ESTAVA SEMPRE COM UM SORRISO NO ROSTO', DIZ AMIGO DE DANçARINO MORTO
23.04.2014

Amigos de infância e de trabalho do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, de 26 anos, encontrado morto terça-feira (26) no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio, estão inconformados com a morte do jovem. O corpo do dançarino foi encontrado numa creche da comunidade. DG fazia parte do Bonde da Madrugada, do programa "Esquenta", de Regina Casé.

GNews - Dançarino DG (Foto: globonews)
Dançarino DG no ‘Esquenta‘ (Reprodução Globo)

Segundo o amigo Wagner Barnabé da Silva, 20 anos, integrante do grupo e amigo de Douglas, ele era uma pessoa incapaz de fazer mal a qualquer pessoa. “Ele estava sempre com um sorriso estampado no rosto. Ninguém aqui na comunidade tinha nada de mau para falar dele. Era trabalhador que tinha como meta vencer na vida através do sucesso com o funk”, afirmou Barnabé.

A violência de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora com moradores do Pavão-Pavãozinho é antiga, segundo Wagner. “Ninguém pode andar na rua de madrugada que eles querem esculachar. Eles podem me revistar de manhã, quando saio para trabalhar, que à noite, quando volto com a mesma roupa, eles vêm me revistar outra vez. Eles levam as pessoas para o cantinho para dar tapa na cara”, criticou.

O amigo Denilson Benvindo da Silva, de 21 anos, também integrante do Bonde da Madrugada, disse que o grupo começaria a gravar o primeiro clipe agora. “Era o sonho dele. Estávamos juntando dinheiro para isso. O DG era o capitão do grupo. Não sei o que vamos fazer agora, mas vamos realizar o sonho dele”, afirmou Denilson, com a voz embargada. Segundo ele, na terça-feira às 9h24 chegou a mandar uma mensagem via whatsap para DG, mas não teve retorno. “Ele sempre me respondia na hora. Depois de um tempo já comecei a ficar preocupado. Logo depois veio a notícia”, lamentou o amigo.

O futuro do grupo, criado por DG há oito anos, ainda é incerto. “Ainda não paramos para ver o que faremos. Não temos ideia de nada. Éramos uma família, éramos irmãos”, lamentou Wagner, destacando que Douglas dormia com frequência na sua casa.

Sobre a escolha do grupo para fazer parte do ‘Esquenta ‘, Wagner lembra que foi a própria apresentadora Regina Casé que os selecionou pessoalmente. “Uma manicure da Regina que mora aqui no morro mostrou o vídeo da gente dançando e a Regina pediu para irmos lá fazer um teste. Ela mesmo disse que tínhamos passado e depois a Globo ligou para nos contratar”, afirmou Wagner.

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou, através de sua assessoria, que não recebeu nenhuma denúncia de abuso cometido por policiais contra moradores da comunidade. Ainda de acordo com o polícia, as pessoas que se sentirem ameaçadas ou agredidas podem procurar o comandante da unidade ou, caso prefiram ter o anonimato garantido, podem recorrer à Ouvidoria da PM, através do telefone 3399-1199.

‘Meu filho ia virar outro Amarildo‘, diz mãe de dançarino morto no Rio
Demonstrando revolta, a mãe do dançarino disse que voltará à 13ª DP (Ipanema) nesta manhã para apresentar laudo pericial da morte do filho.

Maria de Fátima da Silva, mãe do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira (Foto: Daniel Silveira/G1)
Maria de Fátima da Silva, mãe de Douglas
(Foto: Daniel Silveira/G1)

"Um advogado da OAB me ajudou a conseguir o laudo. Disseram [a Polícia Militar] que ele morreu vítima de queda. Mas ele foi espancado pelos policiais da UPP, que arrastaram o corpo e esconderam. Meu filho ia virar outro Amarildo", disse a Maria de Fátima. A UPP Pavão-Pavãozinho nega envolvimento de policiais na morte de Douglas.

O pedreiro Amarildo Dias de Souza, citado pela mãe do dançarino, sumiu após ser levado por policiais militares para a sede da UPP Rocinha, durante a "Operação Paz Armada", entre os dias 13 e 14 de julho. Na versão inicial da PM, o pedreiro teria passado por uma averiguação e deixado o local sozinho.

Corpo em creche
Segundo o comando da UPP Pavão-Pavãozinho, houve tiroteio durante ação da PM na noite de segunda-feira (21) na comunidade. O corpo do dançarino foi encontrado numa creche, no fim da manhã desta terça. DG fazia parte do Bonde da Madrugada, do programa "Esquenta", de Regina Casé. Em nota, apresentadora lamentou a morte e pediu que o crime seja esclarecido. “Eu estou arrasada e toda a família Esquenta está devastada com essa notícia terrível.

Mais cedo, a assessoria de imprensa da Globo informou que a "família Esquenta! está profundamente abalada e triste com a notícia da morte". "Perdemos um dos mais criativos dançarinos que já conhecemos em qualquer palco. Desde a primeira temporada do nosso programa, há quatro anos, DG só alegrava nossas gravações. Ele vai sempre ser lembrado em nossas vidas por estas duas palavras: alegria e criatividade”, diz o texto.

Tumulto, mais um morto e reforço
O policiamento segue reforçado na manhã desta quarta-feira (23) nas proximidades do Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio, após protesto violento iniciado quando foi encontrado o corpo do dançarino do programa "Esquenta" Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, de 26 anos, nesta terça (22). A confusão se espalhou pelas ruas do bairro, com tiros, bombas, quebra-quebra relatados por moradores e a morte de um homem, baleado na cabeça. O Pavão-Pavãozinho foi pacificado em 2009.

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