RIVA DIZ QUE MESA DA AL FEZ NEGOCIAçãO; ROMOALDO NEGA
07.07.2015
LUCAS RODRIGUES 
DA REDAÇÃO
O pagamento de R$ 9,4 milhões realizado em 2014 pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso ao advogado Joaquim Mielli Camargo, delator e epicentro do suposto esquema investigado pelo Gaeco, por meio da Operação Ventríloquo, colocou em lados opostos os ex-presidentes do Legislativo, os deputados Romoaldo Júnior (PMDB) e o ex-deputado José Riva (PSB).

A autorização para a liberação do crédito, pago em quatro parcelas, foi assinada por Romoaldo, então presidente, e pelo deputado Mauro Savi (PR), então primeiro-secretário do Poder. 

Mesmo assim, Romoaldo afirmou, em depoimento prestado ao Gaeco, no dia 27 de maio deste ano, que toda a negociação sobre o pagamento havia sido feita por Riva - que estava afastado da presidência por ordem judicial.

"As negociações para pagamento da dívida foram travadas pelo antigo presidente da Assembleia Legislativa, o deputado José Riva, que logo foi afastado judicialmente de suas funções"


Diz trecho do depoimento: “Questionado se as negociações para pagamento da dívida foram travadas consigo, disse que não. Que já vinham sendo travadas pelo antigo presidente da Assembleia Legislativa, o deputado José Riva, que logo foi afastado judicialmente de suas funções. Questionado com quem o deputado José Riva vinha estabelecendo estas tratativas, não soube responder, dizendo que assumiu a presidência da Casa em um momento conturbado, até mesmo em razão da discussão a respeito do pagamento das URVs”.

Romoaldo Júnior também disse que não conhecia o então advogado do HSBC, Joaquim Mielli Camargo, tampouco o advogado Julio Cesar Rodrigues, apontado como o lobista e que teria intermediado o esquema. Este último teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e está foragido.

Em relação a Rodrigues, o deputado se limitou a informar que “apenas tomou conhecimento que ele esteve algumas vezes na Assembleia tratando sobre o acordo entabulado”.

Já Mauro Savi, que depôs na mesma data, disse que não esteve envolvido nas tratativas relacionadas ao pagamento milionário, e não soube dizer se foi Riva quem fechou, de fato, a negociação.

Termo de homologação do acordo milionário assinado por Romoaldo e Savi:

Riva se isenta

Também em depoimento ao Gaeco, em 8 de junho deste ano, Riva atribuiu à Mesa Diretora da época (Romoaldo Júnior e Mauro Savi) a responsabilidade pelo desfecho do negócio, uma vez que ele se manteve afastado da presidência de julho de 2013 a dezembro de 2014.

Diz trecho de seu depoimento: “Questionado se conhecia o advogado Joaquim Fabio Mielli Camargo, disse que conversou com ele em uma oportunidade, quando se dirigiu à Assembleia Legislativa acompanhado do advogado Julio Cesar Domingues Rodrigues. Contudo, informa que não chegou a fechar qualquer acordo com os advogados mencionados, porque na época a Assembleia não tinha condições de quitar com qualquer compromisso, porque estava concluindo a construção do teatro e tinha algumas complexidades a serem revisadas. Então, eventual negociação envolvendo a composição firmada não foi travada consigo, e sim com a Mesa Diretora da época”.

"Eventual negociação envolvendo a composição firmada não foi travada comigo, e sim com a Mesa Diretora da época"


Os promotores de Justiça do Gaeco perguntaram a Riva o porquê de o deputado Romoaldo Júnior ter dito que a negociação teria sido feita por ele. Riva respondeu que, como "está em um momento de crise (referindo-se às suas prisões), talvez todos os problemas suscitados estejam sendo imputados a ele”.

“Sobre o assunto, esclareceu que já firmou várias composições de questões que estavam sendo debatidas judicialmente, mas sempre para reduzir os valores e nunca para aumentá-los em desfavor do erário”, disse Riva, em seu depoimento.

Cálculos

Tanto Riva quanto os deputados Romoaldo e Savi se isentaram da responsabilidade de verificar os cálculos sobre a dívida paga ao advogado do HSBC.

Segundo Riva, tal atribuição é da Procuradoria Jurídica, com o auxílio da Auditoria Geral do Estado e da Secretaria de Finanças da Assembleia.

A informação também foi confirmada pelos depoimentos de Romoaldo e Savi, que admitiram não ter conferido a legalidade dos juros aplicados sobre o montante, pois não seria a responsabilidade da Mesa Diretora.

Eles alegaram que se basearam no parecer da Procuradoria Geral da Assembleia (cujo titular à época, o advogado Anderson Godoi, também foi alvo de busca e apreensão) para assinar o acordo de quitação do crédito.

Diz trecho do depoimento de Savi: “Essa providência é de responsabilidade de diversos setores da Assembleia Legislativa, quais sejam contabilidade e da tesouraria, tendo se embasado totalmente no parecer apresentado pela Procuradoria Geral da Assembleia. Questionado se conferiu a legalidade dos juros aplicados, disse que apenas se assustou com o montante gerado, mas não chegou a calcular os juros aplicados”.

Ainda em depoimento, Romoaldo Júnior afirmou que não viu irregularidade no fato de o acordo entre a Assembleia e o advogado do banco não ter sido feito judicialmente: "o advogado do banco HSBC detinha procuração com poderes específicos para quitação", explicou.

Lobista procurou deputados

O advogado Julio Cesar Rodrigues, que teria ficado insatisfeito com o valor que recebeu no suposto esquema, segundo o Gaeco, chegou a procurar o deputado Mauro Savi. 

A informação foi confirmada pelo parlamentar no depoimento, que atribuiu a procura a uma alegada cobrança de honorários. 

Diz trecho do depoimento de Savi: "Disse que o procurou para tentar receber honorários, pois, segundo ele, teve desentendimento com o advogado Joaquim Fabio Mielli Camargo e, portanto, não havia recebido, ao que o declarante nem quis ouvi-lo, pois não tinha nada com isso".

José Riva também admitiu que o advogado Julio Cesar o procurou e, da mesma forma, afirmou que o profissional também estava em busca de honorários advocatícios não pagos.

"Questionado o que Julio Cesar queria consigo, disse que o procurou para reclamar a respeito da falta de pagamento dos honorários advocatícios por parte de Joaquim Fabio Mielli e que ele procurou outros deputados também, não sabendo informar nomes, contudo. Questionado se efetivou qualquer tipo de transação bancária com o investigado ou com Julio Cesar, respondeu negativamente", disse trecho do depoimento de Riva.
COMENTÁRIOS

*** **  ***


VÍDEOS

      
BUSCA:
© Copyright 2014 A Notícias - Política de Privacidade