CARTOLA DA FIFA CRITICA ORGANIZAÇÃO E CITA ATRASO EM CUIABÁ
07.05.2014

Durante visita à Cuiabá, Jérôme Valcke disse acreditar na conclusão das obras essenciais

O secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, voltou a criticar a organização do Brasil para a Copa do Mundo.

Ele citou Cuiabá como um dos exemplos de atrasos em obras, mas afirmou que as estruturas que não ficarão prontas não afetam diretamente a realização do torneio.

“São muitos detalhes. Não digo que tudo estará concluído. Em uma cidade como Cuiabá, há estruturas na cidade que não são diretamente relacionadas à Copa. Portanto, haverá certamente obras nos entornos. Mas, nos estádios teremos o que precisamos”, disse.

As declarações de Valcke foram dadas durante um evento em Lausanne, na Suíça, e foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo e pelo globoesporte.com.

Recentemente, durante visita à capital mato-grossense, o secretário evitou fazer duras críticas e afirmou que acreditava na conclusão dos projetos essenciais para o Mundial a tempo, conforme lhe foi prometido pelo Governo do Estado.

Apesar do tom duro quanto à postura do poder público e de reclamações pela mudança de governantes causada por eleições, o secretário também fez um “mea culpa” quanto à responsabilidade da Fifa em todo o processo de organização.

Leia a íntegra da matéria abaixo ou clique AQUI.

“Valcke fala em "inferno" e retoma as críticas à organização brasileira


Após distribuir alguns afagos em sua mais recente visita ao Brasil, no fim do mês passado, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, adotou um tom mais duro ao falar da Copa do Mundo de 2014.

Durante um evento nesta terça-feira, em Lausanne, na Suíça, o dirigente comentou a postura do poder público e fez críticas à organização brasileira e à própria Fifa, em declarações publicadas pelo jornal "Estado de S. Paulo".

– Vivemos um inferno, sobretudo porque no Brasil há três níveis políticos, houve mudanças, uma eleição, e não discutíamos mais necessariamente com as mesmas pessoas. Foi complicado, porque a cada vez tínhamos que repetir a mensagem – disse Valcke, segundo o jornal, durante o evento.

Sem diminuir o tom crítico, o dirigente lembrou que receber uma Copa do Mundo é muito diferente do que organizar outros eventos.

– Lembro que me diziam: como você pode duvidar do Brasil? Nós organizamos o carnaval do Rio todos os anos com três milhões de pessoas. Mas no carnaval são pessoas do Rio, pessoas que têm seus apartamentos, estão na praia e ficam lá. As pessoas achavam que era fácil, mas organizar uma Copa é um trabalho de verdade. É uma responsabilidade real.

Após o evento, no entanto, Valcke usou outras palavras ao ser abordado por repórteres brasileiros.

– Não foram três anos de inferno. Foram três anos complicados, mas tanto para o Brasil quanto para nós. O trabalho não foi cumprido de uma parte ou de outra. Tivemos complicações relativas à estrutura do país, em relação a investimentos que talvez começaram tarde, uma incompreensão em relação à dimensão do evento.

Atrasos e responsabilidade da Fifa

Além das críticas à forma de organização brasileira, Valcke disse que a Fifa tem sua parcela de responsabilidade em algumas questões que geraram protestos.

– Quanto à crítica sobre as despesas, é verdade que nós temos uma responsabilidade moral. Dou um exemplo: num dado momento havia um certo número de pessoas, no Brasil, entre eles políticos, que se opunham à Copa do Mundo.

Ao se mostrar incomodado com as mudanças de poder no Brasil com o passar do tempo, Valcke indicou ainda que a entidade terá que rever algumas medidas no futuro. Ele diz que a "mais alta autoridade" deve estar associada à candidatura do Mundial, não um governo simplesmente.

O secretário-geral da Fifa reconheceu ainda que precisou diminuir algumas exigências, por exemplo, com as estruturas temporárias. Mesmo assim, disse que nem tudo ficará pronto a tempo.

– São muitos detalhes. Não digo que tudo estará concluído. Em uma cidade como Cuiabá, há estruturas na cidade que não são diretamente relacionadas à Copa. Portanto, haverá certamente obras nos entornos. Mas nos estádios teremos o que precisamos”.

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