RIVA: “O TAQUES TEM VíCIOS E NãO é DIFERENTE DE NINGUéM"
28.07.2014

Após vinte anos atuando como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e tendo anunciado o fim de sua carreira política, José Geraldo Riva (PSD) surpreendeu a população – e seus aliados e adversários políticos – ao anunciar a sua candidatura ao Governo do Estado.

Com base consolidada no Interior do Estado, mas rejeição em Cuiabá, Riva mostra otimismo no confronto contra Pedro Taques (PDT) e o Lúdio Cabral (PT).

“Nós podemos crescer e decidir essa eleição no primeiro turno. Mas, se tiver o segundo turno, isso não nos preocupa”, disse.

"A minha candidatura surgiu porque quero ser uma alternativa a um possível governador sem experiência e vivência política no Interior (Lúdio) ou de um governador que vai ser mais polícia que gestor (Taques)"


Seu principal embate, ao que tudo indica, será será com Taques que, com um discurso pela moralidade, afirma que o deputado, réu em uma centena de processos judiciais, é "ficha-suja".

Riva rebate, e diz que é "perseguido" pelo adversário, desde quando este era procurador da República. "Ele já tinha projeto político e me usou para se projetar. Mas a sociedade verá que Taques é igual a todos os políticos que estão aí”.

“A sociedade vai perceber que o senador Pedro Taques não é diferente de ninguém. Aliás, ele tem tanto, ou mais vícios, que outros políticos, porque é uma pessoa que começou sua primeira campanha fraudando ata e omitindo despesa em sua declaração à Justiça Eleitoral", disse. 

"Por exemplo, eu ainda quero entender qual o avião supersônico que o senador Pedro Taques utilizou, em sua campanha ao Senado, em 2010, para voar esse Estado inteiro em menos de 8 horas, como ele declarou. Ou é um supersônico, ou é caixa 2, coisa que ele sempre disse que combateu”, criticou

Se eleito, Riva promete realizar um “choque de gestão” em Mato Grosso, descentralizando as secretarias e resgatando a relação do governo com o interior do Estado – onde, aliás, está concentrada a maior parte da sua força política. Além disso, afirma que, caso vença, esse será seu último desafio antes de encerrar a carreira política.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

– Nos últimos meses, o senhor vinha anunciando o encerramento da sua carreira política. Hoje, o senhor é candidato ao Governo. Por que tomou essa decisão?

Riva – A minha candidatura surgiu porque a minha base e o Estado de Mato Grosso reclamou muito para que eu não deixasse a população nas mãos ou de um governo sem experiência no Executivo, e sem vivência política no Interior, [se referindo a Lúdio Cabral], ou de um governador que vai ser mais polícia que gestor [sugerindo Taques], e que trouxe sérios problemas ao Estado. Por exemplo, só não avançamos na questão das hidrovias porque fomos impedidos pelo então procurador Pedro Taques. Existe uma preocupação muito grande da população com o tipo de governo que nós podemos ter com ele. E todos conhecem meu modelo municipalista, minha ação pelas cidades de Mato Grosso e minhas intenções em relação ao Estado. Eu realmente não pretendia ser candidato a deputado. Mas o governo é um desafio para mim. Eu, pelo que passo, e passei na Assembleia, o que eu passo com essas centena de processos, que eu não tenho nenhum constrangimento de falar, porque eu não roubei e não desviei dinheiro algum. Quem acompanhou isso sabe que essa é uma grande oportunidade de eu fazer um resgate, fazer um grande trabalho como eu fiz como prefeito. Fui prefeito por seis anos, não tive nenhum processo durante esse período. Considero que fui um bom executivo, em que pese eu ter encerrado o meu mandato depois de seis anos, com 29 anos de idade. Acho que a minha experiência pode ajudar Mato Grosso. A minha capacidade de entender esse Estado, as suas desigualdades e diferenças, podem ajudar a fazer um governo mais justo e mostrar que, mais do que fazer obras, eu sei cuidar de gente. E cuidar de gente é investir na saúde, na área social, na educação de qualidade, na universidade pública, e eu vou procurar fazer aqui.

– A demora no anúncio da sua candidatura incorreu em algumas complicações na busca por aliados, porque muitos partidos já estavam comprometidos, e também no seu tempo de propaganda política na televisão. Passado esse primeiro momento, como está hoje a sua campanha?

Riva – Eu já havia anunciado que ia parar, e isso era verdade, portanto, agora eu não poderia cobrar uma aliança melhor. Aliás, acho que consegui muito. Não tenho do que reclamar. Até porque eu acho que esse pouco horário na televisão não é o que vai atrapalhar a minha candidatura. Assim como eu acho também que a minha candidatura era um anseio muito grande. Prova disso é que em vinte dias nós chegamos a 20 pontos nas pesquisas. Isso é algo considerável para alguém que disse, reiteradas vezes, que não seria candidato. A questão de não querer mais ser deputado estadual é porque eu não tenho mais desafios na Assembleia. Já fui presidente, 1º secretário, e, como deputado estadual, fui sobrecarregado porque tive votos nos 141 municípios e ninguém daria conta de atender as demandas de todo o Estado. Era preciso buscar novos nomes, mais regionalizados.

Tony Ribeiro

Riva promete encerrar carreira política em dezembro deste ano, caso não seja eleito

– Como está sua campanha? Será uma campanha cara? O senhor arrecadou quanto até agora.

