‘ISSO NãO é AMOR, é MARTíRIO’, DIZ GRáVIDA VIOLENTADA NO AMAPá
10.03.2015

Vítima participa de mutirão que agiliza processos de violência doméstica.
Campanha nacional ‘Justiça e Paz em Casa’ segue até o dia 13.

Fabiana Figueiredo

Denunciar faz bem para nós, mulheres, diz vítima de violência doméstica (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Mesmo grávida, mulher foi violentada pelo namorado
(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

“Denunciar faz bem para nós mulheres. É uma situação que você só não consegue sair se você não quiser, porque isso não é amor, é martírio”, comentou Patrícia, nome fictício de uma vítima de violência doméstica no Amapá. A jovem, de 22 anos, foi agredida pelo namorado até 2014, quando ficou grávida. Patrícia denunciou o companheiro à Justiça e o caso está sendo analisado em um mutirão para agilizar os processos relacionados a violência contra a mulher. A campanha "Justiça e Paz em Casa" acontece de 9 a 13 de março, em todo o país.

Segundo Patrícia, a denúncia foi feita no segundo semestre de 2014 por incentivo da irmã. “Minha irmã chegou uma vez em casa e viu ele me batendo, eu ainda estava grávida. Um dia ela conversou comigo e perguntou se eu queria parar com isso e denunciar. Eu já não aguentava mais ser agredida foi quando fui até a delegacia”, contou a vítima que conviveu por dois anos com o agressor.

Mutirão agiliza processos de violência contra mulher (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Mutirão agiliza processos de violência contra a
mulher (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Após a denúncia, a vítima contou que o namorado ficou intimidado e não sofreu mais ameaças. “Depois que a bebê nasceu, tentamos nos reaproximar, mas não dava mais certo. Ele nunca mais me agrediu”, explicou. Patrícia está desempregada, não tem mais relação com o ex-namorado e a filha tem 6 meses.

Campanha
O caso de Patrícia é um dos que foram agendados para as audiências que serão realizadas durante a semana “Justiça e Paz em Casa”. A campanha é nacional e quer agilizar os processos judiciais de casos de violência contra a mulher.

“Com esse mutirão queremos mostrar de forma mais ampla que a Justiça amapaense dá atenção aos processos de violência contra a mulher, porém silenciosamente para preservar a identidade das pessoas envolvidas”, explicou o corregedor geral do Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), Carmo Antônio de Souza.

Juizado de Violência Doméstica de Macapá tem 36 audiências agendadas (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Juizado de Violência Doméstica de Macapá tem 60
audiências agendadas
(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Entre os tipos de casos mais comuns registrados pela Justiça estão crimes de ameaça e lesão corporal, geralmente obrigando a mulher a continuar um relacionamento, comenta o juiz titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher de Macapá, Augusto César Leite.

O juizado tem mais de 1,6 mil processos de violência doméstica em andamento e 60 audiências agendadas para a semana da campanha.

Dados da Delegacia de Crimes Contra a Mulher (DCCM) apontam que nos dois primeiros meses de 2015, 1.074 casos de violência contra a mulher foram registrados no Amapá. Destes, 893 são de violência doméstica, sendo que em janeiro, foram 453 denúncias e em fevereiro, 440. A campanha acontece até sexta-feira (13), em todas as comarcas do estado.

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