SILVAL CITA "CHAPéU" DE EX-SECRETáRIO E NEGA DíVIDA DE R$ 2,5 MI COM RIVA
17.07.2017

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) depõe nesta segunda-feira na ação penal da 2ª fase da “Operação Sodoma”, que apura pagamento de propina por parte de empresas que firmavam contrato com o Governo do Estado durante sua gestão. Além dele, o ex-chefe de gabinete, Sìlvio César Correia Araújo também prestará depoimento.

Silval é reinterrogado pela juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, após mudar de estratégia e passar a confessar crimes ocorridos durante sua gestão. Isso lhe garantiu deixar o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) após 21 meses e passar a cumprir prisão domiciliar.

Entre as empresas que pagaram propina ao ex-governador está a Consignum. Em depoimento a Delegacia Fazendária, Silval disse que a propina paga pela empresa variava de R$ 400 mil a R$ 450 mil mensal e começou em 2011, meses depois de ser reeleito, para pagar dívidas de campanha eleitoral. 

Os responsáveis pela arrecadação foram os ex-secretários de Administração, César Zílio, e Pedro Elias Domingos.

 

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15h01 - O ex-governador isenta Pedro Nadaf, Marcel de Cursi, Chico Lima, Karla Cecília, José Nunes Cordeiro e Rodrigo Barbosa de participação no suposto esquema. Ele diz não conhecer o empresário Júlio Minori, dono da empresa Webtceh, e que teria repassado uma propina de cerca de R$ 433,5 mil ao filho do ex-governador através de Pedro Elias. "Sabia que ele tinha contrato com o Governo e sei qeu o Pedro Elias o procurou e acertou com ele. Só soube que o Pedro Elias passava dinheiro ao meu filho quando sai do Governo. Eu conversei com ele e ele me confirmou", diz.

14H55 - Silval explica que era amigo do ex-prefeito de Várzea Grande, Wallace Guimarães. "Ele foi no meu gabinete na campanha de 2012 e me pediu ajuda financeira para concluir sua campanha de prefeito. Daí, ele me falou que esteve na SAD falando com César Zílio e ele falou do processo licitatório das gráficas. Daí, eu conversei com o César e ele me disse que era possível e eu determinei que o  César cadastrasse as empresas", frisa, ao acrescentar que não se lembra se Zílio passou os cheques. Silval diz saber o que foi feito e assume que autorizou. O ex-governador diz não saber quem sãos os empresários Antônio Roni de Liz e Evandro Gustavo Pontes, donos de gráficas em Várzea Grande.  "Só conversei desse assunto com Wallace e César", afirma. Rebate as acusações de César Zílio, que em delação premiada disse que o ex-governador rece beu R$ 1 milhão do esquema de gráficas. "O César e Wallace disseram que fiquei com R$ 1 milhão, mas não peguei nada", contesta.

14H50 - O ex-governador garante que teve apenas dois secretários de extrema confiança, que foram Pedro Nadaf na Casa Civil e César Zílio na Administração. No entanto, ele garante que neste caso da Consignum Nadaf não teve nenhuma participação, assim como Marcel de Cursi, Chico Lima, Cordeiro e seu filho Rodrigo Barbosa. Recorda que Rodrigo era amigo pessoal de Pedro Elias. 

14H45 - Após ouvir Willians Mishcus, Silval procurou Riva e disse a ele que não faria mais uma nova licitação para empréstimos consignados. "Daí eu mandei ele falar com o Mischurse que também não queria mais saber desse assunto no Governo", salienta. Silval comenta que soube que daí Pedro Elias e dono da Consignum foram na casa de Riva e acertaram a questão. Silval contradiz Riva sobre a declaração de que a propina da Consignum teria sido paga numa dívida de R$ 2,5 milhões para compra de uma fazenda em que ambos seriam sócios no Norte de Mato Grosso. "Nunca devi nada para Riva, mas ele precisa de uma ajuda para a campanha dele ao Governo", garante. Afirma que nunca teve contato com o empresário Fábio Drumond ou o bacharel em Direito Thiago Dorileo, assim como José Cordeiro. Diz que tomou conhecimento dos valores da propina da Consignum para Riva após ler a denúncia que só tomou a decisão a época para acabar com a "guerra". Ele diz que não existia pagamento fixo de propina para ex-secretários.