Riva – Acho que tenho condições de fazer uma bela campanha, ao contrário do que muitos pensam, com muita dificuldade financeira. Não vou fazer campanha cara. Tem gente que acha bonito falar que está gastando dinheiro. Eu não gastei até agora, não arrecadei porque o único gasto que estou tendo é com avião para viajar para o interior e aqui em Cuiabá, andando. Agora que estou contratando o meu marketing.  Mas acredito que no dia 5 de agosto seja possível colocar a campanha na rua. Eu acredito que ao longo dos anos consegui construir uma base muito sólida, que faz com que eu tenha muitos adeptos, correligionários e amigos em todos os partidos. Você não tenha dúvida de que eu vou receber apoio de membros do PDT, do DEM, do PMDB, do PR, do PC do B e até do PT, por causa das relações que eu construí. Eu não gosto de fazer política excludente. Você tem que aproveitar o que é bom de todos. 

- O senhor enfrenta problemas na Justiça, com mais de cem processos. Isso atrapalha?

Riva – Eu não sou bandido. Infelizmente levo a pecha por conveniência política de adversários que sempre me viram como um inimigo em potencial. Todos os momentos em que eu tive a oportunidade de ter uma candidatura maior, eu fui atacado. E não foi diferente agora, e não será diferente. Até porque já ouvi gente falando que ‘se o Riva crescer, aí o candidato tal, que tem muita força junto à Procuradoria da República, vai pra cima dele’. Eu não tenho preocupação com isso. Eu sempre fui um homem de negócio, a maioria dos cidadãos me conhece, sabe que sou destemido, não nasci político – me tornei um. E uma coisa é certa: eu tenho data para encerrar a minha vida pública. Ou é agora em 31 de janeiro de 2015, quando encerro meu mandato como deputado estadual, ou será no dia 31 de dezembro de 2018, quando encerrará o meu mandato.

- Qual seria a principal característica de um governo do senhor?

Riva - Eu diria que um governo mais humanizado. Eu acho que é importante você ter um governador que saiba fazer obras, você precisa ter um gestor que se preocupe com os programas sociais, com a geração de emprego e renda, com a saúde e a educação do seu povo. E eu aprendi a fazer isso. Ao longo desses 20 anos como deputado eu me preparei e me acho com condições de fazer um grande governo, além de fazer um resgate da minha história.

 

"Não gosto e não quero fazer uma campanha de ataques. Pelo contrário, vou fazer uma campanha propositiva"

– Numa leitura superficial, a análise é de que o senhor teria uma certa vantagem no Interior, ao contrário dos seus dois principais adversários, que teriam uma base mais sólida na Baixada Cuiabana e brigariam, diretamente, pelos votos nessa região. O senhor admite que tem problemas e rejeição em Cuiabá? 

Riva – Com certeza tenho rejeição aqui. Mas também tenho muitos aliados. Porque alguém que começou no dia 1º de julho e no dia 5 de julho tinha 4% de aprovação em Cuiabá, e hoje eu cheguei a 12%, já mostra que eu tenho uma relativa força aqui também. No interior, as pesquisas internas mostram que eu tenho vantagem em mais de 30 municípios. E há outros aspectos também, como as minhas ações pelos municípios. Não gosto e não quero fazer uma campanha de ataques. Pelo contrário, vou fazer uma campanha propositiva, com propostas e ideias. Estou fechando o meu Plano de Governo e quero trabalhar em cima disso, mostrar parar a sociedade que eu posso fazer uma grande transformação com a minha experiência, dedicação e força política. Costumo dizer que eu seu trabalho muito na Assembleia, que como todos sabem eu chego às 6 horas, se for preciso chegar às 5 horas, vamos chegar, sem problema algum. Eu vou me dedicar, me entregar a esse Estado por quatro anos. E, logicamente, que tenho dificuldades, mas meus adversários também têm. 

- Quais, por exemplo?

Riva - O Pedro Traques é senador há quatro anos e, em todos os municípios que eu passo, pergunto: quais as ações do senador Pedro Taques aqui?. São raros os cidadãos, nos mais variados municípios, que sabem citar alguma ação efetiva do senador. A sociedade não quer mais discurso, quer ações, trabalho, obras... E também existe uma grande contradição. Ele, antes, abominava emendas parlamentares. E hoje vive prometendo que vai levar emendas aqui ou acolá. Eu, pelo contrário, sempre fui muito claro nas minhas colocações. Acho que os municípios do interior, nesse atual modelo de gestão, precisam de emendas. O que nós precisamos é mudar o modelo. Infelizmente, o Senado não fez nada para mudar, para revisar esse modelo de Pacto Federativo. Não vamos ficar no discurso. O que podíamos fazer para descentralizar, como é o caso do Fethab, nós fizemos, ao contrário do Congresso Nacional que, infelizmente, não teve coragem de enfrentar isso.

"Eu não pretendo atacar. Vou utilizar o meu horário para falar do meu programa de governo. Mas, quando for atacado,  vou procurar responder à altura. Mas acho que a sociedade não merece uma campanha agressiva"


–  O senhor acredita em uma campanha de dois turnos?

Riva – Eu acho que muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte. Mas, particularmente, eu acredito na minha vitória no primeiro turno. Vou trabalhar com essa possibilidade. Nós podemos crescer e decidir essa eleição no primeiro turno. Mas, se tiver o segundo turno, isso não nos preocupa.

– Se houver um segundo turno, o senhor teria uma preferência em enfrentar o Taques ou o  Lúdio?

