POLêMICO, DELEGADO ANUNCIA SUBSTITUTO MAS PREVê RETORNO AS INVESTIGAçõES SOBRE GRAMPOS
17.07.2017

O delegado Flávio Stringueta classificou como infelizes as declarações feitas pelo procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, para justificar as supostas intimidações feitas contra o membro da Polícia Civil. Stringueta, que deixará temporariamente as apurações sobre o caso, afirmou que já indicou um delegado substituto e garantiu que as investigações sobre o caso, no âmbito da PJC, não serão interrompidas.

Stringueta havia sido nomeado pelo desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, como responsável por conduzir uma notícia-crime encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT), na qual a entidade denunciou suposta participação de membros do MPE no esquema de interceptações ilegais. No entanto, Perri retirou a função atribuída a Stringueta, pois reconheceu que teria cometido uma falha ao denominar o delegado como responsável pelas apurações sobre o caso envolvendo membros do MPE.

Por envolver promotores de Justiça, Perri informou que as investigações deveriam ser feitas pelo chefe do MPE, Mauro Curvo. Desta forma, as apurações do delgado sobre o esquema de grampos ilegais passaram a se restringir a supostas fraudes em investigações da Polícia Civil.

Na semana passada, Stringueta afirmou que foi alvo de intimidação do procurador-geral de Justiça, logo que o procedimento de Perri foi designado a ele. No entanto, Mauro Curvo rebateu as acusações e afirmou que agiu dentro da Lei e somente exigiu que as apurações sobre as supostas participações de promotores de Justiça nas interceptações criminosas fossem remetidas ao MPE.

Curvo informou que o ofício foi uma espécie de alerta sobre a irregularidade no fato de um delegado conduzir as investigações. “Se [Stringueta] fizesse tal investigação, incorreria em crime de usurpação de função e improbidade administrativa”, frisou.

Em resposta às declarações  do procurador-geral de Justiça, o delegado afirmou que o membro do MPE demonstrou desconhecer as apurações que estão sendo conduzidas atualmente pela Polícia Civil sobre o caso. “Eu diria que a emenda ficou pior do que estava. Ele disse que eu não poderia investigar o Ministério Público. Isso demonstra um desconhecimento completo dele a respeito das investigações. Em nenhum momento estamos investigando o Ministério Público”, declarou, na manhã desta segunda-feira (17), em entrevista à rádio Capital FM.

Stringueta criticou o ofício encaminhado por Curvo para informá-lo que o membro da PJC não poderia apurar casos envolvendo membros do Ministério Público. Ele classificou as declarações do procurador-geral como “infelizes”. “Eu sei das minhas atribuições. Não preciso que um promotor de Justiça venha me dizer o que é crime. Sou um técnico em Direito, tenho o mesmo conhecimento jurídico que qualquer promotor do Estado. Ele foi muito infeliz nas colocações dele. Não admito, não gosto de receber um ofício que me diz que minhas atitudes são criminosas. Se elas são criminosas, faça o seu papel, promova a denúncia e a gente responde na Justiça. Obviamente que não são criminosas, tanto é que elas vão para outro colega, vão continuar e logo estarei de voltar para dar continuidade às apurações”, completou.

AFASTAMENTO DAS INVESTIGAÇÕES

Stringueta se afastará das investigações sobre os grampos ilegais em razão de um problema de saúde. Ele informou que a saída temporária em nada tem a ver com o ofício encaminhado pelo chefe do MPE. “As pessoas que me conhecem sabem muito bem que esse tipo de embate me anima, me fortalece. A saída das investigações sobre os grampos não foi uma decisão minha, foi dos médicos que estão me acompanhando. O Orlando Perri já vinha acompanhando a situação física em que eu me encontrava. A indisposição foi só aumentando, por conta de uma anemia, um sangramento que ainda não foi encontrado. O meu corpo não está repondo sangue na velocidade em que está perdendo. Isso causa muita indisposição”, justificou.

O delegado comentou que foi diagnosticado com a doença de Crohn. “É uma doença crônica e autoimune, que não tem cura, mas não é fatal, ela pode ser levada pela vida inteira. Ela causa inflamação intestinal e sangramento nas fases agudas”.

Ele relatou que não tinha conhecimento sobre o problema e deve começar o tratamento nos próximos dias. “A ideia é retornar para a investigação. É um afastamento provisório. O médico me deu 30 dias de licença, mas espero que antes disso já esteja em condições de voltar e ajudar o doutor Orlando Perri nessa árdua tarefa, que é esclarecer todos esses fatos e trazer à sociedade a verdade que ela precisa e tem o direito de saber”.

Em seu lugar, ele contou que já indicou o substituto, que comandará as apurações durante sua ausência. “Eu e o doutor Juliano, delegado que está cuidando de outra investigação sobre o assunto, indicamos o nome do Marcelo Torhacs, que hoje está na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos. O Orlando Perri aceitou, porque disse que confia na gente e aceitaria o nome que indicássemos. Mas também precisa passar pelo crivo do delegado-geral, Fernando Vasco. Cremos que pode ser, sim, esse nome. Ele também aceitaria, caso fosse nomeado”, disse.

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