NO AC, PAIS ACUSAM íNDIOS DE CAUSAR ACIDENTE QUE MATOU FILHA EM MT
04.02.2015

Os pais da pequena Geovana Hadad, de 4 anos, que morreu em um acidente na BR-070, no trecho conhecido como ‘curva dos índios‘, em Mato Grosso, no dia 20 de janeiro, acusam uma suposta quadrilha formada por indígenas de provocar o acidente. Os acreanos passavam férias em Fortaleza desde dezembro e faziam a viagem para retornar à capital acreana, quando a caminhonete em que estavam capotou ao desviar de um carro que seguia na contramão.

De acordo com o empresário Gilberto José Soares Hadad, de 59 anos, pai da pequena Geovana, os índios causaram o acidente com o objetivo de saquear e roubar as peças do que sobraram do veículo. "É comum esse tipo de acidente acontecer naquele trecho da estrada, os índios provocam os acidentes para saquear as peças dos veículos e em caso de caminhões para roubar as mercadorias e nada é feito. Sempre é dito que o motorista dormiu no volante. Não são só índios, é uma quadrilha", diz.

Hadad conta ainda que quando o guincho da seguradora foi até o local para buscar o veículo  vários indígenas foram flagrados dentro do carro retirando peças. Segundo ele, o carro já estava sem os pneus, bancos e painel. "Os índios não queriam deixar o rapaz do guincho retirar o carro, porque falaram que ainda tinham que tirar o chassi e o motor, disseram ainda que já estava tudo encomendado. Foi preciso tirar o carro à força ", conta.

Na foto, local do acidente e como o veículo ficou após ter peças saqueadas (Foto: Arquivo da família)Imagens mostram como o veículo ficou após ter peças saqueadas (Foto: Arquivo da família)

"O que mais dói é saber que minha filha morreu por peças de carro. Eles capotaram nosso carro para levar o que sobrasse. O pior é que nunca mais vou ver minha pequena. Não tenho nem saúde parar chorar pela perda da minha filha", diz emocionada a mãe, Ticiana Paula Castro de Souza, de 37 anos.

Os pais afirmam ainda que em Primavera do Leste (MT) todos sabem o que vem ocorrendo no trecho da estrada em que aconteceu o acidente e que por estarem coagidos não fazem nada. Segundo eles, os índios estão acima da lei, pois não podem ser presos e fazem o que querem na cidade. Além disso, eles dizem inclusive que sofreram ameaças por parte dos indígenas.

Geovana Hadad, morta em acidente, iria fazer quatro anos nesta quinta-feira (22) (Foto: Arquivo pessoal )Giovana Hadad morreu no acidente ocorrido dia 20 de janeiro (Foto: Arquivo pessoal )

"Os índios tentaram ir atrás do meu marido no hospital, depois que começou a sair nos jornais e repercutir o caso. Como tive que fazer uma cirurgia no braço em Rondonópolis, ele ficou em Primavera do Leste para esperar, mas foi preciso pedir uma escolta policial para sair da cidade. Não era mais seguro ficar lá, já que os índios passavam pela frente do hotel e acenavam. Eles queriam acabar com a vida do meu marido. É algo muito grande, estão matando gente ali e não vão parar enquanto não houver uma investigação", afirma a mãe.

O que mais dói é saber que minha filha morreu por peças de carro."
Ticiana Paula Castro de Souza

O empresário diz que pretende marcar uma reunião com os senadores do Acre e vai ao Ministério Público Federal, para ver que providências podem ser tomadas com relação ao que  vem acontecendo nesse trecho da BR-070, que segundo ele, é recorrente.

"Só no mês de janeiro foram 33 mortes naquele trecho, e uma delas foi minha filha. Eu só queria justiça, para que muita gente não morresse mais. A dor de perder um filho é a pior dor do mundo e hoje somos nós que estamos chorando, amanhã minha dor vai passar, mas outra família vai chorar e isso poderia ser evitado. Todo mundo sabe o que acontece, e ninguém faz nada", conta Hadad.

O pai da pequena Geovana pede que haja uma fiscalização rigorosa no trecho em que ocorreu o acidente. "Não é um trecho longo, tem cerca de 100 quilômetros. Pedimos também que as autoridades façam uma apuração de todos os acidentes que ocorrem naquele local, para não colocar a culpa simplesmente no motorista", diz.

"Duas coisas me dão um pouco de conforto nesse momento, a primeira é que minha filha estava dormindo na hora do acidente e eu não ouvi nenhum grito dela, e a segunda é que ela está nas mãos de Deus agora. Mas a saudade e a falta é muito grande, até que ponto vai a ganância e a preguiça de  trabalhar. Eles querem roubar e destruir a vida dos outros por dinheiro e peças de carro, eu não me conformo com isso", desabafa Ticiana.

Procurada pelo G1, a Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília, disse que ia se pronunciar sobre o assunto através de nota, porém, até a publicação desta matéria nenhum posicionamento foi encaminhado. Da mesma forma também a Polícia Rodoviária Federal (PRF), um e-mail foi encaminhado solicitando informações, mas o G1 não obteve resposta.

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