Riva – Não tenho preferência. Acho que é a sociedade, o eleitor é quem vai escolher. Seja quem for o candidato, nós vamos disputar a eleição e mostrar que a nossa proposta pode mudar a história desse Estado. Vamos transformar esse Estado com ações simples e determinadas. Falta aos governantes brasileiros coragem para fazer as mudanças necessárias. Falta determinação para entender o Estado, suas desigualdades, seus problemas, uma leitura permanente do que acontece no Estado. E eu tenho essa leitura graças ao conhecimento que adquiri ao longo desses 20 anos.

– O senhor espera uma campanha agressiva?

Riva – Eu não pretendo atacar. Vou utilizar o meu horário para falar do meu programa de governo, das minhas ideias. Mas, quando for atacado, logicamente, vou procurar responder à altura. Mas acho que a sociedade não merece uma campanha agressiva, não merece ligar sua televisão para ouvir ataques. A sociedade quer algo diferente e eu pretendo pelo menos tentar fazer uma campanha o mais limpa possível. Uma coisa boa é que a sociedade vai poder olhar no olho de cada candidato, avaliar suas ações, seu comportamento e decidir quem é o bem e quem é o mal. A sociedade é quem vai fazer a sua avaliação, com base em propostas, em ideias. 

– Então o senhor pretende adotar uma linha "paz e amor"?

Riva – Não. Eu vou ser o Riva de sempre. Na hora que achar que tenho que contra-atacar, rebater uma crítica, vou rebater. E vou continuar com o meu comportamento como sempre foi. Não tenho que mudar, ser nenhum ator. Sempre tive sucesso politicamente sendo o Riva que sempre fui. Isso foi o que me levou a condição de ser o deputado mais votado de Mato Grosso em quatro eleições seguidas e o mais votado do Brasil por três vezes seguida na proporcional. Ou seja, vou continuar sendo o Riva que sempre fui, fazendo minha política de corpo-a-corpo, fazendo os enfrentamentos que achar que tenho que fazer. Naturalmente, não serei o primeiro a atirar pedras. Mas a sociedade vai entender quando eu tiver que fazer os contra-ataques aos ataques sorrateiros que eu sofrerei.

– O senhor enfrenta agora uma batalha pelo registro de sua candidatura, já que há pedidos pela impugnação. Qual a sua expectativa? 

Riva – A minha expectativa é de que haja justiça. Acredito no que está aí posto, que diz que a inelegibilidade se dá com três requisitos numa condenação em uma ação de improbidade. Eu acompanhei isso tudo de perto, tive o cuidado de consultar muitos juristas renomados e todos me garantiram que a minha condição é de elegibilidade por não estar presente cumulativamente os três requisitos: dolo, enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário. Eu acredito nisso. Não sei de que forma isso será recebido pelos julgadores, mas tenho confiança de que a minha candidatura possa ser registrada, ou aqui ou em Brasília. Só me prontifiquei a ser candidato depois de fazer uma ampla consulta a pessoas renomadas, que já foram ministro do TSE e que me disseram que a minha candidatura não seria nenhum absurdo jurídico. Pelo contrário, absurdo jurídico seria negá-la sendo que está muito explícito que teria que estar presente os três requisitos. Acredito nisso e já me acho um vitorioso.

– Mas essa incerteza quanto o registro atrapalha, ou não?

Riva – Sim, claro. O senador Pedro Taques afirma com muita convicção que eu não vou me registrar. E ele, que está no Senado e conhece a lei, deveria saber que a previsão do registro, para quem não tem os três requisitos que eu citei, é perfeitamente possível. Logicamente, ele espera que eu não registre mesmo, porque se eu registrar, ele terá um adversário muito forte pela frente. Ele sabe, inclusive, que nós vamos ganhar essa eleição no primeiro turno. Ele deveria querer esse registro para que possamos fazer esse embate no debate eleitoral. Em que pese o horário eleitoral ser amplamente favorável a ele, porque eu terei a metade do tempo, eu tenho certeza que a minha metade vai ser mais do que o tempo que ele tiver, porque eu vou usar esses minutos para apresentar as minhas propostas. Ele sabe que tem que combater o registro da minha candidatura para não perder a eleição.

 

Riva avalia que prisão durante a Operação Ararath não atrapalha sucesso nas eleições

– O jurídico do senhor pediu a proibição da divulgação de uma pesquisa recente do Vox Populi. Porque?

Riva – É uma pesquisa que não representa a realidade. Ela pode ter sido manipulada, pode ter sido fraudada, pode ter sido apenas um erro. Mas ela não expressa a realidade. Disso, eu tenho certeza.

– O senhor foi preso na Operação Ararath. Isso lhe preocupa, neste período eleitoral?

