CAMPO GRANDE TEM ATé POLICIAL COM DEDICAçãO EXCLUSIVA ENTRE 'EMPRESáRIOS' NO SETOR DE TáXI
31.10.2014

Para manter o controle do maior número de alvarás de taxista no verdadeiro mercado que se tornou a distribuição de permissões para explorar o serviço de táxi em Campo Grande, alguns grupos são suspeitos de distribuir alvarás entre parentes e de se apossar com procurações dos títulos distribuídos pela Prefeitura.

Os dados da Agetran (Agência Municipal de Trânsito), confirmam a concentração de alvarás no nome de poucas pessoas jurídicas e as coincidências com alguns sobrenomes. É o caso, por exemplo, dos Juliace. Maria Helena Juliace de Araújo, com uma microempresa, possui sete alvarás. Benevides Juliace Ponce, também com uma pessoa jurídica, possui mais 14 alvarás.

E a lista continua. André Juliace Araújo controla outro alvará, como pessoa física, e Eduardo Juliace de Araújo também possui um alvará, de número 117, no ponto 17. Este último, inclusive, é policial civil e teria, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, vínculo que exige dedicação exclusiva com o governo do Estado.

No ponto onde o carro de Eduardo Juliace trabalha, ninguém quer falar sobre o ‘colega‘ policial. Segundo denúncia de permissionários que teriam ‘negociado‘ alvarás com empresários, a maioria dos donos jamais se sentou atrás do volante de um táxi em Campo Grande.

Como a legislação municipal impede que uma pessoa física possua mais de um alvará, mas não proíbe que membros da mesma família tenham permissões para operar no ramo, a distribuição de permissões entre familiares teria sido, no passado, uma forma de legalizar a posse do direito de ser taxista. Esse ‘direito‘ chega a ser negociado por até R$ 700 mil.

Os ‘investidores‘, por sua vez, empregam os taxistas de verdade, que dirigem os carros, e ficam com a maior parte dos lucros das corridas. "Tem gente que arrenda o alvará por mil reais ao mês, coloca o próprio titular para trabalhar, e fica com faturamentos de até R$ 6 mil mensais livres", diz um ‘ex-dono‘, que desistiu do alvará há alguns anos, quando houve a ameaça de uma devassa para regularizar o setor.

A situação prejudica os motoristas que sonham em trabalhar como taxista sem terem de ser empregados de intermediários de um serviço que, teoricamente, deveria ser explorado mediante regulação pública com único objetivo de garantir a qualidade e competitividade.

"O atendimento dos táxis em Campo Grande é péssimo por causa dessa reserva de mercado. Não liberam mais alvarás, faltam carros nas ruas, e tem um verdadeiro cartel segurando a atividade para garantir os altos lucros", desabafa um ‘curiango‘, taxista que trabalha no carro de outra pessoa há cerca de sete anos.

“Hoje, virou um negócio de especulação e exploração dos motoristas pelos ricos que compram as permissões com conhecimento da Agetran", diz outro taxista, empregado de empresário que possui mais de 15 alvarás.

Policial ou taxista?

Casos como o de Eduardo Juliace fortalecem as suspeitas de que a distribuição de alvarás em Campo Grande se tornou um lucrativo setor de investimento. Assim como o policial civil que, pelo menos nos papéis da Agetran, também é taxista, haveria diversos titulares que usariam o título como empreendimento sem serem taxistas.

A equipe de reportagem procurou o policial que é titular de um alvará para comentar como concilia a atividade com o expediente na Polícia Civil, mas ele disse que não conversaria porque ‘não sabia com quem estava falando‘. “Não vou dar detalhes da minha vida pessoal para quem não conheço. Nem confirmar que sim ou que não”, disse.

Pela lei, é vedado a ele o exercício de funções estranhas à atividades de policial, “salvo as de ensino ou decorrente de nomeação para cargos em comissão”. A Polícia Civil confirmou aoJornal Midiamax que o permissionário é servidor público com dedicação exclusiva.

Ainda segundo o setor de Recursos Humanos da Polícia Civil, Eduardo Juliace trabalha como investigador de polícia desde 6 de fevereiro de 2002 e está lotado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro.

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