EX-PREFEITO CITA FIM DA "ERA DAS PRISõES" E PREVê NOVO GOVERNADOR DE MT AO ESTILO DE PRESIDENTE URUGUAIO
29.06.2017

O presidente estadual do PPS, ex-prefeito de Rondonópolis e ex-deputado Percival Muniz, afirmou que Mato Grosso precisa de um novo governador que possua perfil diferente de Pedro Taques (PSDB). Segundo ele, a gestão do tucano possui somente discurso de combate à corrupção e não prioriza o desenvolvimento do Estado.

O PPS apoiou a campanha eleitoral de Taques para o Governo do Estado, em 2014. No entanto, ao longo do mandato do tucano, o partido acabou se afastando.

O principal motivo para o rompimento teria sido a dificuldade de diálogo entre ambos, pois representantes da legenda afirmam que o governador não costuma ouvir os aliados. De acordo com Percival Muniz, Pedro Taques deve encontrar dificuldades, caso se candidate à reeleição em 2018. “Acho que o governador cumpriu um papel naquele ano eleitoral de 2014. Porém, o atual momento político exige um projeto de desenvolvimento, de valorização das forças políticas, econômicas e sociais do Estado. Isso vai exigir um novo cenário, um novo perfil para conduzir os próximos quatro anos. Cada momento é um. Naquele momento, a sociedade entendeu que era preciso um governador com aquele discurso, com aquela postura”, disse, na manhã desta quinta-feira (29), em entrevista à rádio Capital FM.

Ele acredita que a sociedade deve procurar um novo governador, com postura diferente da adotada por Taques durante sua gestão. “Acho que hoje a população busca uma postura, principalmente, de desenvolvimento do Estado. Mato Grosso não pode ficar paralisado em alguns segmentos. O governo é um indutor muito forte para o desenvolvimento econômico do Estado, para a geração de renda, de emprego, e principalmente para ouvir todos os segmentos. Acho que vai ser construída uma nova postura e um novo arco de aliança, uma nova circunstância política. Eu sinto que a população quer mais do que o que já tem. O governo do Pedro está cumprindo o papel que se propôs e a gente espera que ele cumpra com bastante dedicação até o final”, comentou.

Para o ex-deputado, a principal proposta de Taques era combater a corrupção em Mato Grosso. Porém, ele declarou que o tucano não deu atenção a outras áreas. “A principal proposta era sanear eticamente o Estado porque dava a impressão de que Mato Grosso não evoluía mais porque tinha muito mal feito na gestão pública. A população, então, falava, bem, se o problema é essa, vamos colocar alguém com o perfil de saneador de Justiça e fiscalização, e o Pedro se encaixa muito bem nesse perfil. Mas agora a população percebe que precisa trabalhar e desenvolver”, afirmou.

Segundo o ex-parlamentar, atualmente não é necessária a eleição de um novo chefe do Executivo estadual com perfil semelhante ao do tucano. “Naquele momento político, existia um discurso muito forte de combater a corrupção, frear o mau uso dos recursos públicos, punir autoridades e responsáveis. Era uma onda muito forte, o Estado não andava porque estavam roubando muito. Hoje, a gente percebe que essa fase passou. Já prenderam gente para todos os lados, já mexeram em todos os cantos, e o desenvolvimento está paralisado. O que precisamos, agora, é focar no desenvolvimento do Estado, deixar que cada instituição cumpra a sua tarefa. Deixar que o Judiciário cumpra sua parte, que o Legislativo faça sua função e o Executivo seja o indutor do desenvolvimento da geração de renda e emprego para o nosso povo”, declarou.

Ele mencionou dificuldades encontradas por diversos setores do Estado para dialogar com o tucano. “Sinto os comerciantes e pequenos agricultores sem ter com quem conversar, sem esperanças no dia de amanhã. Os médios e grandes produtores também, por mais que tenham representantes pelo governo, não há nenhuma iniciativa governamental”, detonou.

JOSÉ MUJICA

Para ele, o novo governador deve ter perfil semelhante ao ex-presidente do Uruguai, José Mujica. “O governo deveria ser bem mais ouvinte do que falante. Deveríamos ter um perfil mais ou menos como o Uruguai teve, com a presidência do Mujica. Aquele perfil que a população tá querendo, alguém que seja humilde, simples e, ao mesmo tempo, do cidadão que está construindo este Estado”, receitou

Em relação ao apoio do PPS na disputa eleitoral do próximo ano, Muniz acredita que seja pouco provável estar no planque do tucano. “O PPS é um partido pequeno, influencia muito pouco e é uma legenda de construção de futuro. Do mesmo jeito que ajudamos a construir o governo do Blairo, do Dante lá atrás e o próprio governo do Pedro, queremos ajudar a construir esse novo momento. A gente percebe que agora está sendo exigida uma postura diferenciada do que tem agora. Necessariamente, não precisa ser oposição nem situação. Pode ser até o mesmo governo, orientando de forma diferente e criando uma nova postura em relação ao desenvolvimento do Estado. Mas se assim não for, poderá ser também outra alternativa”, relatou.

Sobre uma possível mudança de postura no governo de Taques, o ex-prefeito de Rondonópolis foi enfático. "Acho que tem tempo, mas não sei se a equipe montada e a orientação dada teria consciência de mudar o rumo, a linha da gestão. Precisa ver se há essa vontade. Se existir essa vontade, pode ser diferente, porque a população não troca governo por querer trocar. Mas não sei se, com o perfil da equipe e orientação do governo, seria possível”.

Percival Muniz não conseguiu ser reeleito prefeito de Rondonópolis. Ele foi derrotado pelo então deputado estadual Zé Carlos do Pátio (SDD) numa disputa que ainda teve seu vice, Rogério Salles (PSDB), que terminou em terceiro.

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