SEM CAMINHãO-PIPA, CALOUROS DA POLI-USP IMPROVISAM BANHO DE LAMA
11.02.2015

Novos alunos brincaram no gramado com sujeira da chuva de terça-feira. 
Trote teve ainda corte de cabelo e doação para entidades assistenciais.

 

SÃO PAULO - Caloura participa de trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)Caloura participa de trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)

 

 

Os veteranos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) tinham decidido cancelar o banho de lama na recepção dos calouros por causa crise hídrica. Até o ano passado, a Atlética da Poli-USP alugava um caminhão-pipa de 17 mil litros de água não-potável para criar uma piscina de lama.

Para manter a tradição este ano, os próprios calouros deram um jeito e brincaram em poças de lama que sobraram no gramado da faculdade após a chuva de terça-feira (10).

VEJA FOTOS DOS TROTES NA USP

Diante das denúncias de violência que têm surgido na Universidade de São Paulo (USP), a Escola Politécnica optou por um trote solidário. Doações de cabelos e livros chamaram atenção dos calouros e dos acompanhantes. Fernando Aguiar, um dos organizadores do evento, frisou a importância da doação de livros. "aqui na USP tem muitos cursinhos populares, e os livros arrecadados são direcionados para lá", afirma o jovem, de 21 anos.

SÃO PAULO - Calouros brincam durante trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)Calouros brincam durante trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)

Além das doações, uma tenda direcionada aos alunos LGBT também marcou presença. O veterano Ivan de Palma, de 21 anos, Faz parte do PoliPride, grupo de diversidade sexual da Poli e fala sobre a importância do grupo.

"A gente quer que todos se sintam acolhidos e que saibam que a Poli tem grupo LGBT e que estamos dispostos a ter um espaço confortável a todos e explicar que pode ou não participar das atividades do trote", diz o estudante.

SÃO PAULO - Calouros brincam durante trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)Lama de terça foi usada em trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)

Fernando acredita que o mais importante é instruir que haja respeito ao próximo. "o objetivo é um trote que não seja violento, machista e nem honofóbico, por isso há um cuidado", conta.
Enquanto os calouros faziam as matrículas, a frente feminista da Poli, PoliGen, faziam uma pesquisa com as alunas para acompanhar as abordagens dos veteranos e evitar possíveis problemas. "Nós estamos aqui para auxiliar as meninas nas questões de gênero e explicar que o primeiro ano na universidade nao precisa ser mais difícil do que já é", afirma Estela Barbachan, de 26 anos, e uma das integrantes do grupo.

SÃO PAULO - Calouros brincam durante trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)Calouros brincam durante trote na Escola Politécnica da USP (Foto: Victor Moriyama/G1)

Para Natália Leite, que também integra o grupo PoliGen, os trotes tiveram algumas mudanças em comparação ao ano passado, "algumas brincadeiras mudaram, mas o fundamental foi não ter mais bebidas alcoólicas", conta a estudante.

Estela não pensa que essa seja a solução para evitar o abuso. "O que falta é conscientização. Porque pode não acontecer no trote, mas temos festas e nelas têm bebidas. Campanhas e sindicâncias são necessárias", explica.

Pela primeira vez, a USP imprimiu e entregou 15 mil exemplares do ‘manual da caloura‘ para as ingressantes à universidade. "Isso foi o primeiro passo, foi bom", afirma Estela.

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