POLíCIA FEDERAL FAZ OPERAçãO CONTRA CONTRABANDO EM QUATRO ESTADOS
16.06.2016

 

Sete aviões monomotores foram apreendidos pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (16) durante uma operação de combate ao crime de contrabando de mercadorias. A ação ocorre em cidades do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e cumpre 138 mandados judiciais. De acordo com a PF, a quadrilha movimentava cerca de R$ 3 bilhões por ano em mercadorias contrabandeadas.
No Paraná, os mandados foram cumpridos em Maringá, Paranavaí, Loanda, Amaporã, Foz do Iguaçu e Londrina. No estado, cinco pessoas foram presas - um piloto em Maringá, três agenciadores de frete em Foz do Iguaçu, e uma funcionária de uma bomba de combustível do aeroporto de Paranavaí. Na fronteira também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão.
De acordo com a Polícia Federal, o aeroporto de Edu Chaves de Paranavaí, no noroeste do estado, era usado como base das quadrilhas. "Era um entreposto operacional. Os grupos criminosos utilizavam o aeroporto para abastecer, manutenção de aeronaves e também como rota. Eles passavam por ali para seguir ao Paraguai. Os grupos retornavam e pousavam em pistas clandestinas do interior de São Paulo", explica o delegado da Polícia Federal Alexander Noronha Dias.
Os sete monomotores apreendidos na operação desta quinta-feira estavam no Paraná e São Paulo. Uma aeronave foi localizada no aeroporto 14 bis em Londrina, três estavam em Ituverava, duas em Orlândia e uma em Barretos.
A ação conta com 360 policiais federais e foi batizada de Celeno. Do total de mandados, 28 são de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 18 de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento, e 77 de busca e apreensão. A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período. Já a prisão preventiva é por tempo indeterminado.Também foram decretados bloqueio de contas bancárias e sequestro de imóveis.
Investigações
As investigações começaram em 2013 e identificaram quatro grupos criminosos. Ainda conforme a PF, eles conduziam aeronaves de Salto Del Guairá, no Paraguai, até pistas clandestinas no interior de São Paulo. As mercadorias eram então retiradas dos aviões e escoadas para entrepostos de armazenamento, de onde eram transportadas por caminhões e veículos até os destinatários finais.

As investigações apontaram que pelo menos 12 aeronaves eram utilizadas pelos criminosos, realizando até dois voos diários, e que cada uma levava cerca de 600 quilos de mercadorias, num valor estimado de 500 mil dólares por frete ilícito.

Os materiais, principalmente equipamentos eletrônicos, eram vendidos para grandes empresas. Um dos grupos comercializava as mercadorias em empresas próprias emRibeirão Preto, no interior de São Paulo e na capital paulista.

"Normalmente, eram mercadorias de alto valor agregado, como notebooks, pen drive. Outro tipo de mercadoria não compensaria o alto preço do frete por meio de aeronaves.Além disso, em algumas situações detectamos o contrabando de medicamentos e anabolizantes", detalha o delegado Dias.

Aeronaves apreendidas
Quatro aeronaves foram apreendidas ao longo das investigações. Os aviões foram localizados emAmaporã e Paranavaí, no Paraná, Borebi, em São Paulo e Eldorado, no Mato Grosso do Sul. Uma delas é um monomotor, alvejado pela Força Aérea Brasileira (FAB), em outubro de 2015, quando tentava retornar ao Paraguai carregado de mercadorias.

Os grupos, responsáveis pelos fretes aéreos, eram contratados por agenciadores que tinham sede em Foz do Iguaçu e no Paraguai.

"Conseguimos identificar e prender todas pessoas que fazem parte do grupo criminoso. Desde as pessoas que financiavam até quem ajudava na logística da organização", pontua o delegado Alexander Noronhas Dias.

Porto seguro em Paranavaí
De acordo com a Polícia Federal, o aeroporto de Paranavaí era o porto seguro da quadrilha, pois favorecia o transporte do contrabando.

"O aeroporto em Paranavaí era o porto seguro do grupo. Para se ter uma noção, era tão porto seguro que a quadrilha optou por deixar a aeronave alvejada no Mato Grosso do Sul em Paranavaí ao invés de deixá-la no Paraguai. O aeroporto está em uma posição estratégica, não tem fiscalização e os criminosos eram próximos a algumas pessoas que trabalhavam no terminal. Tudo isso favoreceu", explica o delegado da Polícia Federal Alexander Noronha Dias.

O nome Celeno "remete à mitologia grega na qual Celeno é uma harpia, um monstro mitológico. O nome ainda tem o significado “obscuro” ou “escuridão”, explica a PF.

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Delegados da Polícia Federal detalharam o funcionamento da organização criminosa que contrabandeava mercadorias do Paraguai (Foto: Honório Silva/RPC)
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