FUNCIONáRIOS SOFREM COM ATRASO DE SALáRIO
30.07.2014

Salários atrasados, mercadoria em troca do pagamento, advertências por reclamação e desconto no vencimento, além da desinformação sobre o futuro da empresa. Funcionários do Grupo Modelo denunciam descumprimento de direitos trabalhistas e coação.

Nas 3 lojas ainda abertas em Cuiabá, muitos colaboradores olham desconfiados e poucos falam sobre os problemas internos. “Quem discute é suspenso e mandam buscar os direitos na Justiça. Eles não querem conversa”, desabafa uma das funcionárias, ao contar que a loja onde trabalha paralisou o atendimento na segunda-feira, no horário do almoço, para que um grupo de 10 colaboradores fosse advertido e suspenso por 10 dias, descontados do salário.

O receio de piorar a situação e não receber os atrasados intimida os funcionários, que reclamam ainda de serem forçados a comprar as mercadorias da rede para que os salários sejam descontados. Segundo colaboradores, cada pessoa tem um limite com base no seu salário. “A gente falou que vai pegar a mercadoria e ir lá na Cemat pagar a conta de luz. Será que eles aceitam?” O período de atraso no pagamento dos salários varia entre os funcionários. Alguns aguardam há 1 mês e outros já esperam há 90 dias.

“Ninguém fala nada do salário de maio. Eu falei. Se eu não receber, vou tirar dinheiro do caixa. Aí vocês vão chamar a polícia e eu A Gazeta. Nas outras lojas que fecharam deram baixa no funcionário e não pagaram os direitos”.

Funcionários mais antigos lamentam o encerramento das atividades da empresa, que completa 30 anos de fundação em setembro. A única esperança que restou, segundo eles, é receber os direitos porque já não se acredita mais na sobrevivência da empresa. “Estão fechando na ‘maciota’”. No CPA 3 foi assim. Eles chegam lá e fecham. Chegou um comentário pra gente que estava previsto para fechar o restante das lojas quarta-feira (30)”. Situação que não será de surpresa. Triste e pensativo, um funcionário mais antigo conta todos os dias teme pelo momento de chegar para trabalhar e encontrar as portas do supermercado fechadas.

“A gente torce para o Modelo se reerguer, mas desse jeito? O dono falou para nós que tem que comprar mercadoria. Diz: vocês podem esperar. Mas sem funcionário não abre a porta e não atende”, diz outra funcionária, ao afirmar que está descrente sobre o que ouve da chefia. “Todo mundo é casado e tem filho e quer que a gente compre na caderneta”.

Por causa do atraso, a funcionária tem feito outras atividades como autônoma. “Vou viver do quê?. Passar fome em casa com meu filho? Minha sorte é que meu marido trabalha”. A relação entre os funcionários e os clientes também está estremecida. Consumidores reclamam do não recebimento dos cartões, da falta de limpeza nas unidades e do tratamento prestado pelos colaboradores. De visita por Cuiabá, onde já morou, uma das clientes do supermercado reclama da sujeita e do atendimento.

Segundo a baiana de Ilhéus, a situação dos mercados de bairro é parecida e, no caso do Modelo, ela acredita que dá sinais de que vai fechar as portas logo.

OUTRO LADO - Por telefone, o advogado responsável pelo processo de recuperação judicial do Grupo, Euclides Ribeiro, informou que desconhece as informações prestadas pelos funcionários e não acredita que estes fatos estejam ocorrendo na rede. Conforme ele, o Modelo está tentando honrar os compromissos, ao menos pagar as dívidas com os trabalhadores.

A situação do grupo se agravou quando uma decisão da Justiça determinou que todo o dinheiro pago via cartão de crédito e débito fosse transferido diretamente para um dos credores – o Banco Safra. As lojas deixaram de receber com essa forma de pagamento e as vendas diminuíram, provocando o travamento total da empresa.

De acordo com Ribeiro, o Grupo solicitou à Justiça a marcação de uma nova assembleia com os credores nos dias 13 e 21 de agosto, caso não haja quórum na 1ª data, para tratar de uma liquidação de bens de forma organizada para quitação de dívidas. ‘Discutir a venda dos bens e com o dinheiro apurado pagar os credores”, explica o advogado, ressaltando porém, que a assembleia pode aprovar, rejeitar ou modificar o plano. Ou seja, a venda pode ser aprovada, ou algum credor apresentar o interesse de comprar ou um operador investir nas lojas. A intenção é achar uma solução.

A direção do Grupo Modelo também foi procurada pela reportagem, mas não atendeu às ligações. Em entrevista ao Portal Gazeta Digital, um dos diretores negou o fechamento das lojas.

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