DELEGADO ALEGA QUE JUíZA FOI "MAL INFLUENCIADA" AO SUSPEITAR DE GRAMPOS DO GCCO
05.06.2017

O delegado da Polícia Judiciária Civil (PJC), Flávio Stringuetta, disse que a juíza Selma Rosane Santos Arruda pode ter sido “mal influenciada” no ofício que ela enviou à Corregedoria do Tribunal de Justiça solicitando informações sobre supostas interceptações telefônicas ilegais que teriam ocorrido em duas operações policiais. Uma da operações, denominada “Querubim”, ocorreu em 2015 e era conduzida pelo próprio Stringuetta, que à época comandava o GCCO (Grupo de Combate ao Crime Organizado). A eclaração foi dada em entrevista a Rádio Capital na manhã desta segunda-feira (5). 

O delegado explicou que pediu pessoalmente à juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), que autorizasse a quebra do sigilo telefônico de duas pessoas que estariam envolvidas num suposto plano para “prejudicar” o governador Pedro Taques (PSDB), em 2015. As informações sobre os suspeitos, de acordo com Stringuetta, teriam sido passadas por uma pessoa não identificada e pela própria Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).

“Me surpreende que esse ofício foi divulgado. Trouxe uma mácula a minha operação. Acho que ela [Selma Arruda] pode ter sido mal influenciada por alguma informação desencontrada. Em 2015 recebi a informação da Secretaria de Segurança Pública que duas pessoas estariam arquitetando um plano contra o governador Pedro Taques. Na época instaurei um inquérito policial, fizemos um levantamento de praxe antes de iniciar qualquer ação cautelar como a interceptação”, disse o delegado.

Um dos nomes repassados pela Sesp-MT a Flávio Stringuetta é a da suposta amante do ex-Secretário Chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques. O delegado pondera que após a investigação inicial na PJC, solicitou a juíza Selma Arruda a autorização para realizar a interceptação telefônica dessas duas pessoas suspeitas do plano de prejudicar o governador. Porém, após 45 dias de diligência, o inquérito foi arquivado por falta de provas.

“No momento que tivemos certeza que era necessária a interceptação telefônica eu apresentei esse despacho pessoalmente a juíza Selma. Essa operação foi denominada ‘Querubim’ e transcorreu durante 45 dias. Foi uma operação curta. Nesses 45 dias eu tive a convicção que o governador não corria risco nenhum por conta daquela situação. A pessoa que era o alvo principal queria sim trazer problemas ao então Secretário da Casa Civil, Paulo Taques”, disse Stringuetta, fazendo referência a amante grampeada.

A outra operação indicada por Selma Arruda que é suspeita da prática conhecida como “Barriga de Aluguel” - que consiste em pedir a autorização de um juíz, normalmente realizada pela PJC ou o Ministério Público Estadual (MP-MT), para interceptação telefônica de uma pessoa que não possui relação com o crime investigado -, recebeu o nome de “Fortis”, e teria sido realizada em fevereiro de 2015. A investigação acompanhava a atuação do crime organizado (PCC e Comando Vermelho) dentro dos presídios do Estado.

Stringuetta, no entanto, limitou-se a dizer que os motivos da inclusão do nome da suposta amante de Paulo Taques na operação “Fortis” deveriam ser esclarecidos pela autoridade responsável no caso, a delegada da PJC Alana Cardoso.

Questionado sobre a alegação de Alana Cardoso – que em ofício encaminhado na última quinta-feira (1) a Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT) afirmou que há uma tentativa de “tumultuar” as investigações sobre os grampos telefônicos no Estado que tramita na Procuradoria Geral da República (PGR) -, o delegado, escolhido para presidir o inquérito que vai investigar se essas escutas teriam ocorrido na PJC, reconheceu ter uma opinião, contudo, optou por não emiti-la sob pena de ser afastado do caso.

“Eu tenho sim minha opinião. Mas como fui nomeado para investigar toda essa situação qualquer opinião que eu emita pode me trazer suspeição na continuidade da investigação. Então eu vou abster de emitir neste momento minha opinião e deixar que a justiça encontre seus resultados e traga para a sociedade todas as respostas que ela precisa”, alegou.

O delegado ainda teceu elogios a juíza Selma Arruda, dizendo que ela é uma pessoa “séria e correta”. “Não vejo nenhum problema na nossa relação. Tenho também o maior respeito por ela. Sempre tivemos bons contatos. Sempre foi muito séria, muito correta”.

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