EM VíDEO, ÉDER REVELA TER ASSINADO R$ 100 MI EM NPS E GARANTE VERDADE
21.01.2015

Em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), o ex-secretário de Estado, Eder Moraes, admitiu agir como um “testa de ferro” do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e senador Blairo Maggi (PR) para contrair empréstimos milionários em factorings que totalizariam cerca de R$ 100 milhões. Conforme dito aos promotores, os proprietários das factorings exigiam garantias dos pagamentos para autorizar a liberação de empréstimos. 

Embora as notas promissórias tivessem sua assinatura, os dois ex-governadores agiriam por trás com o intuito de facilitar a obtenção do dinheiro assegurando honrar pagamentos. “Os recursos negociados em factoring eram assinados muitos pelo Eder Moraes mas a origem era assinado pelo governador. Porque o dono da factoring jamais vai emprestar ao Eder Moraes 4,5,6 milhões de reais. Ele exigia uma nota promissória mãe”, disse. 

Questionado pelo promotor de Justiça Roberto Turin se as notas promissórias que costumava assinar só constavam valores, Eder Moraes disse que as quantias nos documentos atendiam as demandas do grupo político ao qual pertenceu como secretário de Estado de Fazenda e, posteriormente, como secretário chefe da Casa Civil e secretário Extraordinário da Copa do Mundo, o que correspondeu as gestões anteriores. "Eu deixava a nota promissória ou várias que assinadas davam R$ 5, R$ 6 ou R$ 10 milhões”, disse. 

Éder Moraes citou como um dos exemplos de necessidade de movimentação financeira conseguir R$ 700 mil para mandar ao prefeito de Sinop, Juarez Costa (PMDB), por conta de um processo na Justiça Eleitoral que pedia a cassação do seu mandato. No inquérito da Operação Ararath, o ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador afastado Evandro Stábile, é suspeito de receber dinheiro para conceder decisão favorável para manter Juarez Costa no cargo após decisão de primeiro grau que aplicou a cassação de mandato. “Se falava assim, tem que arrumar R$ 700 mil e mandar para o Juarez em Sinop porque ele está f... fudido e estão cassando ele. Teve que se arrumar urgentemente, o Junior [empresário Júnior Mendonça] saiu desesperado e arrumou, eu assinei R$ 700 mil em nota promissória até vir uma do governo”, detalha. 

No depoimento bombástico, Eder Moraes ainda cita que houve emissão de notas promissórias para compra de vaga de conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), o que envolvia até empreiteiras beneficiadas com dinheiro público.  O Ministério Público já denunciou na esfera cível o conselheiro Sérgio Ricardo pela suspeita de articular a compra da vaga antes pertencente a Alencar Soares.  “Então, teve muitas situações dessa. Houve situações de notas promissórias assinadas para compra de vaga do TCE. Você está me dizendo para dizer a verdade, estou dizendo a verdade. E aí envolve alguns conselheiros, a Encomind entra numa parte disso ", disse.

Em relação as negociações com a Polícia Federal para uma eventual delação, Éder Moraes contou que criou um canal de comunicação direto com a corporação para troca de informações. "Eles mantinham contato comigo diariamente às 13h00 e 19h00 e queriam saber de toda rotina das pessoas com quem eu mantinha contato", revelou.

Embora tenha feito revelações bombásticas aos promotores de Justiça, Eder Moraes encaminhou um termo de retratação ao Ministério Público. Em recente entrevista a TVCA, o ex-secretário declarou que prestou o depoimento em um momento de emoção, pois lhe foi prometido uma vaga de conselheiro de TCE, que não se concretizou, e reiterou que não disse a verdade dos fatos.


Confira trecho do depoimento de Eder Moraes ao MPE:

 


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