Riva – Minha prisão foi arbitrária. O ministro do Supremo Tribunal Federal deixou claro que foi induzido a erro pelo Ministério Público. É lógico que ninguém gostaria de passar pelo constrangimento de ser preso, mas a sociedade mato-grossense sabe as condições em que eu fui preso. Sei que vou ser atacado, sei que tem represálias e que tentam criar a figura da ameaça, mas a procuradora [Vanessa Scarmagnani, do MPF] foi no mínimo maldosa comigo, pois sugeriu ao STF que eu estaria sem mandato. É só ler a decisão do ministro que vão ver que ele foi induzido ao erro. E naturalmente que isso tinha por objetivo me prender. Mas eu vou enfrentar isso de forma muito transparente. Até porque, se você for buscar na Operação Ararath, vai ver que da mesma forma que há envolvidos do lado daqui, também há envolvidos do lado do senador Taqies. Acho que todos vão se sentir constrangidos com isso. Agora, infelizmente, esse tipo de ataque na campanha, de querer usar minha prisão, não vai acrescentar nada para a sociedade. A população sabe disso, faz uma leitura de que esses exageros podem acontecer com ela. Imagina você ter um governador como o Taques, que fomentou durante muito tempo a prisão de empresários? Essa procuradora tem proximidade com o senador Pedro Taques. E de repente, você é preso por causa de um erro, uma indução, na frente dos seus filhos? O cidadão também olha pra isso e se enxerga dessa forma. Eu já vi tantas pessoas serem presas de forma injusta que eu nem tenho direito de reclamar. Eu vi pessoas injustiçadas nesse Estado serem presas e depois soltas e nunca mais recuperarem sua autoestima, mesmo não tendo nada comprovado judicialmente contra elas. Eu agradeço muito a Deus por me dar preparo psicológico para enfrentar isso. Eu acredito que saí dessa situação mais fortalecido e costumo dizer que tudo que acontece na sua vida, por mais sacrifício que lhe imponha, se lhe fizer melhorar, valeu a pena. Não vou dizer que valeu a pena ser preso, mas valeu a pena eu ter conhecido o outro lado e ter saído de lá um cidadão melhor.

"Eu fui alvo de um procurador que queria ser senador e que, agora, quer ser governador. Amanhã ou depois, se atravessar alguém na frente dele, e se ele tiver oportunidade, ele pode fazer o mesmo que fez comigo"


Embate com Taques

– O senhor teme um enfrentamento direto com o senador Pedro Taques?

Riva – Não, de forma alguma. Eu respeito o senador como cidadão, como ser humano e acho legítima a pretensão dele de querer ser governador, em que pese ele ter dito sempre, publicamente à sociedade, que cumpriria todo o seu mandato. Mas todo mundo tem direito de voltar atrás, assim como eu disse que não seria candidato e resolvi ser. Acho que todos nós temos pontos fracos e fortes. Reconheço que não sou um cidadão perfeito, assim como ele não é. Agora, o ruim não é você ser imperfeito. O ruim é você achar que está acima de tudo. Eu nunca me achei acima de tudo. Sempre me achei um ser humano imperfeito, mas sempre procurei fazer o melhor pela sociedade. Eu até espero ser atacado, principalmente de maneira sorrateira, como já tenho sido. Mas isso não me preocupa. A sociedade me conhece. Estou nesse Estado há quase 36 anos. Essas ações, quando surgiram na Assembleia, as pessoas conheciam a situação da Assembleia e sabe do que nós fazemos lá. Lógico que essa foi uma estratégia jurídica de pegar um processo e fazer virar 100. 

- O senhor quer dizer o quê exatamente?

Riva - O Ministério Público abriu uma ação para cada empresa que forneceu para a Assembleia. Poderiam ser oito ou dez processos. Mas fizeram isso para me constranger, para me prejudicar. Dizem que houve desvio de dinheiro. Então, para onde foi esse dinheiro? Está onde? No exterior? A Receita Federal fez uma devassa na minha vida e não encontrou nada.

"Eu afirmo, com convicção, que a senadora Serys fez, em um ano de mandato, mais do que o  Taques fez em quatro anos. Ele não cumpriu seu  compromisso com a sociedade"

– Mas houve cheques trocados em factorings.

Riva – Naquela época, quando eu cheguei na Assembleia, a maioria das empresas recebiam e iam operar com as factorings. A verdade é que havia um foco. O foco era atingir a mim, à Assembleia Legislativa e o saudoso governador Dante de Oliveira. Basta você buscar nos arquivos que você vai constatar isso. Mas esse é um mal que, infelizmente, nós temos aqui no Brasil. Qualquer promotor de Justiça, ou procurador que quiser virar político, vai procurar como alvo aquele que pode ser sua ameaça. Eu fui alvo de um procurador que queria ser senador e que, agora, quer ser governador. Amanhã ou depois, se atravessar alguém na frente dele, se ele tiver oportunidade, ele pode fazer o mesmo que fez comigo. É preciso a sociedade avaliar isso.

– Mas essa tese não soa como "teoria da conspiração"? 

Riva – De modo algum. Desde aquela época o Taques já tinha o sonho de ser político. Ninguém pensa um projeto político e começa no mesmo dia. Esse projeto de virar político nasceu há muitos anos atrás e a forma que ele tinha era escolher quem seria ameaça - e se projetar em cima. Porque quem não era ameaça, foi protegido. Nós temos casos disso. Eu não vou citar nomes, porque o senador Pedro Taques falou uma coisa interessante. Ele disse que a sociedade conhecia a ele e a mim. Eu tenho que certeza que a mim ela conhece. E ele, a sociedade vai conhecer nos debates, na campanha. As pessoas vão saber diferenciar e ver as coisas que fiz por esse Estado. O senador chegou a ir à minha cidade e fazer um comício, há quatro anos, para dizer que estava sendo ameaçado e que corria risco de vida, sem nunca ter sido ameaçado. As pessoas que me conhecem sabe que eu sou incapaz de fazer isso. Isso tudo é politicagem barata. Eu nunca fiz esse tipo de política e não preciso fazer. A minha política é de ação. Não tem um único município do Estado que não tenha sido beneficiado com uma ação minha. Ao contrário desses políticos que tentam me atacar e se eleger no discurso. É muito fácil fazer campanha com discurso. Quero fazer campanha trabalhando. Eu sou um político que sento atrás de uma mesa e atendo 150, até 200 pessoas num dia. E eu fiz isso a vida inteira. E essas pessoas reconhecem isso.

