SILVAL REVELA QUE EX-VEREADOR SABIA QUE PROPINA BANCOU CAMPANHA EM 2012
14.06.2017

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) assegurou que o ex-vereador Lúdio Cabral (PT) sabia do esquema de propinas que ocorria por meio de doação de combustível durante a campanha do petista à Prefeitura de Cuiabá, em 2012. A revelação do peemedebista foi feita em depoimento à Delegacia Fazendária (Defaz), onde Silval confessou diversos crimes contra os cofres públicos durante sua administração.

Depois de assumir as irregularidades e firmar acordo para devolver dinheiro aos cofres públicos, Barbosa conseguiu que sua prisão preventiva fosse convertida em domiciliar, na noite de terça-feira (13). Os esquemas confessados por ele haviam sido descobertos por investigações do Ministério Público Estadual (MPE) e integram etapas da “Operação Sodoma”, que apura diversas fraudes contra os cofres públicos estaduais durante a gestão do peemedebista.

A quinta fase da Sodoma trata sobre o esquema de fraudes entre o Estado e as empresas Marmeleiro e Saga Comércio e Serviço de Tecnologia e Informática Ltda., que teriam ganhado licitações durante a gestão de Silval de forma fraudulenta. Para que fossem contratadas, as empresas teriam pagado propinas na ordem de R$ 5,1 milhões.

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), o Estado teria pagado às empresas por combustíveis que sequer eram fornecidos. Os produtos teriam sido inseridos de forma fictícia no sistema.

Conforme o MPE, um dos responsáveis pelas fraudes no contrato com as empresas era o então secretário estadual de Administração, Francisco Faiad. O advogado teria utilizado parte da propina para pagar débitos da campanha eleitoral de 2012, na qual foi vice de Lúdio Cabral na disputa à Prefeitura de Cuiabá.

Faiad chegou a ser preso preventivamente durante a quinta fase da Sodoma, mas obteve habeas corpus no Tribunal de Justiça. Lúdio Cabral foi alvo de condução coercitiva no mesmo procedimento.

O ex-governador Silval Barbosa confirmou o esquema que envolveu os postos de combustíveis e comentou que Lúdio Cabral e Francisco Faiad foram beneficiados com a propina oriunda da prática ilegal. O Auto Posto Marmeleiro "doou" combustível na campanha do petista, que foi derrotado pelo ex-prefeito Mauro Mendes (PSB) no 2º turno.

“Silval relata que, na campanha de 2012, quando Francisco Faiad foi candidato a vice-prefeito na chapa de Lúdio Cabral, recebeu auxílio financeiro e doação de combustível no montante de R$ 600.000,00, frutos de desvios de dinheiro público e diz que Francisco Faiad tinha pleno conhecimento da origem ilícita de tal doação, assim como o próprio Lúdio”, detalha a juíza Selma Arruda, em trecho da decisão que concedeu liberdade a Silval.

O ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Correa Araújo, que também confessou as práticas ilegais e conseguiu a liberdade na terça-feira, mencionou que o advogado Francisco Faiad era um dos membros da organização criminosa que atuava no Estado durante a gestão de Silval Barbosa, apontado como líder do esquema. “Silvio relatou que Francisco Faiad foi secretário da SAD durante o ano 2013 e que recebeu o pagamento de propina oriunda da empresa Marmeleiro Auto Posto enquanto era titular da SAD, bem como que se utilizou de fraude na Secretaria de Infraestrutura para quitar restos de divida da campanha em que foi candidato a vice-prefeito de Ludio Cabral no ano de 2012”, relata trecho da decisão.

QUINTA FASE DA SODOMA

A quinta fase da "Operação Sodoma" foi motivada por delações premiadas dos empresários Juliano Volpato e Edézio Corrêa, administradores das empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda. e Saga Comércio Ltda. Os principais alvos das investigações foram os contratos firmados irregularmente entre o Estado e a Marmeleiro e a Saga Comércio.

O MPE descobriu que os empresários pagavam propinas à organização criminosa que estava no poder durante a gestão de Silval Barbosa. De acordo com as investigações do MPE, o esquema de propina das empresas de combustíveis surgiu em meados de 2011. Na época, a cobrança era de R$ 70 mil.

No entanto, conforme o MPE, assim que Faiad tornou-se chefe da pasta, aumentou o valor para R$ 80 mil. Ele teria alegado aos empresários que o acréscimo na propina teria sido uma exigência de Silval Barbosa.

O pagamento mensal era dividido em quatro partes. O ex-governador Silval Barbosa faturava R$ 40 mil no esquema ilegal. Faiad e o ex-secretário de Administração, César Zílio, recebiam R$ 16 mil. Já os R$ 8 mil restantes eram repassados ao empresário Edézio Corrêa, que escondia do próprio sócio, Juliano Volpato, que também era beneficiário da propina.

A quinta fase da Sodoma foi deflagrada na manhã de 14 de fevereiro. A investigação, presidida pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública, cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e nove de busca e apreensão domiciliar, nos estados de Mato Grosso, Santa Catarina e Distrito Federal.

Os mandados de prisão foram cumpridos contra o ex-secretário adjunto da Setpu, Valdisio Juliano Viriato; o ex-secretário de Administração, Francisco Faiad; o ex-governador Silval da Cunha Barbosa; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo; e o ex-secretário adjunto de administração, José Jesus Nunes Cordeiro. Entre os conduzidos coercitivamente para interrogatórios estavam, além de Lúdio Cabral, o ex-secretário de Fazenda, Marcel Souza de Cursi; Wilson Luiz Soares; Mário Balbino Lemes Junior; e Rafael Yamada Torres.

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