ESPECIALISTAS APONTAM ESTRATéGIAS POSSíVEIS DOS CANDIDATOS NA RETA FINAL
22.10.2014

A reta final da disputa presidencial entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) deve privilegiar os ataques ao adversário e a mobilização da militância, avaliam estrategistas e analistas eleitorais ouvidos pelo G1. As duas ações já vêm sendo praticadas em comícios e atos de campanha nesta semana e, segundo eles, podem se intensificar nos últimos dias.

A última pesquisa de intenção de voto, realizada nesta segunda (20) pelo Datafolha (*) mostrouempate técnico no limite da margem de erro. No levantamento, 52% declararam preferência por Dilma e 48% por Aécio, considerando possível variação de dois pontos para mais ou para menos. Outro dado que mostra o acirramento é a rejeição, com 40% dos dizendo que não votariam no tucano de jeito nenhum e 39% falando o mesmo sobre a petista.Professor de comunicação e política da USP, Gaudêncio Torquato observa que a tática de "desconstruir" o adversário tem funcionado principalmente para Dilma, primeiro para minar as chances de Marina Silva (PSB) e agora para tentar derrotar Aécio.

"É uma campanha que objetiva mais destruir o outro que salvar a si. Se quiser vencer, o Aécio tem que reagir, você combate o outro atacando também, mandando brasa", resume Torquato.

Analista de pesquisas, o sociólogo Alberto Carlos Almeida vê como vantagem de Dilma o fato de ela ter conseguido melhorar a aprovação de sua gestão durante a campanha. A soma de eleitores que avaliam o governo como ótimo e bom passou de 32% em julho para 42%. "É um índice elevado, é algo inédito e tem um peso forte", avalia Almeida.

Estrategista de campanhas em Minas Gerais, o economista Cristiano Penido observa que o PT conseguiu aumentar a aprovação de Dilma ao juntar 12 anos do governo petista "em uma coisa só" e tentar dar a ela a "marca do social".

"O que o PSDB está fazendo é deixar isso acontecer", avalia. Para ele, o caminho de Aécio é investir na descontrução da imagem de "boa gerente" da rival e reforçar a própria imagem como o candidato "anti-Dilma", em vez de "anti-PT".

"É preciso lembrar o que fez a aprovação da presidente cair: as pessoas desacreditaram na capacidade de governar dela", diz Penido, em referência à queda de 57% para 30% na aprovação da petista após as manifestações do ano passado.

Ele acrescenta que transmitir uma imagem de "estadista" ou explorar o escândalos na Petrobras não tem dado resultados efetivos para o tucano. "Corrupção se tornou um tema neutro, ruim para todos".O consultor político Gilberto Musto, que atua em marketing eleitoral, chama a atenção para dois tipos de eleitor que ainda podem ser conquistados: o que se abstém de votar (no primeiro turno, foram 27,6 milhões, 19,3% do eleitorado) e aquele que ainda não está convicto, respondendo que talvez vote em determinado candidato – 15% no caso de Dilma e 18% no caso de Aécio, segundo o último Datafolha.


Musto diz que a militância é importante para convencer o primeiro grupo a ir às urnas e votar no candidato que defende; já os ataques são "inevitáveis" para fazer o segundo grupo a migrar para o adversário.

"Se eu estivesse coordenando, estaria trabalhando na mobilização de militantes, mobilização da opinião pública e criação de uma onda dentro do meu grupo para que vá às urnas e não deixe de votar", diz.

Professor de ciência política na Universidade Federal do ABC, Cláudio Luís Camargo Penteado, pesquisador de campanhas, diz que a tradicional forma de política, nas ruas, pode ser o diferencial nesta reta final.

"Olhando as campanhas de Dilma e Aécio, percebe-se que as estratégias de ataque são muito parecidas e estão se neutralizando. O diferencial está sendo essa mobilização, com eventos e corpo a corpo, a forma antiga de conseguir votos", declarou.

Ele considera equivocada a tática de atacar, não só por deixar as propostas em segundo plano, mas por radicalizar a postura do eleitorado. "Qualquer resultado vai ser muito apertado e vai haver questionamento da legitimidade da vitória. Um grande ódio ao PT construído nos últimos anos se somou a uma rejeição dos tucanos pelo passado. Isso não é saudável", diz.

O consultor Gabriel Rossi, especializado em campanhas na internet, diz acreditar que as duas formas de mobilização, nas ruas e nas redes sociais, devem ser combinadas. Mas lamenta a forma como os ataques têm acirrado os ânimos na internet e culpa os próprios políticos.

"Faz-se uma campanha mais para militantes do que para o eleitor médio. Aí vira uma batalha entre surdos, de militante contra militante. Ele acha que está ajudando, mas está apelando", afirmou. "Não estão utilizando a internet para o que deve ser, um ambiente de diálogo, de conversa, de convencimento e engajamento", concluiu Rossi.

(*) O Datafolha ouviu 4.389 eleitores no dias 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01140/2014.

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