EX-DEPUTADO LIGA JúLIO PINHEIRO A SUPOSTO ESQUEMA NA CâMARA
09.02.2015

O ex-deputado estadual Maksuês Leite, réu e delator do suposto esquema de desvio de dinheiro público na Câmara de Cuiabá, e que culminou na Operação Aprendiz, afirmou, que o presidente do Legislativo cuiabano, vereador Júlio Pinheiro (PTB), também possuiria ligação com suposto desvio de R$ 1,9 milhão por meio de compras simuladas de materiais gráficos. 

Segundo trecho do depoimento, obtido pelo MidiaJur, Maksuês disse que eles conversaram sobre "divisão de dinheiro".

Ao Ministério Público Estadual (MPE), o ex-deputado disse que foi procurado pelo chefe de gabinete de Júlio Pinheiro, que queria conversar sobre a adesão de uma ata da Assembleia Legislativa para contratação da gráfica Propel – Comércio de Materiais de Escritório Ltda. 

"Passados alguns dias, fui até o gabinete 

"Julio Pinheiro disse que primeiro iria levantar o dinheiro e, depois, combinaria como ficaria a divisão, ou seja, combinariam o percentual que ficaria com a gráfica e o porcentual que ficaria para a Câmara"

de Julio Pinheiro para tratar desse assunto, ocasião em que Júlio Pinheiro disse que tinha que fazer um ‘movimento‘ no final do ano de aproximadamente R$ 600.000,00, pois estava certo que a Câmara iria receber naquela época uma suplementação orçamentária que possibilitaria essa ‘movimentação’”, disse Maksuês, em trecho da delação. 

Conforme ele, o valor da adesão seria fraudado para beneficiar os integrantes do esquema.

“Julio disse que, para isso, iria fazer uma adesão à ata da Assembleia com a Ppropel, mas que, para não levantar suspeita, propôs adesão total de R$ 1.600.000,00, mas que somente seria feito o empenho de R$ 600.000,00 e que ficaria saldo de R$ 1.000.000,00 para não levantar suspeitas. Na ocasião, eu perguntei a ele como fariam o ‘movimento‘, sendo que Julio disse que, primeiro, iria levantar o dinheiro e, depois, combinaria como ficaria a divisão entre eles, ou seja, combinariam o percentual que ficaria com a gráfica e o porcentual que ficaria para a Câmara”, delatou o ex-deputado.

Além de Maksuês, também é réu na ação penal que trata do alegado esquema o ex-vereador João Emanuel, o ex-secretário-geral da Câmara, Aparecido Alves de Oliveira e Renan Moreno Lins Figueiredo e Gleisy Ferreira de Souza.

O esquema

De acordo com as investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual, o grupo realizava compras fictícias de produtos gráficos no âmbito da Câmara de Cuiabá.

O Gaeco verificou indícios de que a gráfica Propel pertencia ao próprio Maksuês Leite, um dos réus da ação, e que a empresa não possuía capacidade econômica, nem estrutura para fornecer os produtos que a Câmara encomendava.

No relatório, feito por dois contadores do Ministério Público do Estado (MPE), foi concluído que a gráfica não possuía papel suficiente para imprimir o material supostamente fornecido à Câmara no ano de 2013, durante a gestão do vereador João Emanuel (PSD).

Nesse período, a Câmara contratou junto à empresa R$ 1,655 milhão para a produção de crachás, folders, livros, livretos e cartilhas, entre outros materiais. 

O material mais caro foi a produção de 150 mil livros com atividades dos parlamentares, com 150 páginas cada, dos quais teriam sido confeccionados 136 mil. 

O relatório aponta, porém, que, ao longo de 2013, a gráfica adquiriu R$ 63.981,03 em mercadorias, incluindo a matéria-prima (papel), sendo que entre janeiro e março não houve qualquer aquisição, o que inviabilizaria a produção de impressos.

Os analistas afirmaram, ainda, não terem encontrado qualquer sinal de que a empresa tenha terceirizado a produção do material gráfico para entregar à Câmara.

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