PROPOSTA PARA REGULARIZAçãO DE TERRAS DE ESTRANGEIROS DIVIDE GOVERNO E AGRADA A EMPRESAS
27.03.2017

Proposta para regularização de terras de estrangeiros divide governo e agrada a empresas

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defende a adoção de restrições no caso das “culturas anuais” como soja e milho. A área econômica e o Planalto não aceitam essas limitações

 

Divulgação/El Tejar

El Tejar tem 75 mil hectares em Mato Grosso

 

 

A proposta do governo Michel Temer para regulamentar a compra de terras por estrangeiros enfrenta uma divergência interna de peso. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, reconhece que a medida aumentaria o financiamento ao setor agrícola, mas defende a adoção de restrições no caso das “culturas anuais”, como soja e milho – dois dos principais produtos de exportação do país. A área econômica e o Palácio do Planalto não aceitam essa restrição justamente no setor mais atrativo: o agronegócio.

O projeto deve ser fechado pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e enviado ao Congresso ainda nesta semana. O governo quer permitir a venda de até 100 mil hectares para estrangeiros. É muito acima do que está previsto hoje, mas aquém do que muitas empresas controladas por estrangeiros já possuem no país. Ouvidas pelo Congresso em Foco, algumas dessas empresas manifestaram otimismo.

Blairo teme que fundos de investimentos estrangeiros comprem uma grande área para implantar essas “culturas anuais”, mas deixem de plantar em determinado ano por causa de condições adversas no mercado internacional. “Isso seria o caos para a economia, para os municípios”, argumenta. Ele defende a exigência de uma cota de produção anual. Mas não vê problemas no caso das culturas perenes, como cana-de-açúcar, café, laranja e eucalipto – essa destinada à produção de celulose.

O ministro conhece bem o agronegócio. Ele é acionista da Amaggi, uma das maiores empresas do ramo na América Latina e com presença na Holanda, Noruega, Suíça e Argentina. No ano passado, a empresa plantou 282 mil hectares de soja, milho e algodão. O grupo tem espalhadas pelo país duas indústrias de processamento de soja e dez fazendas, além de 28 armazéns – a maior parte em Mato Grosso.

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