SENADO ESTá DIVIDIDO SOBRE "JANELA" PARA TROCA DE PARTIDO
24.08.2015

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Os senadores Blairo Maggi (PR) e Wellington Fagundes (PR) afirmaram que o Senado Federal está dividido sobre aprovar o dispositivo, dentro da reforma eleitoral, que permite a troca de partidos, por 30 dias, de todos os cargos eletivos proporcionais, sem risco de perda de mandato.

Para Fagundes, que é presidente regional do PR, o maior empecilho na aprovação da "brecha" é imposto por grandes partidos, como PT e PSDB.

Segundo ele, as lideranças dessas agremiações temem perder um grande número de prefeitos e vereadores, o que diminuiria a representatividade em algumas regiões do país.

“Eu trabalho pela janela e votarei por ela. Mas acredito que o Senado está bastante dividido, porque o problema são os grandes partidos, que tem medo de perder nomes. Por exemplo, o PT e o PSDB tem externado essa preocupação”, disse Fagundes.

"Sou favorável a essa brecha, mas sinto resistência por parte de muitos senadores, por conta dos grandes partidos. Eles temem perder membros importantes"


Para o senador, seria injusto não aprovar a janela em meio a um cenário de insatisfação política. Além disso, ele cita que a reforma eleitoral, que passou pela Câmara e já se encontra no Senado, mexe com o tabuleiro político.

“Eu acho que é injusto não ter a janela. Porque hoje os senadores podem mudar de partido, prefeitos e governadores também. Só o Legislativo que não, mas os senadores também são considerados Legislativo”, afirmou.

“Então, como está tendo toda essa mudança, insatisfação com o momento eleitoral, acredito que é importante abrir a janela. E isso apenas para este momento, e permitiria que os atuais vereadores e deputados, que tem uma motivação ou outra, possam mudar de partido”, completou.

O senador Blairo Maggi, que irá aderir ao PMDB após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) - que liberou a troca de partido para cargos do sistema majoritário -, disse que o dispositivo será votado nos próximos dias.

Ele, no entanto, afirmou que, antes, é preciso buscar um consenso dentro da Casa.

“Sou favorável a essa brecha, mas sinto resistência por parte de muitos senadores, por conta dos grandes partidos. Eles temem perder membros importantes. Não tenho certeza, mas, mesmo assim, acredito que possa passar no Senado também”, afirmou.

"Troca-troca partidário"

Bruno Cidade/MidiaNews

O analista político Alfredo da Mota Menezes: "A janela não deveria existir. É um absurdo"

Para o analista político Alfredo da Mota Menezes, a brecha para a troca de partidos é “um absurdo”.

Ele acredita que as mudanças de partido não ocorrerão por questões ideológicas e/ou programáticas.

“A janela não deveria existir. É um absurdo, mas vai passar. E essas mudanças não são por questões ideológicas, programáticas, o que é muito ruim para a política brasileira”, disse Alfredo.

“O candidato é eleito por um partido, aí não se sente bem e ‘pula‘ para outro. Nos Estados Unidos, por exemplo, são apenas dois partidos, o Democrata e o Republicano; Na Inglaterra temos o Trabalhista e Conservador. Será que nós, aqui no Brasil, descobrimos alguma fórmula com 32 partidos?”, questionou.

Para o analista, a aprovação da brecha irá gerar um troca-troca partidário em todo país e os maiores beneficiados serão o PSDB e o PMDB.

“Acredito quer o PSDB e PMDB são os dois que mais vão receber filiados. O PT está baleado, deve perder nomes, mas pode se recuperar lá na frente. E os outros partidos, DEM, PP, PTB, PR, vão ter que lutar para manter seus quadros”, afirmou.

“Mas, em minha opinião, o Brasil deveria diminua o número de partidos. Hoje, a quantidade é excessiva, desnecessária. Temos que ter 5 ou 6 partidos no máximo. E aí as pessoas irão se firmar em torno do seu partido”, completou.

 

COMENTÁRIOS

*** **  ***


VÍDEOS

      
BUSCA:
© Copyright 2014 A Notícias - Política de Privacidade