POLíCIA APURA VAZAMENTO DE 'SELFIE' DE ATIRADOR DURANTE SEQUESTRO EM HOTEL
01.10.2014

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o vazamento de “selfie” feito por um atirador de elite enquanto um homem mantinha o mensageiro do hotel Saint Peter refém na segunda-feira (29). O funcionário passou quase oito horas sob a mira de uma pistola de brinquedo e usando um colete falso de dinamites. O sequestrador se entregou no final da tarde e está preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada.

Na imagem é possível ver o policial em cima de um prédio vizinho ao qual ocorria o crime, enquanto, no fundo, um colega está posicionado com a arma. De acordo com a corporação, a foto tinha a finalidade de verificar a posição de atiradores.

“Isso é usado com fins de treinamento interno, para estudar as posições e definir estratégias em novas situações, mas não tem cabimento espalhar isso”, disse o delegado Paulo Henrique de Almeida.

Ainda segundo a polícia, a Divisão de Operação Especiais investiga o caso. O inquérito será encaminhado à Corregedoria, que deve apontar os responsáveis pela divulgação do registro e eventualmente puni-los.

Horas de pânico
Os cerca de 300 hóspedes do hotel Saint Peter foram orientados a deixar o prédio, depois que o sequestrador fez o refém e anunciou um "ataque terrorista". Foram mais de sete horas de cativeiro. Por diversas vezes, o sequestrador e o refém apareceram na sacada do apartamento, localizado no 13º andar do hotel.

O mensageiro aparecia com as mãos algemadas. Já perto do fim da ação, o sequestrador e o funcionário do hotel apareceram com os pulsos unidos pelas algemas. O mensageiro já estava já sem o colete com as supostas dinamites.

Durante todo o tempo que durou o sequestro, atiradores de elite da Polícia Civil foram posicionados em prédios próximos ao hotel e aguardavam orientação para abater o sequestrador.

Durante o sequestro, a polícia trabalhava com uma chance de 98% de que os explosivos fossem verdadeiros. A todo tempo, Souza mostrava aos policiais que estava em posse de uma arma, que também se revelou ser falsa.

Antes de se render, o homem entregou um CD com uma gravação em que pedia desculpas aos brasileiros “que foram prejudicados diretamente ou indiretamente” pela ação e contava que a arma e os explosivos não eram de verdade.

A ação, segundo Jac Souza dos Santos, foi motivada por insatisfação com o atual cenário político. “Nos tempos atuais somos insignificantes para o governo. Por isso, ele nos subestima, nos trata com total descaso."

Sequestrador armado mantém refém em sacada de hotel em Brasília; colete da vítima tem objetos cilíndricos que supostamente seriam bananas de dinamite (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)Sequestrador armado mantém refém em sacada de hotel em Brasília; colete da vítima tem objetos cilíndricos que supostamente seriam bananas de dinamite (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

O mensageiro, José Ailton de Souza, disse ao G1 estar "com a cabeça muito confusa". Ele, que mora no Novo Gama (GO) e trabalha no estabelecimento há três anos, afirma que não pretende dar detalhes sobre o caso. “Já declarei tudo à delegada”.

Segundo o delegado Paulo Henrique de Almeida, o funcionário falou em depoimento que não sabia que a arma e o explosivo eram falsos e que sentiu medo. “Ele foi claro em falar com a gente que ele ficou bem amedrontado. Disse: ‘Se eu soubesse que era falso, eu poderia até ter reagido’. Tinha policial por perto, se ele gritasse que não eram verdadeiros seria socorrido na hora.”

Cartas de despedida
A Polícia Civil encontrou três cartas na casa do sequestrador, no interior de Tocantins. Nelas, segundo a corporação, ele pedia desculpas pelo que faria e se dizia "desesperado" com o atual cenário político.

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