EMPRESAS DE TI LIGADAS A EMPRESA ABERTA EM NOME DE “LARANJA” POR DELATOR AINDA FATURAM ALTO EM MT
05.06.2017

Escândalo pode vir à tona em breve e abalar estruturas políticas do Estado; importantes órgãos públicos ainda têm vultosos contratos

DA REDAÇÃO

Mesmo depois de reveladas várias falcatruas das quais tomou parte, um certo “delator” – cujo nome e sobrenome não podemos aqui citar por ordem judicial – ainda deve aparecer no noticiário político (e quem sabe policial!)  em escândalo que promete explodir muito em breve, conforme confidenciaram fontes fidedignas do Centro-Oeste Popular.

É que a tal firma dele teria emitido notas supostamente para lavar dinheiro destinado ao abastecimento de esquemas de contratos milionários em serviços de Tecnologia de Informação (TI) para órgãos públicos diversos em Mato Grosso.

Conforme já denunciado aqui neste espaço há muitas luas - na edição nº 618 -, uma das empresas que mais faturaram nos últimos anos dos cofres públicos matogrossenses em Tecnologia da Informação está sediada no Rio de Janeiro, mais precisamente na cidade de Petrópolis – é a Allen Rio Serviços e Comércio de Produtos de Informática Ltda. Mesmo tão distante, a empresa abocanhou muitos contratos em Mato Grosso desde o ano de 2009 (leia tabela).

Naquele ano, até que o faturamento por aqui não foi lá tão grande: “apenas” R$ 62,4 mil do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). No ano seguinte, as coisas começaram a melhorar para a firma, que recebeu R$ 100 mil do Fundo de Gestão Fazendária (Fungefaz) e quase o dobro desse valor do Fundo Estadual de Saúde (FES).

Mas foi a partir de 2011 que a empresa passou a encher as burras com dinheiro público em Mato Grosso. Naquele ano, só do Fungefaz a Allen Rio recebeu mais de R$ 1 milhão. Do Fundo de Apoio ao Judiciário (Funajuris), quase R$ 3 milhões. Mais de meio milhão de reais foram pagos pela Secretaria de Educação (Seduc) e outros R$ 212 mil pelo Detran – além de uns ‘picadinhos’ da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Auditoria Geral do Estado (AGE).

No ano seguinte não foi muito diferente. Da Seduc, a Allen Rio recebeu em 2012 quase R$ 3,5 milhões. Da Secretaria de Fazenda (Sefaz), mais de R$ 200 mil. Do Funajuris, quase R$ 600 mil, além de outros R$ 304 mil do FES e um “picadinho” pouco superior a R$ 35 mil da Secretaria de Planejamento (Seplan).

Mas tudo isso é “trocadinho”, se comparado ao faturamento registrado pela empresa em Mato Grosso entre 2013 e 2014. Em 2013, só o Centro de Processamento de Dados (Cepromat) pagou à Allen Rio mais de R$ 30 milhões. Da Sefaz, a firma recebeu quase R$ 1 milhão e aproximadamente metade disso da Seduc. O Tribunal de Justiça (TJMT) pagou quase R$ 5,5 milhões à empresa, que também recebeu outros R$ 147 mil do Funajuris, além de uns “picadinhos” da MT Participações e Projetos (MT-PAR) e da Seplan, que somam pouco mais de R$ 116 mil.

Em 2014, o lucro da Allen Rio ainda não chegou nem perto - mas permaneceu astronômico. Só do Cepromat, a empresa recebeu mais de R$ 7 milhões. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) pagou mais de R$ 5 milhões à firma, que também recebeu mais de R$ 800 mil da Sefaz naquele ano, além de um “picadinho” da MT-PAR, pouco superior a R$ 93 mil.

RP TECNOLOGIA

 

Conforme apurou a reportagem do Centro-Oeste Popular, quem está à frente das misteriosas operações da Allen Rio em Mato Grosso é o empresário Antonio Fernando Ribeiro Pereira.

Em 2004 o empresário, em sociedade com a irmã Maria Estela Ribeiro Pereira, constituiu a RP Tecnologia de Informação Ltda. Inobstante o nome da firma, o objeto social é bem mais amplo e lembra aquelas conhecidas empresas habilitadas a vender de agulha até helicóptero.

“A sociedade tem como objetivo o ramo de processamento de dados; digitação e locação de espaço na rede mundial de computadores para veiculação de propaganda; serviços de expediente; comércio de móveis novos e usados; colchões; materiais para construção; ferragens; materiais de telecomunicação; cinematográficos; materiais de higiene; equipamentos, periféricos e suprimentos para informática; softwares; equipamentos eletro-eletrônicos; produtos para pesca; medição; registro; controle; ensaio; marcação de tempo; som; produtos de refrigeração; ventilação; produtos para calefação civil em rodovias; utensílios para copa e cozinha; comércio de motores de poupa (sic) e estacionários; comércio de brinquedos; instrumentos musicais; impressos; livros; papéis em geral; madeiras; compensados; tintas; vernizes; peças e assessórios para veículos e uniformes”, descreve a cláusula que trata sobre o objeto social da RP Tecnologia de Informação.

Mesmo com tão amplo leque comercial, a firma só decolou mesmo depois que Antonio Fernando Ribeiro Pereira se tornou sócio da famigerada Allen Rio.

Em 2011 – coincidentemente o ano em que o faturamento da empresa começou a subir de forma astronômica -, a Allen Rio Serviços e Comércio de Produtos de Informática Ltda e a Allen Comércio e Serviços de Informática Ltda, esta sediada na cidade de São Paulo, associaram-se ao tal Antonio Fernando Ribeiro Pereira para constituir a Allen MT Comércio e Serviços de Informática Ltda.

Esta última emitiu, de 2012 a 2014, notas fiscais que totalizam mais de R$ 20 milhões – contra a Allen Rio, com a descrição de serviços prestados à clientela matogrossense. No mesmo período e sob a mesma descrição, a RP Tecnologia de Informação – aquela, habilitada a vender entre outras coisas “papéis em geral” – emitiu contra a parceira carioca notas fiscais cuja somatória ultrapassa os R$ 5,5 milhões.

Além da RP Tecnologia de Informação e da Allen MT Comércio e Serviços de Informática Ltda, a Allen Rio também fez parceria em Mato Grosso com uma tal SF Assessoria e Organização de Eventos – firma aberta pelo “delator” em nome de um pedreiro que trabalhou para ele.

Em 2011 – coincidentemente o ano em que o faturamento da empresa começou a subir de forma astronômica -, a Allen Rio Serviços e Comércio de Produtos de Informática Ltda e a Allen Comércio e Serviços de Informática Ltda, esta sediada na cidade de São Paulo, associaram-se a um certo Antonio Fernando Ribeiro Pereira para constituir a Allen MT Comércio e Serviços de Informática Ltda. Esta última emitiu, de 2012 para cá, notas fiscais que totalizam mais de R$ 20 milhões – contra a Allen Rio, com a descrição de serviços prestados à clientela matogrossense.

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