"Eu acho que nós não temos o direito de execrar ninguém, se não depois da investigação concluída, do julgamento. Assim como eu não posso ser execrado, mas sou, de forma muito injusta e veemente"

– Qual avaliação o senhor faz do senador Pedro Taques?

Riva – Eu afirmo, com convicção, que a senadora Serys Slhessarenko fez, em um ano de mandato, mais do que o Pedro Taques fez em quatro anos. Ele não cumpriu seu  compromisso com a sociedade. Aponte uma iniciativa do senador Taques que melhorou a vida da população nesses quatro anos? Eu não conheço. Ele não cumpriu com seu papel de senador e agora quer tentar ser governador? Eu espero evitar isso. E acho, também, que ele não constrói, só ataca. Eu já vi vários discursos dele, de 30 minutos, sem apontar um único projeto, um único programa, uma única ação. Só de ataques. E isso não leva a nada. Acho que todo tem o seu conteúdo. Eu respeito todo e qualquer cidadão na sua atividade. Agora, com certeza, é muito mais fácil se projetar politicamente atacando, colocando as redes sociais para atacar. Aqui em Cuiabá gente tem um canal de televisão que é um comitê do senador, e que passa 24 horas do dia me atacando. Felizmente, eu acho que quase ninguém assiste. Mas a pessoa que se presta a esse tipo de coisa, a crescer politicamente atacando, a sociedade deve tomar cuidado, porque a vítima, um belo dia, pode ser o cidadão que lê está entrevista. Você imagina o risco que o cidadão corre com uma pessoa com esse perfil no comando do Estado. É um risco para a sociedade. Eu não quero me colocar acima do bem e do mal. Sou um ser humano e cometo erros. Mas os meus erros sempre foram na intenção de acertar.

– Mas o Pedro Taques é o líder nas intenções de voto. O senhor acha que a maioria pensa assim?

Riva – Muitos ainda não pensam assim, porque não o conhecem suficientemente. É no mínimo suspeita a forma como ele faz política. É só olhar, por exemplo, dessa traição que levou o senador Jaime Campos a renunciar ao seu projeto de reeleição. O Taques o traiu, o desprezou. Isso é inconcebível. A pessoa que trai assim, pode trair a própria sociedade, o eleitor. Porque a maior virtude de um cidadão é saber assumir as coisas. Se eu sou seu amigo, seu aliado, eu assumo você, mesmo com desgaste? Mas o Taques é o tipo de pessoa que deixa um amigo de lado por conveniência política. Os recentes episódios mostram isso. O senador Jaime Campos, que é um homem respeitadíssimo, que nunca perdeu uma eleição e que já foi prefeito, governador e senador, se viu, de repente, traído. Por quê? Porque alguém temia assumir a candidatura do Jaime e ficar manchado? A pessoa tinha que se orgulhar de ter uma pessoa como Jaime em sua chapa. O Taques age só por conveniência. Um exemplo é ele deixar o mandato de senador agora, na metade.

 

"A senadora Serys [Slhessarenko] fez, em um ano de mandato, mais do que o Pedro Taques fez em quatro anos"

– Mas ele negou, em entrevista ao site, neste espaço, que esteja usando o mandato como trampolim.

Riva – Mas vai negar mesmo, é claro. Mas a sociedade vai percebendo que o senador Pedro Taques não é diferente de ninguém. Aliás, ele tem tanto ou mais vícios quanto outros políticos, porque é uma pessoa que começou sua primeira campanha fraudando ata e omitindo despesa em sua declaração. Por exemplo, eu ainda quero entender qual o avião supersônico que o senador Pedro Taques utilizou, em sua campanha ao Senado, em 2010, para voar esse Estado inteiro em menos de 8 horas, como ele declarou. Ou é um supersônico, ou é caixa 2, coisa que ele sempre disse que combateu. Então, ele já mostrou que não é diferente. Aos poucos a sociedade vai entender que o senador é igual a todos os políticos que aí estão. E com certeza, no decorrer da campanha e nos debates, vão surgir coisas novas e a sociedade vai passar a conhecer.

"Eu acho que o Lúdio é uma boa pessoa, mas acho que ele não tem experiência suficiente para enfrentar os problemas que esse Estado tem."


Avaliação do Lúdio


– Qual avaliação o senhor faz de seu outro adversário, o candidato Lúdio Cabral?

Riva – Eu acho que ele é uma boa pessoa, mas que não tem experiência suficiente para enfrentar os problemas de Mato Grosso. Eu me acho mais preparado. Acho que o Lúdio ainda vai se tornar uma grande liderança. No meu ponto de vista, ele deveria disputar um mandato de deputado e, assim, ser muito útil ao Estado. Mas eu tenho o Lúdio como um bom ser humano. Mas creio que a sociedade quer um governador com um perfil diferente, com experiência e coragem para tomar as decisões que precisam ser tomadas. E não acredito – com todo o respeito que tenho pelo Lúdio Cabral e mesmo o reconhecendo como uma pessoa do bem – que ele tenha condições de resolver os gargalos desse Estado.

– O Lúdio é o candidato do atual governador. O senhor acredita que, de alguma forma, ele será beneficiado pelo peso da máquina pública?

