PAI SUSPEITA QUE FILHO MORREU APóS AGRESSãO EM 'CORREDOR DA MORTE'
10.03.2015

Polícia investiga se houve agressão em escola de Ferraz antes de morte.
Peterson Ricardo de Oliveira era filho adotivo de casal homossexual.

Maiara Barbosa e Gladys Peixoto

Peterson Ricardo Teixeira de Oliveira teria morrido após discussão em escola de Ferraz. (Foto: Jéssica Nogueira/Arquivo Pessoal)

Peterson Ricardo Teixeira de Oliveira teria morrido
após discussão em escola de Ferraz
(Foto: Jéssica Nogueira/Arquivo Pessoal)

No velório do filho adotivo no cemitério do Cambiri, em Ferraz de Vasconcelos (SP) na manhã desta terça-feira (10), Márcio Nogueira e Carlos Laerte Amaral ainda tentavam entender o que causou a morte do adolescente de 14 anos. Segundo Nogueira, colegas de Peterson Ricardo Teixeira de Oliveira dizem que houve uma briga na escola e que pouco depois o jovem começou a passar mal. O rapaz estudava na Escola Doutor José Eduardo Vieira Haduon.

“Os alunos da sala de aula comentam que cinco o agrediram no corredor da morte. Bateram nele no corredor onde ficam alunos de um lado e de outro, batendo em quem passa. Eles disseram que ele subiu para a sala de aula e começou a passar mal. Abriu a porta e saiu gritando ‘vou morrer, vou morrer, eu não quero morrer. Me ajuda, me socorre.‘ Foi a hora que me chamaram da escola”, descreve Nogueira, um dos pais de Peterson, que faleceu no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos no início da tarde de segunda-feira (9). O corpo do jovem será enterrado às 13h. 

Nogueira completou que a diretora da unidade onde o adolescente estudava esclareceu na ocasião que não houve briga dentro da sala de aula e sim uma pequena discussão. O rapaz foi internado na quinta-feira (5), segundo a Secretaria Estadual de Saúde. De acordo com Nogueira, no hospital foi levantada pelos médicos a hipótese que o garoto possuía um aneurisma.

Além de Peterson, o casal tem mais um filho adotivo. O jovem de 14 anos vivia com os pais desde os 10 anos.

A Polícia Civil investiga o caso e apura se houve agressão ao jovem. O G1 tenta contato desde a noite de segunda-feira (9) com o delegado Eduardo Boigues Queiroz para saber como estão as investigações, mas não conseguiu contato. Anteriormente o delegado informou que não havia ocorrido espancamento, mas que apurava se a vítima foi agredida fisicamente de alguma forma.

Laerte um dos pais do jovem  (Foto: Maiara Barbosa/G1)
Carlos Laerte aguarda laudos para entender morte
do filho. (Foto: Maiara Barbosa/G1)

Nogueira contou que acompanhou Peterson ao Hospital Luzia de Pinho Melo em Mogi das Cruzes, na sexta-feira (6), para a realização de exames. “O médico do Luzia disse que não era aneurisma e ele estava com muita água no pulmão. No Regional, ao voltar, eles colocaram um dreno e drenou tudo. Estava bem. Mas ontem recebemos a notícia do falecimento dele.”

O outro pai, Carlos Laerte Amaral, afirmou que o filho não apresentava nenhum tipo de ferimento ao chegar ao hospital. “Estamos esperando o resultado da necrópsia. Ele não apresentava hematomas e está sendo investigado se houve agressão física”, destacou. Ele também frisou que o rapaz não tinha problemas na escola e não sabia que o filho era vítima de preconceito por ser filho de um casal homossexual.

Secretaria Estadual de Educação informou que "lamenta profundamente a morte de um de seus alunos, que estudava na unidade desde os 6 anos e participava ativamente das atividades curriculares  extra classe, inclusive sendo parte do grupo de teatro. Todo apoio aos familiares está sendo prestado e o caso está sendo investigado pela polícia. É importante reiterar que não há registro de nenhuma agressão dentro da escola, que permanece à disposição das autoridades policiais."

Velório em Ferraz recebeu amigos do adolescente (Foto: Maiara Barbosa/G1)Velório em Ferraz recebeu amigos do adolescente. (Foto: Maiara Barbosa/G1)
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