“GOVERNADOR NãO PODE ESCOLHER QUEM VAI MORRER OU VIVER”
27.03.2017

A saúde pública em Mato Grosso é apontada como um dos principais gargalos da atual gestão e o problema foi reconhecido pelo governador Pedro Taques (PSDB), na manhã desta segunda-feira (27).

 

Durante solenidade de inauguração da Central de Regulação de Saúde de Mato Grosso, o governador afirmou que ainda há muitas falhas na Saúde do Estado.

 

Ele chegou a citar avanços de outras áreas de sua administração, mas disse que não ficará feliz caso não consiga resolver os principais problemas da Saúde até ao final de seu mandato.

 

“Temos recebido muitos elogios na área de segurança. Muitos. Mato Grosso tem 15 mil servidores da segurança, nós chamamos 3.663 servidores para essa área. Diminuímos os homicídios no Estado em 45%. A administração passada, em oito anos, fez 830 km de estradas. A nossa, em dois anos, fez 1.430 quilômetros”, listou.

 

Quero confessar que não terminarei meu mandato feliz se não virarmos a chave na saúde, se não dermos dignidade ao cidadão. Não é o governador que tem escolher quem vai viver ou morrer

“Eu, como governador, fico feliz com isso, mas quero confessar aos senhores que não terminarei meu mandato feliz se não virarmos a chave na saúde, se não dermos dignidade ao cidadão, se a regulação não funcionar. Não quero receber telefonema, como governador, de alguém dizendo que fulano está na UTI e precisa ser transferido para um hospital. Não é o governador que tem escolher quem vai viver ou morrer. Precisamos ter um sistema que seja, no mínimo, ético”, afirmou o governador, durante a solenidade.

 

Apesar de reconhecer as falhas, o governador ressaltou que os principais problemas da saúde pública são fruto de anos de descaso com o setor.

 

“Sem que possamos melhorar a saúde pública do nosso Estado, confesso que passarei por aqui sem concretizar meu sonho. Não serei um governador feliz se não resolvermos esses problemas. Nós, do Governo, todos os secretários, estamos imbuídos em ajudar a Secretaria de Saúde”, disse.

 

“Já estamos virando a chave da saúde, mas não temos condições de fazer em dois anos, porque a saúde de Mato Grosso não foi arrebentada, estragada, menoscabada, violada, desrespeitada em dois anos”, afirmou.

 

Ele citou também que, em 2012, houve um “desmanche da saúde em Mato Grosso”, quando foi aprovada a lei que cortava 50% dos recursos para atenção primária.

 

“Conseguimos revogar essa lei em 2016. Agora, precisamos controlar esses recursos para saber se valores estão sendo bem aplicados”, disse.

 

O governador disse ainda que um de seus desafios é encontrar o melhor caminho para amenizar os problemas da saúde.

 

Ele citou que alguns cenários estão sendo avaliados e que passam pela administração direta por parte dos Estados, pelos consórcios de saúde ou ainda pelas Organizações Sociais de Saúde (OSSs).

 

“Acredito na iniciativa privada na saúde, mas não nesta picaretagem de organizações sociais que estiveram no Estado. Acredito na saúde pública, sou um entusiasta do capítulo da Constituição que fala do SUS”, disse.

 

“Agora, qual o melhor modelo para administrar hospitais? Não tenho essa panaceia, esse remédio para resolver todos os males da administração desses hospitais. Será que é administração direta por parte dos Estados? Temos condições de fazer concurso agora? A LRF [Lei de Responsabilidade Fiscal] permite? Será que é através de OSSs sérias? Por meio dos consórcios ou vamos criar uma empresa mato-grossense de administração hospitalar? O cidadão, quando está com uma doença, grave não quer saber se vai ser atendido por OSS que presta, por um consórcio ou administração pública. Ele quer ser bem atendido, porque este é o direito constitucional dele. Isso que vamos buscar realizar”, concluiu o governador.

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