"Eu não acho que o governador Silval Barbosa mostra disposição para entrar de cabeça nessa eleição, nem na minha, nem na dele [Lúdio], nem da ninguém"

Riva – Com certeza, porque a máquina pública influencia. As ações de governo, de uma forma ou de outra, acabam se revertendo a favor do candidato ao governo.

– Por conta do apoio do governo, ele também pode sofrer um desgaste durante a campanha?

Riva – Eu não acho que o governador Silval Barbosa mostra disposição para entrar de cabeça nessa eleição, nem na minha, nem na do Lúdio, nem da ninguém. Sei que no que ele puder ajudar, ele vai, porque é um homem de compromisso. Mas todo e qualquer governo tem seus desgastes e isso também vai pesar contra a candidatura do Lúdio.

Propostas

– Caso se eleja governador, quais seriam as três principais áreas que o senhor priorizaria desde o primeiro dia?

"A prioridade um é fazer um choque de gestão nesse Estado, para deixá-lo preparado para crescer"

Riva – A prioridade um é fazer um choque de gestão nesse Estado, para deixá-lo preparado para crescer. Não adianta você achar que vai transformar a saúde, educação e a infraestrutura se você não diminuir o tamanho dessa atividade de meio. Choque de gestão não consiste apenas em fazer enxugamento. A nossa intenção é fazer uma descentralização desse Estado. Eu vejo com muitos bons olhos o modelo de Santa Catarina. A criação de uma Secretaria de Desenvolvimentos Regionais do Norte, do Sul, do Oeste e do Araguaia seria importante para aproximar mais a população dessas regiões do governo e para fazer o governo mais presente fisicamente e concretamente nas ações. Mas, num Estado mal planejado, vamos ter dificuldade de fazer choque de gestão. Vamos ter que ter pessoas preparadas para enfrentar isso. Nós estamos preparados e vamos buscar secretários que tenham esse perfil.

A segunda prioridade será resgatar os órgãos de governo, que estão sucateados. Esse Estado não pode pensar em novas obras sem pensar no resgate desses órgãos, como, por exemplo, a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Indea, a Empaer, o MT-Hemocentro. O cidadão que entrar em um órgão público tem que se sentir bem, num espaço decente, com boas condições de trabalho para o servidor. Isso tem que ser o cartão de visita do Estado. Não adianta nada você ter uma boa política salarial, e não ter condições de trabalho. Eu conheço a realidade desse Estado e nós vamos fazer isso em parceria com as prefeituras. Porque se você buscar uma parceria com os municípios você faz mais rápido, em até um ano. Imagina o Estado querer reformar os órgãos e escolas em 141 municípios ao mesmo tempo? É impossível.

A outra prioridade que deve ser tomada no dia em que assumir é na questão da Saúde. Escolhemos um vice-governador da área da saúde porque sabemos que se trata de uma área muito sensível. Quem teve a oportunidade de visitar o Pronto-Socorro sabe do que eu estou falando. Mato Grosso precisa construir um Hospital Estadual. Somos um dos três únicos estados da Federação que não conta com esse recurso. Precisamos de Hospital Estadual com pelo menos 300 leitos, com ala infantil, UTI Pediátrica e plantão odontológico, inclusive, para atender aquele trabalhador que acorda de madrugada com dor de dente e não tem a quem recorrer. Esse plantão odontológico precisa, num futuro muito próximo – eu espero –, se estender, primeiramente, às cidades de maior porte, e em seguida às demais cidades do Estado, nem que seja nos PSFs. Em seguida à construção do hospital, já precisamos realizar um concurso público para contratação de médicos e profissionais da saúde para colocar esse hospital em funcionamento.

 

"O Estado tem muitos problemas. Não para elencar apenas três prioridades"


Mas não dá para falar que vamos estabelecer apenas três prioridades, porque são muitos os problemas de Mato Grosso. 

– Quais os principais problemas?

Riva – As estradas esburacadas são um exemplo. Às vezes as pessoas leigas não sabem o quanto é barato você fazer uma operação tapa-buraco, principalmente se houver equipes trabalhando nessas estradas permanentemente. O custo é muito barato perto das vidas que perdemos. Precisamos recuperar nossa malha viária antes de fazer uma nova. Logicamente que vamos continuar com o MT Integrado, expandir o programa porque o Estado, a cada ano, recupera a sua capacidade de endividamento. Mas temos que priorizar a recuperação desses asfaltos velhos, com tem ali na região de Araputanga, Jauru, região Oeste e Médio-Norte quase como um todo, aqueles asfaltos de Brasnorte a Campo Novo, de Dom Aquino a Campo Verde. As pessoas passam ali com medo, porque se trata de um asfalto de péssima qualidade, numa estrada estreia e cheia de curvas. Precisamos investir nisso.

A Educação também é uma área de prioridade. Pretendo fazer a Unemat ser um instrumento de transformação na vida dos trabalhadores. Infelizmente, do jeito que ela está hoje, logicamente que não vai atender a 100% da demanda. Mas nós precisamos de um planejamento de forma que ela chegue até os 2,5% da receita de 2018 com uma expansão. E, a partir daí, se necessário, nós podermos ampliar esses recursos destinados à Unemat para que ela esteja presente em todos os polos, principalmente em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, porque acreditamos que assim a instituição se fortalece. A sede da Unemat continuará sendo lá em Cáceres, onde nasceu. O objetivo da Unemat continuará sendo o interior do Estado, onde existe dificuldade de chegar a universidade federal e não há outras opções.

