GOVERNO CONSIDERA PRISãO DO EX-TESOUREIRO DO PT INJUSTIFICADA
16.04.2015

A prisão de Vaccari Neto repercutiu em Brasília: a oposição cobrou explicações, mas o Planalto não se posicionou oficialmente. Para o governo, a prisão de Vaccari é um problema do partido e não do Executivo. O objetivo é se deslocar dessas denúncias.

O governo vinha acompanhando as notícias recorrentes envolvendo o nome do tesoureiro do PT com as denúncias corrupção na Petrobras. Em São Paulo, o PT anunciou o afastamento de Vaccari da Secretaria de Finanças, mas considerou a prisão injustificada.

A direção do PT se reuniu em São Paulo a portas fechadas e nenhuma declaração. A notícia veio em uma nota oficial, horas depois da prisão. Diz que foi João Vaccari que pediu para se afastar do cargo de tesoureiro, que ocupava desde 2010. Fala que foi por questões práticas e legais. O partido diz ainda a prisão é injustificável, porque ele sempre se colocou à disposição das autoridades. O PT termina a nota expressando solidariedade a Vaccari e à família.

Em Brasília, a oposição disse que a prisão era inevitável e que o afastamento foi tardio. “O homem responsável pelas finanças do partido da presidente da República está preso com inúmeras acusações em relação à malversação de dinheiro público. Portanto, o que nós estamos vendo é o agravamento da crise política e cada vez ela chegando mais próxima do governo e da própria presidente da República”, afirmou o senador Aécio Neves.

O líder do PT na Câmara defendeu o governo. “Não tem crise nenhuma. Só peço uma coisa: a Justiça sabe perfeitamente que a empresa que deu dinheiro para o PT foi a mesma empresa que deu dinheiro para o PSDB, foi a mesma empresa que deu dinheiro para o PMDB, para o PSB e para tantos outros partidos”, disse Sibá Machado.

O governador do Piauí, que também é do PT, insiste que não há provas. “O que tem, na verdade, de provas são depoimentos de delatores que confirmam que fizeram o repasse de contribuição, mas fizeram de forma legal. Já tiveram as prestações de contas, e as prestações de contas aprovadas”, ressaltou Wellington Dias.

“As provas são contundentes e a situação do Vaccari é muito grave. Eu acho que dificilmente ele sairá dessa situação sem uma grande condenação por parte da Justiça Federal”, afirmou o deputado Mendonça Filho.

João Vaccari Neto já é réu, desde o fim do mês passado, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, e é investigado no Supremo Tribunal Federal também por formação de quadrilha. Foi citado em depoimentos de delações premiadas.

O doleiro Alberto Youssef disse que Vacarri era um dos indicados para efetivar os recebimentos de propina no esquema de corrupção da Petrobras. Disse que chegou a entregar dinheiro para Vaccari na porta do Diretório Nacional do PT.

O ex-gerente da estatal, Pedro Barusco, afirmou que o petista teria recebido entre US$ 150 e US$ 200 milhões em nome do partido entre 2003 e 2013.

O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa detalhou como os recursos da Diretoria de Serviços eram divididos com Vaccari e com o PT, e como apareciam como doações legais.

Vaccari, que é membro do Diretório Nacional do PT desde o início dos anos 2000, disse na semana passada na CPI da Petrobras que não houve ilegalidade nas doações.

A presidente Dilma não se posicionou oficialmente. O governo quer tratar do assunto como um problema partidário e não do Executivo. A presidente foi informada da prisão de João Vaccari Neto logo cedo pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

O ministro convocou uma entrevista para falar de outra operação da Polícia Federal, e não entrou em detalhes sobre a situação do petista João Vaccari Neto, agora preso e tesoureiro afastado. “Digo a vocês que há um desejo, acho que não só meu mas de toda a sociedade brasileira, que tudo seja esclarecido, que a verdade venha à tona e todos que praticaram atos ilícitos sejam punidos. Os que não praticaram que sejam absolvidos”, disse.

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu depoimentos marcados para esta semana em sete inquéritos da Operação Lava Jato em andamento no Supremo. Ele atendeu pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Os depoimentos suspensos se referem a 40 políticos e operadores investigados na Lava Jato, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Segundo investigadores, a suspensão de depoimentos foi pedida porque a procuradoria discordou com o rumo da coleta de provas por parte da Polícia Federal. A Polícia Federal preferiu não se pronunciar.

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