PF ENCONTRA DOCUMENTOS DE MAGGI, DELATOR E DEPUTADO EM EMPRESA INVESTIGADA
03.06.2016

A 11ª fase da Operação Ararath, da Polícia Federal, revela os desdobramentos de um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro em Mato Grosso. De acordo com declarações do delegado Wilson Rodrigues de Souza Filho, transações relativas à compra de imóveis na Capital podem ter mascarado a lavagem de dinheiro ilícito.

Foram realizadas 44 buscas e apreensões em empresas do ramo imobiliário e construção civil. Em uma delas: a construtora GMS, os policiais federais encontraram registros de apartamentos do ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) e de Gércio Marcelino Mendonça Júnior, conhecido como Júnior Mendonça, delator do esquema. Também foram apreendidas notas promissórias do deputado Mauro Savi (PSB).

Blairo é ex-governador de Mato Grosso e foi citado pelo ex-secretário de Estado Éder Moraes (que está preso) em diversos depoimentos são longo do inquérito. Foi encontrada a documentação de um imóvel de Blairo, dados sobre transferência de apartamento para o nome dele e um termo de confissão de dívida.

As três notas promissórias apreendidas em nome de Mauro Luiz Savi estavam em um cofre, cada uma no valor aproximado de R$ 29 mil, cujo avalista era Celson Luiz Duarte Bezerra, investigado na Operação Ararath.

CITAÇÕES A BLAIRO

Em 2014, o empresário Júnior Mendonça declarou à Polícia Federal que Éder ficou muito preocupado com um depoimento que sua esposa Laura Tereza deu às autoridades policiais, no começo daquele ano. Mendonça afirmou que Éder queria jogar a culpa dos atos ilícitos apenas no ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e nos deputados do "sistema", a exemplo de José Riva, Mauro Savi e Sérgio Ricardo (ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado). Tudo para "blindar" Blairo Maggi.

Consta na denúncia "que Eder Moraes relatou ao depoente que caso não aproveitasse a oportunidade, sua família seria esmagada, seriam presos e sofreriam graves consequências no processo penal. Que Mendonça declarou que falaria a verdade, sendo que Éder solicitou que o depoente blindasse o Blairo Maggi e jogasse a culpa no Silval e nos deputados do "sistema". Que o depoente não concordou com a proposta; (...)";..termo de declaração prestado em 24/02/2014.

De acordo com Júnior Mendonça, Éder Moraes tentou o manipular inflingindo-lhe medo da prisão, sua e de seus familiares. A finalidade de Éder era, de fato, se proteger e "blindar" Maggi de fatos que poderiam vir à tona, ainda desconhecidos, em razão do curso das investigações. Acuado com os desdobramentos da Operação Ararath, que estava na 5ª fase, Éder chegou a prestar entrevistas à imprensa reclamando por não ter recebido apoio de Silval e Blairo quando teve sua casa invadida em fevereiro pela PF.

O recado foi dado durante entrevista ao programa Chamada Geral, com Lino Rossi, onde Moraes disse que tanto Silval como Maggi não prestaram solidariedade a ele. "Não recebi a solidariedade nem de Blairo, nem de Silval. Acho que eles teriam que ter a hombridade de ter me ligado. ‘Companheiro, aqui é o cidadão Blairo, o cidadão Silval Barbosa. Tá precisando de alguma coisa? Houve algum problema? Conte conosco‘. Porque afinal de contas, eu cuidei do caixa dos dois. Não é assim que se trata companheiro, deixando na beira da estrada", alfinetou Éder em 20 de fevereiro de 2014.

No inquérito, ainda não está clara a verdadeira participação de Blairo Maggi, se é que ocorreu. O ministro Dias Toffoli não acatou, à época, pedido do MPF para fazer busca e apreensão na casa, escritório e gabinete de Maggi. Seu nome figura nas denúncias por conta de citações que Éder Moraes fez a Mendonça. O empresário negou à PF que tenha se encontrado pessoalmente com o ex-governador.

"A grande maioria das vezes, Éder dizia estar a mando do governador, que na época era Blairo Maggi. Que inúmeras vezes o depoente ouviu de Éder: ‘Acabei de almoçar com o governador. Comemos um bacalhau e ele determinou que eu resolvesse esse problema‘. Que o problema era sempre a solicitação de empréstimos operacionalizados pelo depoente. Que o depoente justifica sua convicção de Éder representar Blairo, pois este foi nomeado como secretário de estado de Fazenda por Blairo."

"Que outro fundamento de convicção do depoente de que Éder Moraes falava em nome de Blairo Maggi foi quando Éder convenceu o depoente a tomar empréstimo no Bic Banco pela Amazônia Petróleo, sem que qualquer necessidade financeiro por parte de sua empresa, mas sim para repassar diretamente a Éder, e questionou a facilidade na liberação dos empréstimos. Que o gerente do banco respondeu que Blairo teria conversado com um dos proprietários do Bic Banco, cuja orientação era de que atendesse todas as necessidades financeiras de Éder", disse Júnior Mendonça.

NOVA FASE

A 11ª fase da Operação Ararath investiga agora o rastro do dinheiro ilítico movimentado pelos investigados. De acordo com a PF, os indícios para chegar a este ponto da operação foram crimes de já praticados pelos investigados.

"Temos como indícios os crimes antecedentes que os investigados praticaram. Por exemplo, corrupção, crime contra o sistema financeiro, e você rastreia o dinheiro. O princípio é você rastrear o dinheiro e as operações e isso pode levar a outras operações consequentes a essa movimentação de recursos ilícitos. Então foi feito essa rastreamento até chegar no ponto que a gente chegou agora", contou o delegado.

A Polícia Federal apura também a suspeita que esses recursos tenham sido usados em campanhas eleitorais. Desde 2013, a Ararath investiga um grande esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. A Polícia Federal ainda trabalha em 14 inquéritos que estão em andamento, em decorrência da operação.

CONSTRUTORAS

Os nomes dos envolvidos e das empresas não foram divulgados pela Polícia Federal, já que o processo está sob segredo de justiça. Agentes públicos e políticos teriam direta ligação com o esquema, no entanto, a reportagem optou por não especular, respeitando a ampla defesa dos investigados.

Apenas dois empresários foram flagrados pela imprensa local prestando depoimentos na sede da Polícia Federal: Marcelo Maluf, dono da Construtora São Benedito, e Georges Maluf, que responde pela GMS Construtora

 

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