14H38 - O ex-governador assegura que nunca tratou de nenhum de esquema de corrupção com o ex-secretário adjunto de Administração, José Nunes Cordeiro, nem com qualquer outro adjunto. Silval volta a falar que Riva lhe sugeriu a empresa Zetrasoft para assumir os consignados com proposta de pagar propina de R$ 1 milhão, mas Mischurs não queria perder o contrato e conseguiu uma liminar na Justiça a época para barrar a licitação. "O Mischurs me procurava, mas eu não falava com ele. Uma vez eu estava na casa do meu irmão no Florais e ele foi lá. Me disse que eu precisava renovar o contrato dele e que seria muito prejudicado com o cancelamento. Daí, eu lhe disse que não queria briga com a Assembleia", assinala. Silval revela que Mischurs lhe confidenciou que havia falado com o ex-secretário da Casa  Civil, Paulo Taques, de que se o grupo político de Pero Taques (PSDB) vencesse a eleição de governador, em 2014, o contrato com a Consignum seria mantido sem uma nova licitação. No entanto, hoje o contrato está cancelado após a deflagração da "Operação Sodoma".

14H34 - Nesse encontro em que pediu R$ 900 mil para manter o contrato de Mischurs, Silval acertou $ 600 mil com o empresário, sendo que ele mandou o ex-secretário ficar com R$ 100 mil. Afirma que o ex-chefe de Gabinete, Sílvio Correa, não tinha participação no esquema e recebeu dinheiro uma vez. Diz que nenhum ex-secretário era pressionado a fazer nada. "Eles iam com maior prazer e principalmente quando recebiam sua parte", salienta. Detalha que os empresários só fazem as coisas quando levam vantagem. Afirma que César Zílio não lhe prestava contas. Comenta que no final de 2013 o ex-deputado estadual José Riva lhe procurou dizendo que havia outra empresa interessada em assumir os empréstimos consignados do Estado. "O Riva como presidente da Assembleia me cobrava duro. Como eu não queria briga com a Assembleia, pedi ao Pedro Elias para conversar com o Riva", detalha. 

14H28 - Diz que recebia das mãos de César Zílio R$ 250 mil do valor repassado por Mishcur e que nunca foi mais que isso. Comenta que César ficou a frente da arrecadação da propina e que, ao final, o ex-secretário não estava lhe repassando nem R$ 240 mil. Daí, ele chamou o ex-secretário de Administração, Pero Elias, para assumir os pagamentos normais da secretaria de Administração. Num determinado momento, Silval pediu a Pedro Elias que recebesse a propina de Mischurs que disse a Pedro Elias que entregava R$ 400 mil a R$ 450 mil todo mês para César Zílio. Daí, o ex-governador se encontrou com o empresário que lhe pagou R$ 900 mil de atrasados da propina. 

14H25 - Ele confirma que a denúncia do Ministério Público Estadual é verdadeira. Lembra que conheceu o ex-secretário de Administração, César Zilio, na campanha do ex-governador Blairo Maggi em 2006 quando foi vice na chapa. Em 2010, Zílio foi um dos coordenadores da campanha e, por confiar no ex-secretário, o chamou para ser secretário de Administração. Silval assume que todas campanhas tem caixa dois e que a sua de 2010 terminou com muitas dívidas. "Eu chamei o César para arrecadar alguma forma de quitar essas dívidas", diz ao confirmar que pediu a Zílio para conversar com o empresário Willians Mischurs, dono da empresa Consignum. "Eu não conhecia o Mischurs e pedi ao César", assinala. Comenta que ficou acertado que o empresário pagaria propina entre R$ 400 mil e R$ 500 mil por mês. Ele diz desconhecer a afirmação de outros réus de que foi aumentada para R$ 700 mil o valor da propina.

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