‘O CADáVER ATRAVESSOU O TELHADO DE UMA CASA’, RELATA UCRANIANA SOBRE QUEDA DO VOO MH17
01.08.2014

RIO — Um forte estrondo e uma coluna de fumaça preta causaram pânico no vilarejo ucraniano de Rassypne. Os moradores logo pensaram que se tratava de uma bomba. Até que passaportes, restos de bagagens e de assentos davam pistas sobre uma das maiores tragédias da História da aviação. Duas semanas após a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, comunidades próximas ao local do acidente continuam em estado de choque, relata a ucraniana Alina Zanko ao GLOBO. E o avanço dos combates entre as forças do governo e separatistas pró-Rússia elevam o temor pela segurança na área.

— Um cadáver atravessou o telhado de uma casa — conta por telefone a universitária, de 20 anos. — Sentimos muito medo. Nunca vou me esquecer da cena.

Alina mora com a família em Rassypne, uma cidade de 10 mil habitantes, a três quilômetros do local que concentra mais destroços do Boeing 777. Ela estava no trabalho no momento da derrubada da aeronave sobre uma zona controlada por rebeldes no Leste da Ucrânia, em 17 de julho.

— Inicialmente, pensamos que fosse uma bomba ou combates. Foi como uma explosão. Também imaginamos que separatistas poderiam ter abatido um avião — acrescentou a ucraniana.

Separatistas já haviam derrubado aeronaves do Exército desde a intensificação do conflito com as forças de Kiev, em março. Mas brinquedos, roupas e outros pertences de passageiros encontrados na vizinhança denunciavam que dessa vez o alvo era civil.

— Vimos corpos carbonizados e restos da aeronave espalhados por diferentes partes dos vilarejos — disse Alina.

O pânico pelo desastre aéreo, que provocou a morte das 298 pessoas a bordo, foi seguido pelo temor do agravamento dos confrontos na região. Depois de várias semanas de tentativas frustradas, um grupo de especialistas internacionais chegou pela primeira vez ao local do acidente na quinta-feira, em meio a luta entre tropas do governo e rebeldes em áreas próximas.

— Não há calma. Separatistas estão em guerra com soldados no meu vilarejo. Temo agora pela vida da minha família.

Alina relata que os confrontos chegaram a Rassypne há três dias. Nesta sexta-feira, rebeldes emboscaram um comboio do Exército perto de local do acidente, matando pelo menos dez soldados.



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