1.059 km a Nordeste de Cuiabá)”.

Mário Mestre, indigenista do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), disse que o órgão vai acionar o Ministério Público. Ressalta que não é uma situação fácil de controlar, devido aos conflitos que se estabeleceram pela disputa de terra entre os posseiros e os índios. Para ele, tudo indica que os incêndios foram provocados a mando dos grandes fazendeiros da região.

Explica que a Advocacia Geral da União (AGU) ajuizou ação cobrando R$ 147 milhões de 47 agricultores e fazendeiros por terem provocado degradação ambiental na região. “Ou eles pagam ou recuperam os 26 mil hectares que foram degradados. Ou seja, eles estão encurralados e tentam agir de qualquer forma”.

O chefe de Serviço, Gestão Ambiental e Territorial da Fundação Nacional do Índio (regional de Ribeirão Cascalheira), Alexandre Abreu, reforçou que a maioria dos incêndios provocados na região são criminosos. Ressaltou que o órgão tem feito tudo que está ao alcance para conter a ação. Uma das medidas foi a criação da Brigada de Incêndio, que atua dentro da reserva desde o ano passado. Mas salienta que esses tipos de incêndio são difíceis de evitar. “Sabemos que os incêndios são criminosos, mas não podemos afirmar qual seria a intenção”.

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