POR QUE àS VEZES VEMOS SOMBRAS FLUTUANDO EM NOSSOS OLHOS?
10.02.2016

Você talvez não saiba o nome oficial, mas já deve ter visto pequenas formas flutuando em seu campo de visão.

A percepção dessas formas, também conhecidas como moscas volantes (do latim Muscae volitantes) ou floaters (flutuadores, em inglês), é chamada miodesopsia. Elas podem aparecer como pontos escuros, filamentos ou teias – e não são ilusões de ótica. Estão lá, vagando dentro de seus olhos.

Para entender a origem dessas "moscas", vale relembrar um pouco de anatomia ocular. Na parte da frente do olho fica a córnea (um tecido transparente), e atrás você tem a pupila (o centro escuro do olho) e a íris (a franja colorida ao redor da pupila). Entre a córnea e a pupila há um pequeno reservatório de líquido chamado humor aquoso.

Uma camada de células sensíveis à luz no fundo de seu olho é chamada retina. Quando os neurônios que formam a retina são estimulados pela luz, eles enviam uma mensagem pelo nervo ótico até o cérebro, entregando informações sobre o que você está vendo. Mas entre as lentes e a retina há um "oceano" de líquido conhecido como humor vítreo ou apenas vítreo.

O vítreo é uma massa gelatinosa formada principalmente por água. Diferentemente do humor aquoso, o humor vítreo nunca é reabastecido. Você irá morrer, basicamente, com o mesmo vítreo com o qual nasceu.

Isso significa que se algum objeto externo entrar no vítreo (sangue ou outras células, por exemplo), ele irá ficar por lá. E quando esses pequenos pedaços de detritos oculares tampam a passagem da luz pelo olho, eles podem lançar sombras na retina.

Essas são as sombras que percebemos como as moscas volantes.

 Ao envelhecermos, sólidos que vagam pelo olho podem se agrupar, projetando sombras na retina

Ao envelhecermos, parte dessa substância gelatinosa vai se tornando mais líquida. E quando isso ocorre, pequenos sólidos que vagam pelo vítreo podem se agrupar. Eles também projetam pequenas sombras na retina, também visualizadas como as famosas moscas volantes.

Trata-se de um fenômeno comum, se considerarmos relatos de técnicos em optometria. Um estudo no Reino Unido apontou, por exemplo, que cada optometrista recebe, em média, 14 pacientes por mês reclamando dessa situação.

Outra pesquisa usou um aplicativo de celular para verificar a incidência do fenômeno entre a população em geral. De 603 usuários, 446 (74%) reportaram essa característica na visão, mas apenas um terço reclamou sobre problemas relacionados na vista.

Tratamentos polêmicos

Para outras pessoas, o fenômeno pode trazer preocupações e danos, ou ser um prenúncio de problemas futuros. A aparição repentina e intensa de sombras na visão de pessoas idosas, por exemplo, pode indicar algo chamado descolamento do vítreo, a separação do vítreo da retina. Isso pode gerar rasgos na retina e, eventualmente, cegueira.

Um estudo recente na revista da Associação Médica Americana indicou que pacientes com um quadro grave de sombras encaminhados a oftalmologistas tinham 14% de chance de ter rasgos na retina. É um índice alto, que indica a necessidade de avaliação oftalmológica urgente.

Fonte:BBC

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