DELEGADA PREVê PRESSãO EM INVESTIGAçãO, MAS AVISA QUE NãO CEDERá AS INTIMIDAçõES
31.07.2017

A delegada Ana Cristina Feldner, que assume nesta segunda-feira (31) o inquérito policial sobre os grampos clandestinos, afirmou que não teme represálias durante as investigações sobre o caso. Para ela, nenhum tipo de pressão por parte de autoridades do Estado ou de instituições irá afetar as apurações sobre a prática criminosa. “Não me intimida. Faz parte do trabalho”, garantiu.

Ana Cristina foi escolhida pelo desembargador Orlando Perri, responsável por conduzir o caso dos grampos no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e assumirá o inquérito policial junto com o delegado Fabiano Pitoscia. Eles substituirão o delegado Flávio Stringueta, que deu início ao procedimento de investigação, porém se afastou do caso por problemas de saúde.

O inquérito da Polícia Civil apura supostas irregularidades em investigações realizadas por setores da instituição. A suspeita é de que existam procedimentos da PJC em que tenham sido utilizados esquemas de “barriga de aluguel”, quando são solicitadas interceptações telefônicas de pessoas que não estão relacionadas às investigações.

A delegada comentou sobre a possibilidade de sofrer intimidações durante as apurações sobre os grampos clandestinos. O delegado Flávio Stringueta, antes de se afastar do caso, revelou que sofreu pressão do procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, que lhe encaminhou um ofício no qual afirmou que o membro da PJC poderia ser enquadrado nos crimes de usurpação de função e improbidade administrativa, por conta das apurações, por envolver pessoas que não poderiam ser investigadas no âmbito da Polícia Civil.

Para Ana Cristina, a pressão é algo normal para a profissão e não irá impedir as apurações. "Eu adoto a atitude que sempre tive. A gente sabe que é um caso muito complexo, onde haverá muita pressão. Não me intimida nenhum tipo de pressão. Faz parte do trabalho. Quando você decide ser delegado de Polícia, já tem que saber que vai lidar com situações estressantes. Isso é parte do trabalho e não pode nos intimidar, nem mudar os rumos das investigações" declarou, na manhã desta segunda-feira (31), em entrevista à rádio Capital FM.

Ela mencionou que já espera que haja pressão, porém não afetará de nenhum modo as apurações, que, segundo a delegada, serão feitas com técnica, conforme a Legislação. “Não seria a primeira situação da minha vida profissional em que encontraria situações estressantes, e talvez não seja a última. Então, vejo essas pressões com naturalidade. Se isso acontecer, não surtirá os efeitos, porque já espero e faz parte mesmo dos trabalhos das investigações. Eu pretendo ser técnica, porque não há o que se discutir em cima do que é a Lei, de quem fez ou deixou de fazer algo. Então, você trabalhando com tranquilidade, consciência e com a técnica, não tem como dar errado, com certeza você vai chegar a algum resultado”.

A nova responsável pelas apurações sobre os grampos clandestinos contou que terá uma reunião com o delegado Flávio Stringueta ainda nesta segunda-feira, para que possa tomar conhecimento sobre o andamento das apurações.

“Até o presente momento, tenho conhecimento geral, como todo mundo, pela imprensa, mas ainda não sei o que já existe. Então, a expectativa é grande no sentido de ter esse conhecimento e conseguir realizar um bom trabalho. Nós sabemos que é um caso muito complexo, que estava nas mãos de um excelente delegado, que é o Flávio Stringueta, com o qual eu já tive a honra de trabalhar, no GCCO. Acredito que vamos continuar na mesma linha da investigação. A partir de hoje, vamos ver qual o andamento e os próximos passos”, relatou.

Ela frisou que ainda não definiu o modo como as apurações sobre o caso serão retomadas. “Primeiro vou precisar ter acesso a toda a investigação, para definir quais os próximos passos. Sem a gente ler, atentamente, em que pé está a apuração, é difícil dizer qual o próximo passo, se seria uma oitiva de testemunha ou algum ofício expedido para outro órgão. Eu preciso, realmente, tomar conhecimento, saber qual a etapa atual da investigação, para aí poder definir os próximos passos”, explicou.

RELAÇÃO COM SECRETÁRIO DE SEGURANÇA

A delegada também comentou sobre a relação com o secretário de Estado de Segurança, Rogers Jarbas. "Eu não tive, ainda, contato sobre esse caso. Quando recebi a notícia, estava de férias, estou retornando hoje, segunda-feira, e não conversei com o secretário. Não fui convocada por ele pra qualquer tipo de conversa. Então, não sei. Mas eu sei que teve o aval da diretoria [da PJC], que também analisou e encaminhou. Então, não é uma indicação feita à revelia da Polícia Civil”.

Ela comentou sobre a possibilidade de sofrer represálias do secretário, por ter assumido o cargo, pois havia informações de que o Executivo estaria tentando impedir a continuidade das apurações, após o afastamento de Stringueta. Rogers Jarbas, porém, negou qualquer tipo de tentativa de impedir o prosseguimento das apurações.  

“O cargo do secretário de Segurança Pública é político, então, se tiver que acontecer alguma consequência política, faz parte também do nosso trabalho. O que me preocupo sempre é com a minha instituição, com a minha diretoria. Eu faço parte de uma instituição, da Polícia Judiciária Civil, onde a gente tem o princípio da hierarquia, e nela eu não posso ter meu convencimento jurídico”.

“Dentro da minha atribuição de delegada, tenho o direito de defender aquilo que acredito em uma investigação, mas nós temos os nossos princípios da hierarquia e disciplina. Então, seria difícil fazer um trabalho sem a concordância da indicação da diretoria. Mas temer uma represália, que supostamente possa existir ou não, em algum caso político, não temo porque quero acreditar, primeiramente, que todos os políticos envolvidos querem que o caso seja apurado a fundo e que a verdade seja esclarecida. Acredito nisso, a priori. Em um segundo momento, caso exista, faz parte do nosso trabalho, de trabalhos complexos, que possam incomodar, e faz parte da vida de um delegado. Então, não temo”, completou.

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