“CIDADãO COMETE CRIME A VIDA TODA, DEPOIS VIRA SANTO E FAZ DELAçãO”
04.04.2017

O governador Pedro Taques (PSDB) colocou em xeque o depoimento do ex-deputado José Riva, que confessou, na última sexta-feira (31), que as últimas gestões do Executivo pagavam propinas milionárias para deputados, no intuito de obter apoio ao Palácio Paiaguás.

 

A denúncia foi feita no reinterrogatório da ação penal derivada da Operação Imperador, conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. Segundo Riva, 34 parlamentares teriam recebido uma espécie de “mensalinho” para apoiar a gestão do então governador Blairo Maggi (PP) e de Silval Barbosa (PMDB).

 

Taques comparou as declarações do ex-parlamentar a uma delação premiada e disse que o instrumento vem sendo utilizado como forma de chantagem.

 

Temos que atentar para delações. É muito fácil, um cidadão comete crimes a vida toda, de repente vira santo e faz delação

“Quero ressaltar a importância da delação como instrumento penal e criminal. No entanto, no Brasil, a delação está virando instrumento de chantagem política. Algumas até de comércio”, afirmou.

 

“Então, temos que atentar para delações. É muito fácil, um cidadão comete crimes a vida toda, de repente vira santo e faz delação”, completou.

 

O tucano preferiu não comentar se a confissão de Riva pode pesar de modo negativo aos pré-candidatos à vaga do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo.

 

Os deputados Guilherme Maluf (PSDB), José Domingos Fraga (PSD) e Sebastião Rezende, cotados ao cargo, foram citados por Riva como beneficiários do “mensalinho”.

 

“Eu não vou jantar antes de almoçar. Não posso desrespeitar a Assembleia Legislativa. Não sei nem se tem vaga no TCE agora. Dizem que tem conselheiro que vai se aposentar. Eu não sei se tem vaga. Quando tiver, a Assembleia indica e o Governo assina o decreto ou não”, resumiu.

 

As acusações

 

O ex-deputado estadual José Riva revelou que os governos do falecido Dante de Oliveira, do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi e de Silval Barbosa (PMDB), pagavam propinas milionárias para deputados, no intuito de ter o apoio deles na Assembleia Legislativa.

 

Apenas de 2005 a 2008, segundo Riva, o governo de Blairo teria repassado um total de R$ 37,5 milhões a boa parte dos deputados à época. Para executar os repasses ilegais, de acordo c

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