PROMOTOR PODE SER INCRIMINADO POR ATUAR COMO PROMOTOR
02.12.2014

O promotor Marcos Reginold, que está afastado do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso, pode ser "encrencado" na Operação Ararath por exercer sua função de promotor de Justiça.

 

Tudo isso porque, segundo entendimento da corregedoria do órgão, Reginold teria atuado para tentar mudar o rumo das investigações para beneficiar o ex-secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes. Reginold teria recebido Eder, em seu gabinete, e teria articulado uma reunião com a Polícia Federal em Brasília porque Eder queria entregar documentos e prestar depoimento.

 

Convenhamos, um promotor de Justiça, que não estava atuando diretamente no caso, que estava sendo conduzido por uma megaequipe composta por procuradores do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, sob a guarida da Justiça Federal nas mais diversas instâncias em razão do foro dos investigados, teria condições de mudar o rumo das investigações a partir de documentos e depoimentos de um investigado? Aliás, não é qualquer investigado.

 

Eder é "peça-chave" da Ararath porque sabe tudo que a Justiça precisa saber "do lado" do poder público, já que o delator Júnior Mendonça, contou tudo que sabia referente a parte dos envolvidos, mas andou, digamos, "meio esquecido" sobre a participação de políticos. Talvez tenha sido esse motivo que Reginold pode ter visto em Eder as respostas sobre esses envolvidos que Mendonça, o delator, não deu.

 

Mas, preferiram se apegar a uma conversa telefônica, que teria sido travada entre os dois. Ambos conversaram em tom de intimidade. Convenhamos, se um promotor público quer conquistar a confiança de um investigado para obter informações sobre um processo grandioso que envolve muita gente "pica grossa", no mínimo, deverá se aproximar dele. Isso é muito comum em investigações. É muita hipocrisia achar que o promotor iria tratar um pretenso relator com a empáfia de um juiz de corte americana.

 

Portanto, é no mínimo muito forçoso querer colar a pecha de advogado de Eder em Reginold em uma investigação tão extensa e complexa e que envolveu todo o tipo de autoridade pública, de todos os poderes. 

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