SARGENTO DA PM ENTREGA NOTEBOOK COM ESCUTAS E TEME SER MORTA EM MT; LEIA DEPOIMENTO
30.05.2017

Em depoimento espontâneo à Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso na última sexta-feira, a 3ª sargento da Polícia Militar de Mato Grosso, Andréia Pereira de Moura Cardoso, assumiu ter atuado no sistema de intercpetações telefônicas ilegais a mando dos coroneis Zaqueu Barbosa, que está preso, e Airton Benedito Siqueia Júnior, atual secretário de Justiça e Direitos Humanos. A policial revelou que era orientada pelo cabo da PM, Gerson Luis Correira Júnior, que também está preso acusado de participar do esquema de arapongagem, revelado no último dia 14 pelo Fantástico (Rede Globo).

Andreá explicou que, em meados de 2014, foi convidada pelo então comandante do Ciopaer (Centro Integrado de Operações Aéreas), Siqueira Júnior, para procurar o coronel Zaqueu  Barbosa na sede do Comando Geral, "pois teria um serviço no setor de inteligência na interceptação telefônica". "O policial Gerson iria ser o responsável em explicar como seria o serviço porque teria muito conhecimento nessa área", explicou a sargento em depoimento obtido com exclusividade pelo FOLHAMAX.

Segundo Andréa  Cardoso, após alguns dias, Zaqueu lhe telefonou e mandou procurar Correia na sede do comando geral. Os dois se encontraram na sala do coronel, onde foi explicado que ela ouviria policiais militares suspeitos de envolvimentos em crimes.

Após um período, Correia informou que a sargento deveria ir ao edifício Master Center, na rua Desembargador Ferreira Mendes, número 234, sexto andar, nas proximidades do morro da Caixa D´Água, em Cuiabá, para iniciar os trabalhos. Ao chegar ao local, Andrea encontrou dois quartos com computadores completos e fones de ouvido, além de cerca de 15 telefones celulares acoplados a um outro computador.

Andréia comentou que inicialmente ficava das 13h às 18h sozinha na sala e que Gerson Correira aparecia de forma esporádica no local. No entanto, com o aumento da demanda de trabalho, o policial Clayton Dorileo também passou a trabalhar no mesmo lugar.

De acordo com a sargento, cada policial recebia um login e uma senha para operar o sistema. Ela contou que o apartamento foi usado até julho de 2015, sendo que sargento Torezan, que trabalhava à época no Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), esteve no local para cadastrar Clayton Dorileo.

A sargento ainda informou que  Correia a informou que a base das escutas seria fechada e que ela continuaria os trabalhos em sua residência, utilizando o seu próprio computador. Ela detalhou que teve problemas para instalar o programa, que acabou sendo feito por Torezan.

Andréia ressaltou que ouvia os áudios das interceptações achando que seriam, de fato, PMs suspeitos de práticas criminosas. "Fazia as anotações das partes importantes com as respectivas datas e horários", disse, ao garantir que ouvia policiais militares.

A policial confirmou que chegou a acompanhar conversas de uma suposta traficante identificada como "Tati", mas não sabe se seria a publicitária Tatiana Sangali, que teria sido um dos alvos das escutas. Ela também garantiu que não ouviu "jamais pessoas citadas pela imprensa" no caso dos grampos, como por exemplo, a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), além de advogados, jornalistas, médicos e outros.

Em seu depoimento, ela apontou que um policial conhecido como "Soller" também tinha acesso ao sistema, pois o mesmo deixava registrado o "codinome de todos". Andréia explicou que não sabe quem pagava as despesas do aluguel do apartamento.

Segundo ela, existiam "pastas com outros alvos" dentro dos computadores, mas ela não detinha acesso. Andréia comentou que em setembro de 2015 encerrou o serviço que fazia em sua residência e que somente em novembro recebeu uma ligação de Correia Júnior informando que ela deveria se apresentar na Casa Militar ao coronel Siqueira Júnior, que à época comandava a pasta.

Neste encontro, conforme a policial, o coronel lhe disse que o serviço de inteligência estava encerrado e ela seria designada para atuar como secretária na Casa Militar. Em 2016, Andréa passou a atuar com "proteção de dignatários" na secretaria.

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