"Você tem que olhar o Estado reconhecendo que há situações que precisam ser resolvidas, desigualdades e distorções que precisam ser corrigidas"

A Segurança também é uma área preocupante, com esses 700 km de fronteira seca que temos. Se a União continuar não cumprindo com o seu papel, o Estado tem a obrigação de buscar uma solução para isso. Não adianta ficarmos reclamando que precisamos de um efetivo quatro vezes maior na área de fronteira. A União não coloca e eu já vi umas 500 audiências de governadores que foram até o ministro e à presidente pedir que ampliasse o efetivo nessa área porque é a grande responsável pela entrada da maior parte da droga que circula pelo Estado e pelo Brasil e também pelo alto índice de marginalidade que temos no Estado. É uma conta muito fácil de fazer. O que é mais barato? O Estado bancar o aumento do efetivo nessa área de fronteira ou bancar o crime aqui dentro, o tráfico de drogas? É uma questão de opção e nós vamos enfrentar esse problema.

 – Mas o Estado chegou nessa situação por qual razão?

Riva – Mato Grosso está com problemas porque tem um erro de planejamento, que não posso dizer que foi cometido pelo governador Silval Barbosa (PMDB) ou pelo Blairo Maggi (PR), porque é uma falha que vem de muito longe. Quando o agronegócio chegou no Estado e nos transformamos no maior produtor, deveria ter se imaginado a necessidade de ampliação de leitos, de se fazer pontes de concreto, de fazer estradas de melhor qualidade. Infelizmente, isso não ocorreu. O Estado de Mato Grosso padece, assim como ocorre com o Brasil, de um modal de transporte extremamente caro. O nosso transporte rodoviário é caro não só por causa da sua característica, mas também pela qualidade das nossas rodovias. Então, temos que reabrir as discussões das hidrovias e buscar a ferrovia com saída, principalmente para o arco Norte, o que não resolveria apenas o problema de Mato Grosso, mas do Brasil, porque o arco Norte se trata da grande saída do Pacífico, principalmente depois da ampliação de capacidade do Canal do Panamá de 300 milhões de toneladas para 610 milhões de toneladas, com possibilidade de chegar a 800 milhões de toneladas. Com isso, vamos desafogar as rodovias que ligam aqui até Santos ou Paranaguá, que são verdadeiros corredores da morte. Vamos minimizar esses estrangulamentos dos Portos de Santos e de Paranaguá, que os caminhoneiros ficam dias, às vezes semanas e até mês na fila. Vamos reduzir o preço do nosso produto tanto importação quanto na exportação, viabilizar a nossa produção e nos tornar um estado competitivo. A princípio, essa ferrovia poderia chegar ao Porto de Itaqui, que está pronto para isso, e num futuro próximo, aos portos de Espadarte (PA), Barcarena (PA). Eu vejo com muita preocupação os portos de Santarém e do Madeira. Vamos ter que colocar o joelho no chão todo o ano e rezar muito para que esses portos tenham as mínimas condições de transportar parte da nossa produção, porque hoje o Porto de Santarém, num ano como esse que não foi tão ruim de chuvas, teve capacidade de fluir com pelo menos 70% da produção de Sorriso, o que é muito pouco.

"O Estado precisa dar uma resposta à sociedade, porque hoje ele não está cumprindo com o seu papel. Vi isso durante os 20 anos em que estive na Assembleia"

– Pelo o que o senhor está falando, temos a impressão que os últimos governos, nas últimas décadas deixaram de pensar estrategicamente o Estado e se acomodaram em um modelo de gestão ultrapassado, que não de conta das demandas básicas, muito menos das novas, como é a questão do agronegócio. Seria o caso de uma remodelação praticamente completa da máquina pública? É possível executar isso em um único governo, em quatro anos?

Riva – É possível. Logicamente que você tem que olhar não o governo, mas o Estado. Eu entendo que precisamos de alguém com coragem para tomar essa decisão. E um choque de gestão não acontece se você não fizer no primeiro mês, na primeira semana, no primeiro dia, nas primeiras horas de governo. Você tem que assumir o governo anunciando isso, porque se não você não faz. Começam as pressões políticas e você tem que ter convicção do que você quer para o Estado. A sociedade quer um estado mais enxuto, e que atenda a sua atividade fim, com serviços diversos. E como você chega a esse fim se hoje o Estado está lançando mão dos fundos para pagar salários? Sendo que os fundos foram criados especificamente para resolver gargalos, como o Fundo de Transporte e Habitação, o Fundo da Cultura. Temos que preservar esses fundos para políticas públicas. Como que você vai fazer política pública de Cultura em uma secretaria que não tem R$ 15 milhões de investimento em políticas de cultura durante o ano? Para ter recursos, é preciso tomar decisões duras. E essa questão do planejamento não quer dizer que os governos anteriores foram ineficientes. Cada um teve seu tempo, seu momento. Mato Grosso vive hoje um momento diferenciado, tendo se consolidado com o estado do agronegócio, e não pode ficar parado na condição de estado produtor primário. Tem que ser mais audacioso na industrialização. Temos que resgatar o minério no nosso estado, que tem capacidade de triplicar o nosso PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 70 bilhões para R$ 210 bilhões. Temos que utilizar o Turismo, que é um grande gerador de emprego e renda e que tem menos de 5% do seu potencial explorado, e o Estado menospreza esse setor. É uma área muito incipiente no nosso Estado. Temos que levar unidades de UTI para os polos de Mato Grosso. Se os Pronto-Socorros de Cuiabá e Várzea Grande estão sufocados, sobrecarregados, uma solução é termos unidades de UTI em todos os polos de Mato Grosso. Isso custa R$ 300 mil por mês para manter 10 leitos, mas é muito pouco perto do que você gasta com transferências de avião para cima e para baixo, com pacientes que morrem na estrada com traumatismo craniano ou problema cardíaco. O Estado precisa dar uma resposta à sociedade, porque hoje ele não está cumprindo com o seu papel. Vi isso durante os 20 anos em que estive na Assembleia, fiz muitas vezes esse alerta na tribuna, fui inconveniente nas discussões com os governadores mostrando essa importância, fui o responsável pelo lançamento de programas importantes.

