PAI DE PEDREIRO MORTO PELA PM DESMENTE VERSãO DE POLICIAIS E DENUNCIA TORTURA; VíDEO
20.03.2017

O pedreiro Bendito da Silva, 52, testemunha do assassinato do próprio filho, Benilson da Silva, 29, desmentiu a versão da Polícia Militar (PM) de que o rapaz havia sido abordado na rua e negou que ele tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. A vítima foi morta com um tiro no tórax durante abordagem no bairro Santa Rosa II, em Cuiabá, na noite de domingo (19). Ao contrário do que foi informado pelos policiais, que relatam tê-lo abordado após uma atitude suspeita na rua, o pai relata que Benilson estava jantando na casa de uma prima, quando a residência foi invadida. Ele alega ainda ter sido vítima de tortura após receber voz de prisão. 

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À espera pela liberação do corpo, na manhã desta segunda-feira (19), Benedito contou ao Olhar Direto que os militares entraram no local, onde ocorria um almoço beneficente, sem mandado e de forma truculenta, causando a reação das pessoas que estavam ali. Na sequencia, o pai, que também mora na região foi avisado sobre o que acontecia. “Quando me aproximei pra saber o que estava acontecendo, um policial apontou a arma pra mim. Eles dizem que eu tentei tomar o revólver dele, mas eu só coloquei a mão na frente e desviei a mira pra me defender. Eu nem encostei nele.”

O pedreiro que classifica a ação como execução, reforça que o filho nunca teve envolvimento com drogas e que, sequer, possui histórico criminal. ”Ele morava comigo e sempre trabalhou de pedreiro, me ajudando. Eu tenho quatro filhos e nenhum nunca mexeu com isso. Ele nasceu e cresceu aqui no bairro, todos sabem. Tanto que a polícia não apreendeu droga nenhuma aqui. Pode perguntar a qualquer um, procurar se ele tem passagem. Não tem nada contra meu filho. Era boa gente, honesto.”

De acordo com o boletim de ocorrência nº201793541, durante a confusão a PM realizou alguns disparos para conter o tumulto. Na sequência, mais um tiro foi efetuado e atingiu Benilson no tórax. Diante do ferimento, um colega de Benedito identificado como Sandro Lúcio Galdino, 38 e sua sobrinha, Cleidiane Ferreira da Silva, 26, colocaram o homem atingido em seu carro e o encaminhado ao Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC).

Sob disparos, os três teriam sido perseguidos por uma viatura, que forçou sua parada com um tiro no pneu. “Eles tiveram que parar e falar que só estavam ajudando, porque meu filho estava mal. Os policiais viram a situação e mandaram eles prosseguirem até o hospital, mesmo com o pneu todo estourado.”

Benedito também se deslocou à unidade, onde ele e as outras duas pessoas que prestaram socorro à vítima receberam voz de prisão, sendo colocadas no camburão e levadas ao Cisc Planalto. Segundo ele, depois que já estavam no veículo, os militares ainda utilizaram spray de pimenta. “Isso pra mim é tortura. Nós já estamos presos, dentro do camburão. Qual é a necessidade do spray?”

O homem questiona a truculência da Polícia e a falta de preparo para imobilizar uma pessoa, em caso de necessidade. “Eu acredito que eles poderiam ter agido de outro jeito, imobilizar utilizando a força ou armas não letais. Se fosse preciso de um tiro, por que não foi na perna? Eu não acredito que a polícia não seja preparada pra matar uma pessoa desse jeito absurdo, e se for, isso está errado.”

Na tarde de hoje ele se reunirá com outros moradores do bairro em uma passeata pedindo por justiça. Embora tema pela segurança da família, não poderá se omitir diante da injustiça. “A gente tem medo do que pode acontecer, mas vou fazer o que? Me calar? Meu filho está deixando três crianças pequenas, a mais velha tem cinco anos. Como ficam essas crianças agora? O que vai passar na cabeça delas? Nisso ninguém pensa”, finaliza.

O boletim de ocorrência

Segundo o documento, Benilson foi perseguido após ser visto com os outros três detidos, inclusindo seu pai, em atitude suspeita na esquina da Avenida Brasil com a Rua São Paulo. Ele chegou a fugir a pé do local, tentando se livrar de uma porção de cocaína ao jogá-la em frente a uma residência. Neste momento ele foi abordado pela Polícia Militar (PM) e partiu para cima dos policiais dizendo que não seria preso.

Populares teriam tentado impedir sua detenção e de outras três pessoas, jogando latas e garrafas de bebidas contra os profissionais, que teriam entrado em luta com os suspeitos. 

Por meio de nota o Comandante Regional da Polícia Militar (CR1), coronel Edgar Mauricio Monteiro Domingues informou que irá instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM), para averiguar a ação policial. A Corregedoria da Polícia Militar recebeu na tarde desta segunda-feira (20), a denúncia contestando a ação policial. Além disso, coletou depoimentos da família do cidadão, que serão anexados no inquérito instaurado. 

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