EDER DENUNCIA ESQUEMA ENVOLVENDO PGE SOBRE PAGAMENTO DE DíVIDA A APOSENTADOS DO BEMAT
16.02.2015

Eder denuncia esquema envolvendo PGE sobre pagamento de dívida a aposentados do Bemat

O ex-secretário estadual de Fazenda, Eder Moraes, alvo da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal em 2013, explicou em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE) como funcionou um suposto esquema que envolveria o Governo do Estado e o Instituto de Seguridade Social de Mato Grosso (Centrus). 

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Em gravação obtida pelo Olhar Jurídico, Eder garante que foi procurado pelo advogado Newman Pereira, preso em fevereiro de 2014 pela Polícia Federal, em Cuiabá, sob acusação de crimes por desvio de recursos do Instituto de Previdência Complementar, do extinto Banco do Estado de Mato Grosso (Bemat), e lavagem de dinheiro. 

“O Newman me procurou várias vezes enquanto eu estava secretário de Fazenda. Ele tem ligação muito forte com a Assembleia Legislativa. Eles me procuraram para tratar de assunto da Centrus e eu disse que tinha interesse em tirar esse entulho do Estado e resolver o problema dos aposentados do Bemat”, afirmou Eder. 



O ex-secretário de Fazenda explica ainda que a Auditoria Geral do Estado (AGE) apresentou cálculos confirmando que a dívida com o Contrus giraria em torno de R$ 23 milhões e que o advogado tentou convencê-lo de que o valor poderia chegar a R$ 80 milhões. 

“O Newman me procurou dizendo que esses cálculos poderiam chegar a aproximadamente R$ 80 milhões. Eu disse: Newman, eu não tenho como resolver. O parecer do auditor-geral do Estado, José Alves, diz que é algo próximo a R$ 23 milhões”, afirmou Eder ao MPE.

Ele cita ainda Nilson José da Silva, funcionário do Tribunal de Contas do Estado. “Nilson é um cara extremamente sério e não abre mão de um centavo dele em relação ao Bemat. Eu o procurei e ele disse: isso é um roubo, uma ladroagem, dá no máximo R$ 25 milhões, R$ 30 milhões, acima disso é gordura, é sacanagem”. 

Conforme Eder, o advogado Newman Pereira levou o processo para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e acusa os procuradores Nelson Pereira dos Santos, Jenz Prochnow Júnior e Dilmar Portílho Meira como articuladores dentro da PGE. “Os dois procuradores que trabalharam com isso é o Nelson (Pereira dos Santos) e o subprocurador-geral Jenz Prochnow Júnior. Geralmente, quem faz esses cálculos na PGE é um procurador chamado Dilmar Portilho”.

Eder continua afirmando que os procuradores e o advogado desconsideraram o cálculo realizado pela Auditoria Geral do Estado e viabilizaram “todos os apetrechos necessários para inchar o cálculo em torno de R$ 80 milhões”. 

 



Segundo o ex-secretário, uma lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa e um acordo foi fechado para que o pagamento dos R$ 80 milhões fosse em 12 parcelas. “Disso eu sei que já foram pagos R$ 13 milhões. Desse valor que foi pago, nada chegou. Eles priorizaram R$ 50 milhões, que era a maior parte que estava no cálculo, que eram os honorários”, afirmou. 

Eder conclui a acusação criticando os supostos envolvidos no caso. “Eles são tão imbecis, já que fizeram uma cagada dessas, porque não priorizaram primeiro o pagamento do Centrus”. 

Ararath

A Operação Ararath investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro - cuja estimativa de movimentação ultrapassa R$ 500 milhões – para o ‘financiamento’ de interesses políticos no Estado. Uma lista apreendida pela PF aponta que pelo menos 70 empresas utilizaram ‘recursos’ oriundos de esquemas fraudulentos de empréstimos. 

A ação policial levou para prisão Eder Moraes, uma das figuras políticas mais emblemáticas do Estado. Homem forte do governo Blairo Maggi, atuou em cargos de destaques durante a sua gestão (2003 a 2010), como secretário de Fazenda, presidente da Agência da Copa do Mundo (Agecopa), da Casa Civil e também diretor da Agência de Fomento de Mato Grosso. 

O próprio Blairo Maggi é investigado no esquema, assim como Silval Barbosa (PMDB), o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), membros do Judiciário, Ministério Público, empreiteiros e empresários supostamente ligados ao ramos da agiotagem.

Outro lado

A assessoria de imprensa da Procuradoria Geral do Estado afirmou que não vai se pronunciar sobre o caso. Já o advogado Newman Pereira não foi localizado para comentar a denúncia.
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