 

É inadmissível o governador ficar 12 meses do ano sofrendo pressão e não fazer nada


Fui o responsável pela Lei do Fethab que, para mim, vai resolver um problema para o Estado. Muitos veem isso diferente e até questionam a capacidade de gestão dos prefeitos. Eu prefiro acreditar na capacidade de cada gestor e na fiscalização das câmaras municipais e da população, porque com esses recursos, os municípios vão diminuir uma responsabilidade que o Estado não vem dando conta. Não podemos olhar apenas que vamos transferir R$ 500 milhões para os municípios. Temos que olhar que vamos tirar das costas do Estado uma carga que ele não dá conta de carregar. Se você fizer as contas, o Estado tem gastado isso ou mais na recuperação das estradas, sem eficiência.

Você tem que olhar o Estado reconhecendo que há situações que precisam ser resolvidas, desigualdades e distorções que precisam ser corrigidas. Um exemplo é o funcionalismo público. É inadmissível o governador ficar 12 meses do ano sofrendo pressão e não fazer nada. O próprio servidor público quer a carreira única. Vamos instituir a carreira única, corrigir as distorções e os planos de cargos, carreiras e salários. Isso traz uma tranquilidade para o governante, que não vai correr o risco de, ao estruturar a carreira da Polícia Civil, por exemplo, ele receber pressão da Polícia Militar, ou vice e versa. Também não dá para resolver isso com uma canetada. Para implementar a carreira única é necessário corrigir as distorções. Há categorias que estão um pouco para trás e que precisam ser “puxadas”. E a partir daí você tem condições de implementar a carreira única. Porque não dá para passar o ano inteiro com servidores na Assembleia cobrando uma posição do governo, e eles estão exercendo o papel deles. Vamos enfrentar esses problemas. Porque se os enfrentarmos com competência e coragem, reduzimos as cargas sobre os nossos ombros no decorrer do mandato.


– Que análise o senhor faz do governo Silval Barbosa?

"O governador Silval se distanciou um pouco do interior, não só fisicamente, mas quanto com políticas públicas"

José Riva – Não podemos diminuir as conquistas do Governo Silval, que, diga-se de passagem, foi uma gestão que teve muita sorte em buscar os investimentos que buscou, como o MT Integrado, em que pese se tratar de um financiamento e nós estarmos utilizando a nossa capacidade de endividamento, não é qualquer governador que conseguiria isso sem ter uma boa articulação política. O mesmo ocorre com os programas de pontes, programa habitacional, as obras da Copa – em que pese as críticas, sinto que houve uma grande mudança na Capital –, o VLT – cuja implantação enfrentamos diversos debates para fazer prevalecer o melhor modal de transporte de massa para Cuiabá. Mas também não podemos negar que o governo padece de uma doença crônica, que não se pode culpar apenas o governador Silval, que é o problema de gestão. Nós estamos um secretariado com quem o governador teve sérios problemas. Nós poderíamos ter tido um secretariado mais comprometido, mais presente no Estado, com algumas exceções. O Estado de Mato Grosso é muito grande e está aí a importância da descentralização. Não vamos aumentar secretarias, vamos reduzir. Nós tivemos outro sério problema de gestão, por falta de planejamento, que foi quanto à realização dos orçamentos das pastas. O secretário que tentou ser eficiente sofreu muito. Como exemplo eu cito o Chico Daltro, que fez uma política municipalista em sua pasta, assinado convênios com aproximadamente 130 municípios, e que teve muita dificuldade de realizar o orçamento que estava na sua pasta. O governo também errou ao não fazer o enfrentamento na Saúde na hora certa, quando viu que as OSS [Organizações Sociais de Saúde]não deram certo em algumas localidades, não tomou atitude de fazer as mudanças imediatamente. Não podemos generalizar, porque eu sei que em Rondonópolis a situação vai relativamente bem, mas na maioria das cidades isso não ocorreu.

 

"A política de comunicação do Estado foi ruim, foi falha", avaliou Riva

– E o governo também pecou na assistência ao Interior?

Riva – O Estado esteve um pouco ausente do interior. O governador Silval se distanciou um pouco do interior, não só fisicamente, quanto com políticas públicas. Algumas regiões sofreram, como é o caso da região Noroeste, que chegou a ficar isolada durante alguns meses, no período da chuva, por causa de uma ponte de 120 metros. Houveram outras situações também. Ao assumir, teremos que enfrentar isso e planejar melhor o Estado, fazendo o que podemos. Então, o governo teve problemas de gestão. Não dá para negar. Mas também houve coisas boas. O ruim de um governo é que as coisas ruins, por menor que sejam, vão sempre suplantar as coisas boas feitas. Se de dez ações suas, nove forem boas e uma ruim, a ruim vai se sobressair.

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