GAECO MONITORA SUSPEITO FAZENDO SAQUE DE R$ 210 MIL
19.03.2015

O MidiaNews teve acesso exclusivo a um relatório de informações feito pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em 2009, sobre o suposto esquema de desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A investigação dá detalhes sobre um saque de R$ 210 mil, feito pelo empresário Leonardo Maia Pinheiro, na agência do Banco do Brasil, na Avenida Couto Magalhães, em Várzea Grande. Na sequência, segundo o Gaeco, o dinheiro foi levado até o Edifício Monreale, em Cuiabá, onde morava o então servidor da Assembleia Legislativa Edemar Nestor Adams, falecido em 2010. O Ministério Público Estadual (MPE) considera que Adams era o homem que operava o suposto esquema a mando do ex-deputado José Riva. Com base nas investigações, o MPE propôs ação criminal contra Riva e outras 14 pessoas por peculato e formação de quadrilha. Eles são acusados de desviarem R$ 62 milhões (valor já corrigido) entre 2005 e 2009. O ex-deputado foi preso, em 21 de fevereiro passado, com base nesta ação. Os agentes do Gaeco monitoraram, em 19 de outubro de 2009, o empresário Leonardo Maia Pinho, da Real Comércio e Serviços Ltda. Segundo o MPE, a empresa sagrou-se vencedora de um dos pregões da Assembleia, para fornecimento de material de consumo, recebendo a importância de R$ 6 milhões, entre os meses de janeiro a outubro de 2009. No relatório, eles relatam que foram informados, por agentes do DIC (Departamento de Inteligências das Comunicações), que o empresário investigado faria mais um saque em dinheiro na agência do Banco do Brasil, da Avenida Couto Magalhães, em Várzea Grande. “Em comunicação em tempo real com o DIC, nos deslocamos, em várias equipes, para o município, com a finalidade de monitorar os passos dos investigados”, relatam. No monitoramento, por volta das 17h10, os agentes flagraram o investigado chegando à agência. “Na oportunidade, o mesmo conduzia o veículo marca Honda Civic, placas DCZ-1723, de cor preta. Passados alguns minutos, o investigado saiu da agência, indo direto ao veículo que conduzia. Desse ponto, o senhor Leonardo Maia Pinheiro se dirigiu até sua residência, localizada na Rua Goiás, nº 570, Bairro Nova Várzea Grande”, aponta o relatório. Na sequência, segundo o Gaeco, após sair da casa, o investigado seguiu rumo ao centro de Várzea Grande e, ao aproximar-se do Supermercado Big Lar, na Avenida Filinto Muller, entrou no estacionamento em frente ao supermercado. “Para nossa surpresa, chegou ao mesmo estacionamento um veículo Toyota Hillux SW4, de cor preta, que era conduzida pelo investigado Elias Abraão Nassarden Junior. Nesse momento, a pessoa do sr. Leonardo Maia desceu do veículo que conduzia, portando a mesma pasta tipo notebook, de cor preta, que utilizava na agência bancária, e se deslocou até a Hillux, entrando no respectivo veículo. Ao sair, ele deixou a citada pasta no veículo do sr. Elias Abraão”, diz o relatório. “Diante desse fato, e como a finalidade dos trabalhos de inteligência desencadeados por este Grupo é verificar o destino final dos valores sacados nas agências bancárias, mantivemos a vigilância em torno do investigado Elias Abraão, que após o encontro com Leonardo Maia, ficou de posse da pasta onde possivelmente estaria o montante em dinheiro sacado naquela tarde”, relatam os agentes. Segundo o Gaeco, na sequência, “como de costume”, o investigado Elias Abraão Nassarden Junior se deslocou diretamente para o Edifício Monreale, localizado na Rua Estevão de Mendonça nº 1.021, no Bairro Quilombo, em Cuiabá. No local residia Edemar Adams. “Como já prevíamos que o investigado se deslocaria para esse endereço, um dos agentes do Gaeco ficou posicionado junto à cabine da portaria do edifício, na tentativa de verificar qual morador seria procurado pelo senhor Elias Abraão. Ao descer do veículo, o investigado foi até a portaria. Como é uma pessoa freqüentadora daquele condomínio, fez referencia ao porteiro, perguntando: “Opa!! Bão? Ele já chegou ai?”. "Nesse momento, o porteiro efetuou uma ligação e perguntou: ‘O Sr. Edemar já chegou? Poderia informar que o Sr. Elias encontra-se na portaria?‘. Após conversar com o morador, o porteiro diz ao investigado que o morador já havia chegado e que já iria descer”, relataram os agentes. Na sequência, segundo o Gaeco, após receber a informação positiva do porteiro, o investigado foi até o seu veículo e pegou a pasta, tipo notebook, e entrou no prédio, retornando depois de alguns minutos, de onde saiu tranquilamente, tomando destino desta vez ignorado. As cinco empresas envolvidas no suposto esquema são: Livropel Comércio e Representações e Serviços Ltda; Hexa Comércio e Serviços de Informática Ltda; Amplo Comércio de Serviços e Representações Ltda; Real Comércio e Serviços Ltda-ME e Servag Representações e Serviços Ltda. Além de Riva, foram denunciados a sua esposa, Janete Riva, servidores públicos e empresários. São eles: Djalma Ermenegildo, Edson José Menezes, Manoel Theodoro dos Santos, Djan da Luz Clivatti, Elias Abrão Nassarden Junior, Jean Carlo Leite Nassarden, Leonardo Maia Pinheiro, Elias Abrão Nassarden, Tarcila Maria da Silva Guedes, Clarice Pereira Leite Nassarden, Celi Izabel de Jesus, Luzimar Ribeiro Borges e Jeanny Laura Leite Nassarden.

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