NTERNADO Há 2 ANOS, JOVEM QUER SAIR DE HOSPITAL E FAZER TRATAMENTO EM CASA
10.04.2015

No ano em que concluiria a graduação de educação física, Marcelo Vaz da Silva, de 29 anos, está deitado em uma maca e respira por aparelhos. O estado de saúde dele é resultado de um acidente após um salto de paraquedas em 2013, em Campo Grande. Desde então, ele diz ser um ‘peso‘ para o hospital e luta para fazer o tratamento em casa. A Santa Casa diz que ainda não liberou o paciente por conta da decisão judicial que ele aguarda.

“No momento do salto, meu instrutor disse que o equipamento era adequado ao meu peso e que eu poderia saltar sem problemas. Eu já havia feito seis aulas teóricas, gostava muito de esportes radicais, mas acabei me dando mal. Agora quero ir para casa, pois já perdi muito tempo”, afirmou ao G1 o paciente. Ele está com uma lesão grave na coluna.

Na época, Marcelo ressaltou que, antes de contratar os serviços do instrutor, fez uma pesquisa a seu respeito. "Eu vi que o nome do professor constava na Confederação Brasileira de Paraquedismo e inclusive ele era o presidente da Federação do estado naquele ano. Não foi algo aleatório, eu pesquisei referências do instrutor", garantiu.

Embora tenha sofrido lesão grave na coluna, Marcelo está lúcido e acompanha tudo o que acontece ao seu redor. Nestes dois anos e dois meses no hospital, viu dezenas de pacientes passarem pelas camas ao lado e tem como companhias familiares e amigos.

Temos um gasto mensal de R$ 4 mil, além do investimento de R$ 20 mil que já fizemos no quarto, com as instalações necessárias"
Vanessa Correa , irmã da vítima

“Ele percebe tudo o que acontece ao seu redor. Questiona aos enfermeiros qual medicação que está sendo aplicada nele, além de se informar sobre as sondas e outros procedimentos. Mas neste período pegou infecção hospitalar duas vezes e quer ir para casa”, comentou a irmã da vítima, Vanessa Correa da Silva, de 35 anos.

Desde que aconteceu o acidente, Silva mudou sua rotina para ajudar ao irmão. “Trabalho como comerciante e agora entro às 14h30 para cuidar dele. Venho diariamente ao hospital e fico sete horas aqui. Não é uma rotina fácil, sinto um desgaste muito maior aqui do que no meu trabalho, por exemplo. Meu irmão sempre trabalhou, pagou os impostos e só quer ir para casa”, lamenta Vanessa.

Home Care
Com processos em andamento, no qual a família pede a aplicação da Lei 8.080/1990, eles dizem que vão encaminhar a decisão para o Supremo Tribunal Federal (STF), se for preciso. “Nós sabemos que uma decisão recente do Tribunal de Justiça determina a assistência hospitalar para ele no período de três meses. Mas, como um juiz avalia o laudo médico da tetraplegia e não garante uma ajuda por tempo indeterminado?”, questionou a irmã.

Enquanto não há decisão, a família procura uma ‘brecha‘ da lei. “Nós estamos batalhando. Minha mãe, embora aposentada, continuou trabalhando para ajudar com as despesas dele. Temos um gasto mensal de R$ 4 mil, além do investimento de R$ 20 mil que já fizemos no quarto, com as instalações necessárias”, ressaltou a irmã.

Marcelo está internado no hospital desde janeiro de 2013 (Foto: Graziela Rezende/ G1 MS)Marcelo está internado no hospital desde janeiro de 2013 (Foto: Graziela Rezende/ G1 MS)

Referência em trauma
Conforme a assessoria de imprensa da Santa Casa, o paciente deu entrada no dia 19 de janeiro de 2013, às 14h30, e hoje é um paciente consciente, orientado e estável. Marcelo sofreu um choque medular, entrou em coma e ficou internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) durante 2 meses, mas devido melhora significativa do seu quadro clínico, no dia 11 de março do mesmo ano, foi transferido para a Unidade Intermediária (UI) - enfermaria.O paciente em questão tem condições de alta, mas ele aguarda decisão judicial referente ao Home Care, que hoje ele utiliza do hospital.

A Santa Casa é referência em atendimentos de trauma de grande complexidade, e conta com uma equipe multiprofissional, que inclui a fisioterapia diária oferecendo a assistência necessária para o tratamento do paciente, realizando trabalho de desenvolvimento, tratamento e reabilitação do paciente.

Investigação
No dia 25 de março deste ano, após inúmeros laudos e depoimento de testemunhas, a Polícia Civil indiciou o instrutor de cursos de 66 anos. AoG1, a delegada Célia Bezerra, titular da 4ª Delegacia de Polícia, disse que o suspeito responderá por lesão corporal culposa gravíssima.

“A perícia apontou que o paraquedas não era específico para o peso da vítima. Na época, parentes que ele estava com 130 kg e o equipamento aguentava, no máximo, 85 kg, isso com as vestes incluídas”, explicou a delegada.

Em depoimento, o instrutor alegou que o jovem realizou uma manobra indevida no ar. No entanto, ele foi questionado pelo fato do pouco tempo de instrução para já levar a vítima até o salto e também o motivo de entregar um equipamento errado, assumindo o risco de lesão causada na vítima.

Entenda o caso
O fato ocorreu no dia 19 de janeiro de 2013. O rapaz praticava salto de paraquedas em um aeroporto particular próximo a BR-262, na saída para Três Lagoas. Após o acidente, ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros até o pronto-socorro da Santa Casa, onde permanece internado.

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