DESEMPREGO PODE CAUSAR TRANSTORNOS PSICOLóGICOS E BAIXA AUTOESTIMA
26.02.2015

O desemprego é uma situação que tem várias causas.

 

 

As previsões econômicas para o Brasil em 2015 não são otimistas. Em um cenário de recessão, um problema que aflige muitas pessoas é o desemprego. E não se trata de uma questão apenas financeira – que, por si só, já preocupa quem sofre com isso. O desemprego tem aspectos psicológicos que podem atingir seriamente quem está submetido a essa situação. “O desemprego é uma situação que tem várias causas, mas que só pode ser superado se a pessoa que passa por isso tiver foco”, explica a psicóloga comportamental Maria Aparecida das Neves.

Ter foco, afirma, significa saber o que quer, ter clareza para avaliar sua real situação e ter capacidade de adequar-se ao mercado – que está em constante mudança. A seguir, ela comenta algumas das situações a que a pessoa é submetida quando está desempregada:

Injustiça – “Quando alguém perde o emprego porque outro funcionário ‘puxou seu tapete’, a sensação de ter sido passado para trás é devastadora”, afirma Maria Aparecida. Nessas ocasiões, é comum que a primeira consequência seja a perda da autoestima.

Busca frustrada – Quando alguém decide ir em busca de uma nova oportunidade no mercado e sai do emprego que tem sem ter outro em vista, terá de lidar com a frustração e o desânimo, caso não encontre logo outra colocação. “É preciso atentar-se para a nova colocação que se busca; na realidade de que a decisão de sair do antigo emprego foi tomada para conseguir algo melhor”, aconselha a psicóloga.

Convite desfeito – Muitas vezes, uma pessoa sai de um emprego porque recebeu outra proposta melhor. “Se o novo emprego não dá certo, ela tem que lidar com a perda não de uma, mas de duas colocações”, lembra a especialista. Isso pode gerar angústia, sensação de menos valia e dúvidas sobre a própria capacidade profissional.

Para a psicóloga, esses sentimentos são cíclicos e começam a aparecer depois dos primeiros três meses de desemprego. Qualquer que seja o caso, entretanto, a pessoa que está sem emprego deve ter em mente que seu objetivo maior é buscar outra ocupação e que a diminuição da autoestima, a angústia, o desânimo e o desespero pode dificultar o processo. “É preciso tentar usar a razão, contar com o apoio de amigos, parentes, familiares ou mesmo de um líder religioso em quem a pessoa confia para superar isso, além, é claro, de buscar ajuda profissional com um psicólogo”, indica Maria Aparecida.

Na opinião dela, o apoio de outras pessoas ajuda quem está passando pelo problema a ter atitudes centradas para resolvê-lo. Para que a ajuda seja efetiva, quem conhece alguém desempregado deve saber ouvir o outro, tentar mostrar o seu valor, sugerir ideias criativas para buscar novas oportunidades, cursos e atividades gratuitas que possam ajudá-la a conseguir um novo emprego.

Ajuda profissional – Muitas vezes, a pessoa que está desempregada precisa de um auxílio profissional para ajudá-la a concentrar-se na solução do problema. Coachings são especialistas que ajudam a redirecionar a carreira, reinventar o caminho profissional e por vezes até mesmo mudar de rumo. “Uma psicoterapia breve também pode ser muito útil”, destaca Maria Aparecida. Ela diz que, muitas vezes, com poucas sessões o problema já pode ser tratado.

Mas, como saber se alguém que está passando pelo desemprego precisa de ajuda profissional? De acordo com a especialista, cada pessoa conhece suas próprias deficiências e sabe quando precisa de ajuda. “Quando alguém fica paralisado pela situação, sem visar à ação do que precisa ser feito para resolver o problema, é hora de procurar um apoio profissional”, diz.


Histórias reais – Maria Aparecida conta dois casos de pacientes que teve seu consultório, que ilustram como é possível superar o desemprego, independente do cenário. Um dos pacientes foi demitido e resolveu que iria aproveitar esse período “sabático” forçado para se aperfeiçoar e adequar-se melhor ao mercado. Usou o dinheiro da rescisão contratual para fazer um curso no exterior e melhorar seu nível de inglês. “Essa é uma atitude corajosa, que mostra que a pessoa concentrou-se em melhorar sua capacitação e também remete para o fato de que às vezes a decisão de tirar um mês de descanso antes de iniciar a busca por um novo emprego pode ser acertada. Afinal, por exemplo, na época das festas ou no início do ano, são poucas as ofertas de vaga”, avalia. Para Maria Aparecida, permitir-se o descanso é uma forma de colocar as idéias em ordem antes de iniciar o processo, o que melhora o foco no objetivo. 

Outro caso atendido pela psicóloga foi de um paciente diagnosticado com Síndrome de Burnout – também chamada Síndrome do Esgotamento Profissional, na qual a pessoa chega ao nível máximo de estresse no trabalho e que pode levar até mesmo ao suicídio. Tal paciente precisou, por recomendação médica, abandonar o emprego para tratar-se. “Ela teve foco em curar-se. Em um ano, conseguiu voltar ao mercado de trabalho”, lembra Maria Aparecida.

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