EMPRéSTIMOS FRAUDULENTOS EM BANCOS TIVERAM INíCIO NA GESTãO MAGGI, DIZ ÉDER
20.10.2014

Um déficit de R$ 140 milhões no orçamento do Estado ainda no primeiro mandato do ex-governador Blairo Maggi (PR) originou o pedido de empréstimos fraudulentos por empreiteiras que mantinham contratos com o governo do Estado e agora veio à tona pela Polícia Federal como amplo esquema de lavagem de dinheiro. Em depoimento a 7 promotores de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE), o ex-secretário de Estado, Eder Moraes, deu detalhes de toda a articulação montada pela equipe administrativa do Estado.

Inicialmente, Eder Moraes articulou uma delação premiada intermediada pelo promotor Marcos Regenold, no entanto, já encaminhou uma retificação de seu depoimento alegando que muitas versões dos fatos narrados não são verdadeiras.

Conforme dito por Eder Moraes em depoimento ao qual FOLHAMAX teve acesso, revelou detalhes de toda a operação financeira para impedir o governo do Estado de fechar as contas com saldo negativo. “Eu fui chamado em uma discussão na Sinfra [Secretaria de Infraestrutura] , o Luiz Antônio Pagot, o Vilceu Marchetti, Ezequiel, nessa época era presidente do MT Fomento, em 2005 para 2006, e houve ali na ânsia de se fazer obra, e a Sinfra acelerou muitas obras no Estado de Mato Grosso, muitas mesmo, e muitas não foram acompanhadas do devido processo legal, chegando a final do exercício, por volta de novembro e dezembro, verificou-se que faltava próximo de R$ 140 milhões”. 

Eder Moraes assegura que o rombo não se deu por conta de desvio de dinheiro público, mas por falta de controle financeiro na execução de projetos. “O secretário da Sinfra, que era o Pagot, ficou desesperado para tentar resolver a situação, não que tivesse cometido algo errado, até aí OK! Tocou obras, mandou fazer e na hora de fechar o orçamento as construtoras todas queriam receber e ameaçaram fazer um barulho, ir para cima do governador do Estado, do governador, da Sinfra e tal, e eui fui chamado, estive lá, olhei, fomos a o gabinete do governador Blairo Maggi e chegando lá, o Pagot colocou claramente para ele: governador, nós extrapolamos o orçamento em R$ 130 milhões e eu não tenho como resolver”. 

A partir daí, começou uma longa discussão. Maggi não estava disposto a ir atrás do governo federal em busca de liberação de dinheiro. “Fo..-se, eu não vou passar a mão na cabeça de vocês”, teria dito. 

Após muita análise, Eder Moraes apresentou uma solução que foi narrada aos promotores de Justiça. “Falei, olha governador, só tem uma saída para isso. É mandar essas empresas emprestarem dinheiro no banco, alocar esse orçamento no ano seguinte, diminuir esse volume de obras no ano seguinte, porque daí você encaixa, se tiver superávit, você aumenta as obras ou não, o governador disse resolvam quem pariu Mateus que o embale, essa foi a frase”, explicou.

Com o plano em mente, Eder Moraes deu detalhes de como se deu a execução. “Guaxe Engenharia, EBC Engenharia, tantas outras aím um rol de 40 empresas, mais ou menos, tá devendo vai ao banco, propõe-se uma operação de crédito no valor que está devendo, a Sinfra emite uma carta garantindo o pagamento, tem que ser assinada pelo ordenador de despesa e pelo secretário adjunto. Com isso, o banco vai ficar confortável de que vai receber no ano que vem. Agora, coloque que vai pagar daqui a 6/8/9 meses, porque não vamos conseguir resolver isso nos primeiros 90 dias do ano seguinte, sendo que o orçamento está fechado”.

A partir daí, tudo indica que começou a montagem do esquema clandestino de arrecadação para campanhas políticas revelado pela Operação Ararath. Conforme a Polícia Federal, funcionada assim: empresários amigos contraíam empréstimos bancários e apresentavam como garantia de pagamento da dívida precatórios ou créditos de contratos com o governo do estado — mas tudo não passava de simulação.

O dinheiro sacado no banco era repassado integralmente a alguns representantes do grupo político de Blairo Maggi e Silvai Barbosa. No fim, o governo de Mato Grosso é que acabava quitando a dívida com os bancos. A polícia descobriu que despesas de alimentação, pesquisas eleitorais e transporte de eleitores, entre outros itens de campanha, foram integralmente bancados com o dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes mato-grossenses durante mais de quatro anos.

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