JOSé RIVA COMANDOU AL POR 20 ANOS E ACUMULOU PROCESSOS; PRISãO NESTE SáBADO FOI A SEGUNDA EM MENOS DE UM ANO
23.02.2015

José Riva chegou a participar da disputa pelo governo de Mato Grosso, mas foi cassado pelo TRE

José Riva chegou a participar da disputa pelo governo de Mato Grosso, mas foi cassado pelo TRE

Entre méritos políticos, avanços administrativos e uma enxurrada de processos no Poder Judiciário, a trajetória do ex-deputado José Geraldo Riva (PSD), seis vezes presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, se confunde com o exercício do poder e não possui parâmetros no Estado. A sua prisão na tarde deste sábado (21) era esperada, principalmente por adversários, desde o dia 1 fevereiro, quando perdeu a imunidade parlamentar, enquanto aliados consideram-na perseguição ou abuso de poder, por avaliarem que não existe motivação específica.

Nas últimas duas décadas, ele acumulou poder, fama e aliados com a mesma rapidez que colecionava desafetos e, principalmente, investigações do Ministério Público e processos judiciais. No ano passado, entrou na disputa para o governo de Mato Grosso pelo PSD, mas foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com base na Lei da Ficha Limpa.
  
Radicado ha quase quatro décadas  em Mato Grosso, ele é natural de Guaçuí (ES), sendo o segundo filho da prole de seis do casal Dauri Riva (in memorian) e Maria Piovani. Ele é casado com Janete Gomes Riva, com quem  tem três filhos: José Geraldo Riva Junior, Janaína e Jéssica. E possui três netos: Sophia, Ana Maria e José Riva Neto.
 
A rede de influência construída pelo deputado ao longo dos anos já o torna o político mais habilidoso de Mato Grosso. Quando comandava o Edifício Dante Martins de Oliveira, sede do Poder Legislativo, Riva era unanimidade entre os parlamentares, que o apoiavam em quase tudo.
 
José Geraldo Riva conquistou seu primeiro mandato, pelo voto, em 1983, quando se elegeu prefeito de Juara. Depois, em 1990, se candidatou a deputado e ficou como suplente. Em 1994, enfim, chegou à Assembleia Legislativa e, em fevereiro de 1995, se elegeu para a Primeira Secretaria. A partir de então, nunca mais deixou de se eleger, sucessivamente, para os principais cargos da Mesa Diretora: Presidência e Primeira Secretaria.
 
Na sua última eleição em que pôde disputar, em 2010, conquistou quase 94 mil votos ou 6,8% dos válidos – um recorde que dificilmente será quebrado tão cedo, Mato Grosso.
 
Eterna batalha

Riva possui diversos processos tramitação no Poder Judiciário, em diferentes esferas e instâncias, nas áreas criminal e cível. A maioria por supostos crimes contra a administração pública, peculato, captação ilícita de sufrágio, falsidade na prestação de contas, formação de quadrilhas e outros.
 
Desde o final da década de 1990, ele trava uma eterna batalha com   Ministério Público Estadual, principalmente enfrentando o Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com o MP, ele chefiava um esquema de desvio de verba dos cofres do Poder Legislativo.
 
O ex-presidente da Assembleia é réu em mais de uma centena de processos. No ano passado, foi preso e acusou o MP de arbitrariedade. “Tenho convicção de que minha prisão foi arbitrária. Infelizmente, as informações prestadas pelo Ministério Público, fizeram com que o ministro [Dias Tóffolli, do STF] fosse induzido ao erro de que eu não tinha mais mandato”, disse Riva, para a reportagem doOlhar Direto, após ser solto.
 
E anunciou que ficaria fora da vida pública. “Meu projeto de vida é diferente. Fora da política, vou trabalhar menos e ser menos perseguido. Não preciso da Assembleia para viver. Aliás, eu pago para ser deputado”, resumiu ele, antes de encerrar o seu último mandato como presidente do Poder Legislativo. 
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